Nova York Por Aqui
Arquivo Folha
NOVA YORK POR AQUI
By Gilberto Smaniotto & Marinês Utteich
Inglês na Capital do Mundo?
Are you sure?
Muitos desembarcam na Big Apple pensando que vai ser fácil sair falando inglês. Vá com calma. Não é bem assim. Nova York fala 80 línguas diferentes, com os mais estranhos sotaques. Nas ruas se pode ouvir russo, indiano, croata, chinês, português, italiano, e muito, mas muito espanhol. Também se vê muita mímica. Tudo é válido para se fazer entender. Acredite, este não é o lugar ideal para estudar inglês.
Cuidado com
as arapucas
Mas se você está encantado com a capital do mundo e já decidiu que é aqui que vai melhorar a sua performance, fique alerta. Nova York tem muita arapuca com cara de escola para estrangeiros. Elas prometem milagres e você paga pela decepção.
Falar para escrever ou escrever para falar? Its up to you , como dizem os americanos. Algumas escolas ensinam muita gramática. Outras ensinam diferente. Deve-se aprender como um bebê, primeiro falar. Tem as que juntam as duas idéias, mas acabam pendendo para um dos lados. Escolha o curso de acordo com sua necessidade. Ligue, passe um fax pedindo informações. Tire dúvidas com alguém que já estudou por aqui. Pergunte sobre o método de ensino.
Acertos e erros
na escolha do curso
Que azar!
Não é difícil encontrar brasileiros que estudam em Nova York reclamando das escolas. O paulista Rui Pedroso, 34 anos, trocou de curso quatro vezes em nove meses. Num eu fazia só exercícios de gramática. No outro o professor sequer escrevia no quadro negro. Resultado: Não conseguia gravar o que era dito. Também tive professores que falavam espanhol. Eu não me sentia nos Estados Unidos. A bailarina mineira Cléo Carmona, 27 anos, também reclama: Eu esperava mais dinamismo. A escola prometeu muita conversação, mas não deu. Além disso, tem muita gente na sala de aula. Mesma coisa com Cintia Negreiros, 24 anos, de Brasília. Quando saio as ruas falo espanhol, faço mímica, falo inglês errado. Se fosse numa outra cidade dificilmente falaria assim, e teria mais chances de ouvir inglês correto, desabafa.
Que sorte!
Mas tem gente que se dá bem, como a paranaense de Foz do Iguaçu, Cristine Roncato, 25 anos, que estudou cinco anos no Brasil. Em três meses, repassei tudo. Estudar aqui é muito mais intenso, afirma. Outro é o engenheiro agrônomo paulista, José Luis de Oliveira, 34 anos, há 10 meses em Nova York. Se você pensa que tem muita gramática e fala pouco, dont worry . Pode demorar, mas quando começar a falar será corretamente.
Senta que aí
vêm as
recomendações
Um curso de inglês normalmente não é barato. Para garantir que o seu investimento vai valer a pena é bom seguir estas dicas:
qUma vez em Nova York prometa para si mesmo só falar e pensar em inglês. Assista muita TV. Ouça rádio com atenção. Leia jornal. Traduza todo dia um artigo. Leia todo tipo de folheto, anúncio e até bula de remédio.
qFaça amigos. Os nova-iorquinos da gema são fechados, desconfiados, solitários e resistentes a estrangeiros. Aposte na simpatia e descontração brasileira e agarre-os com unhas e dentes. Não vai ser fácil.
qUma boa pedida além da escola é exercitar o inglês em casa. De preferência vá morar com uma família americana. Faça intercâmbios. Morar com brasileiros - never . Saia bastante. Passeie. Visite tudo o que puder. Fale com balconistas, jornaleiros e floristas. Sente na praça e puxe conversa com aposentados, eles sempre gostam de papo. Vale tudo, menos falar portunhol com os cucarachas.
Onde estudar? Alguns endereços
Cambridge School
211 East 43 Street - New York NY 10017
Fone: 212 490-0865 Fax: 212 490-0869
Curso de 20 horas semanais, 5 semanas
Preço: US$ 545. Matrícula: US$ 50
Livros cobrados à parte
Prof. Lawrence DErasmo, fala português
Ces - The Center for English Studies
330 Seventh Avenue New York NY 10001
Fone: 212 629-7300 Fax: 212 629-7134
Curso de 20 horas semanais, 4 semanas
Preço: US$ 700. Matrícula: US$ 100
Livros incluídos
Cátia Fonseca, fala português
Columbia University (American Language Program)
504 Lewisohn Hall Columbia University
Broadway New York NY 10027
Fone: 212 854-3584 Fax: 212 932-7651
Curso de 20 horas semanais, 3 semanas
Preço: US$ 1.427 matrícula: US$ 20
Livros cobrados à parte
Hunter College
695 Park Avenue 10th floor. East Building
New York NY 10021
Fone: 212 772-4290 Fax: 212 772-5722
Curso de 18 horas semanais, 8 semanas
Preço: US$ 1.130 Matrícula: US$ 45
Livros cobrados à parte
New York University (American Language Institute)
48 Cooper Square, room 200 - New York NY 10003
Fone: 212 998-7040. Oferece horários diferentes com preços que variam de US$ 780 a US$ 3.850
The International Center
Um lugar excelente para quem quer praticar o inglês sem ficar preso as salas de aula é The International Center in New York. Existe há 35 anos e não visa lucros. Recebe imigrantes, refugiados, estudantes, gente de negócios e visitantes. São mais de mil voluntários que atendem cerca de duas mil pessoas por ano. Você pode, além de melhorar seu inglês, conhecer a Cultura Americana e aprender como se virar em Nova York. Tem classes também para leitura de jornais, discussão de filmes, interpretação de textos, pronúncia, literatura, televisão e até cozinha. Os passeios pela cidade e museus também são interessantes. Você pode assistir a todas as aulas sem se inscrever. O único pagamento feito à escola é de US$ 150 por um ano. Mesmo ficando só alguns meses por aqui é necessário se associar. Vale a pena. Dá para passar o dia inteiro conhecendo gente de todas as partes do mundo.
Partners
São voluntários que ficam uma hora por semana só com você, tirando dúvidas sobre seu problema com a língua inglesa. A gerente do setor de processamento de dados da empresa MetalLife em Nova York, Alvera Cleary, de 49 anos, trabalha como voluntária há cinco. Ela já teve 17 estudantes de diferentes partes do mundo. Todo sábado pela manhã, com chuva, sol ou neve, Alvera está no International Center conversando com alguém. Para ela, ajudar os estrangeiros é um prazer. Ela não esquece de sua primeira partner , uma russa, que só sabia dizer OK. Para todas as afirmações e até perguntas a russa dizia somente Ok. Hoje, dois anos depois, a voluntária comenta que a estudante ficou morando em Nova York e fala muito bem o inglês. Só tem um probleminha: Quer contar tudo, está falando demais. (The International Center - 50 west 23 Street - fone 212 255-9555)
De estudante a
voluntário nos
Estados Unidos
Para ver que isto é levado a sério tem até livro dando dicas para quem quer ser voluntário em Nova York. O Volunteering in the New York City de Richard Mintzer, fornece o nome de 15 mil lugares. De escolas, teatros, até hospitais. Aproximadamente 1 milhão e meio de nova-iorquinos fazem algum tipo de trabalho voluntário mensal, semanal ou diário. Por quê? Segundo eles, é mais uma chance de exercitar suas habilidades e ganhar experiência para uma nova carreira. Isto também representa a oportunidade de fazer alguma coisa importante para os outros e para você mesmo. Algo que toca a vida de todos de um jeito muito humano. Recado: Se você vem estudar em Nova York pode também ser um voluntário. É uma forma de conhecer pessoas e melhorar seu inglês.
Limpando o Central Park
Esta é para parar e ver. Mais de 2 mil voluntários, no dia 3 de maio, vão pegar vassouras, pás e pincéis. Tudo para plantar arbustos, pintar bancos e juntar as folhas secas do Central Park e todos os outros da cidade. O negócio é tão organizado que para participar tem que se inscrever. Tem uniforme e tudo mais. Vale do teenager ao vovô.
Lixo de luxo
DivulgaçãoO pintor Geová Rodrigues, de 32 anos, é desconhecido no Brasil, mas conseguiu a proeza de vender 80 quadros no mercado americano. Ele pinta com esmalte sobre tela, papel ou madeira, sem nenhuma preocupação com escolas ou estilos. O fato é que caiu no gosto da comunidade fechada do Soho, onde estão algumas das melhores galerias de arte do mundo. Quadros seus foram vendidos para colecionadores famosos, como o banqueiro Rotschild. Na última festa de Ivana Trump, a ex do magnata dos cassinos, Donald Trump, obras de Geová decoraram o ambiente. O detalhe mais original das criações dele: suas telas são produzidas com lixo. Geová pega um pedaço de papelão, pinta direto, sem perda de tempo. O resultado tem agradado, e ele conseguiu a maior proeza para um pintor nascido no Rio Grande do Norte: vive de arte na capital do dinheiro.
Entrando em cena
Outro talento brasileiro, há 16 anos em Nova York, também conseguiu o que milhares de artistas sempre sonharam. Mostrar suas obras num filme dirigido por Woody Allen. O mineiro Clever Verçosa, 37 anos, ex-engraxate de Belo Horizonte, de uma hora para outra foi convidado para expor suas esculturas no filme Repentinamente em Manhattan, rodado no Village, bairro famoso por sua intensa vida noturna. São quatro esculturas em madeira que aparecem na tela por mais de 10 minutos. Uma delas chama Os Dois Lados do Mundo.
O artista que veio de Minas, terra de Aleijadinho, depois de trabalhar muito na terra do Tio Sam vai abrir a sua galeria no Village. Para não esquecer das origens, ele ainda tem uma engraxataria na região de Madison Square Garden.
E falando em Woody
ReproduçãoTodas as segundas-feiras o ator e diretor Woody Allen tinha um endereço certo: Michels Pub. Lá ele tocava seu clarinete religiosamente as 8 e meia da noite. Foram 25 anos. Agora, sabe-se lá porque, Woody resolveu mudar de ares. Foi parar no Café Carlyle. O preço para assistir a performance é de US$ 45 por pessoa. Se a casa não lotava agora vai lotar. Na pré-estréia do domingo passado tinha gente fazendo de tudo para conseguir um ingresso. Woody continua tocando todas as segundas-feiras e continua o mesmo. Entra no palco mudo e sai calado.
Tem brasileiros
no Jazz Festival
Edson Guitti/Arquivo FolhaMarisa MonteO JVC Jazz Festival, que vai acontecer de 20 a 28 de junho em vários pontos de Nova York, acabou de anunciar quem serão os convidados. A lista deste festival é especial. Tem Aretha Franklin, Petti LaBelle, Roy Aywers, Cassandra Wilson, Ray Charles e o pop saxofonista Najee. Os brasileiros Caetano Veloso, Marisa Monte e Carlinhos Brown também participam. Ao todo são mais de 30 shows. Eles vão acontecer no Carnegie Hall, Botton Line e outras salas de concertos da cidade. Também terão espetáculos gratuitos no Bryant Park na Sexta Avenida, atrás da Public Library. Nós vamos deixar você bem informado sobre estes eventos nas próximas edições. (JVC Jazz Festival New York, fone 212 501-1390)
Anaconda
E o Brasil esta de novo nas telas dos cinemas. desta vez não é um monstro trazido da Amazônia como no filme The Relic, mas continua sendo sobre a mesma floresta. Agora é a vez de Anaconda, uma cobra gigante que se enrola no corpo de suas vítimas apertando-as até quebrar todos os ossos. Falando desse jeito parece assustador, mas segundo os críticos daqui, Anaconda não assusta nem criancinha. O problema está nos efeitos especiais que deixam o bicho inexpressivo. O indiscutível é o quanto os americanos gostam dos mistérios da nossa floresta, já que volta e meia ela é tema de algum filme. Este final de semana a cobra gigante ficou de novo no topo da lista dos mais assistidos por aqui. Faturou doze milhões e meio de dólares.
E amanhã, sexta-feira, as telas dos cinemas vão pegar fogo. Estréia Vulcão, que é destruição o tempo todo, e Flamenco, um filme de muita dança de Carlos Saura com Paco de Lucia e Joaquim Cortez. Resta saber se estas duas produções vão conseguir tirar a cobrona do topo da lista dos filmes mais assistidos.
Semana que vem, vamos dar um pulo no World Trade Center. As torres gêmeas. Vamos visitar o 107º andar, ele foi reformado. Tem muita novidade. Lá de cima vamos espiar a cidade para ver como está Nova York por aqui.
See you quinta again. Bye, Bye.





