Nova York Por Aqui
By Gilberto Smaniotto & Marinês Utteich




Hans Namuth

O artista Jack Pollock no seu estúdio em 1950

Gilberto Samaniotto

A família Miranda foi pega de surpresa.Souberam da desvalorização do real quando estavam se divertindo em Orlando

Gilberto Smaniotto

Família Zanini: além de controlar os gastos da viagem de férias, estão enfrendo tempo ruim em Nova York

Gilberto Samaniotto

Jaime Felzen aposta na Associação Brasileira do Comércio de Nova Yrok para proteger os turistas



Pesadelo nas férias
Alguns já estavam com as malas prontas quando o governo brasileiro decidiu desvalorizar o real. Outros estavam no meio da viagem, daquela que poderia ser a das férias tão sonhadas. Resultado: todos ficaram com a pulga atrás da orelha e com a carteira fechada, evitando os cartões de crédito. Agora, cada dólar gasto na Terra do Tio Sam significa muito mais reais para pagar na volta ao Brasil. Segure-se quem puder. O dólar disparou ou o real é que afundou? It doesn’t matter. It’s a big mess.
Cortando os
gastos já!
A família Zanini, de Belo Horizonte, saiu do Brasil quando o real perdeu a força. A viagem estava marcada, as malas estavam prontas e eles vieram para os Estados Unidos mesmo sabendo que tudo sairia mais caro do que o planejado. Antes de sair de casa o engenheiro Ênio Zanini avisou a mulher, o filho e o sobrinho que usar os cartões de crédito brasileiros só em caso de emergência.
‘‘Tudo foi por água abaixo. Minhas férias não estão sendo as mesmas e o que eu pensava em comprar, como uma filmadora digital, uma câmera fotográfica ou um celular, vai ficar para a próxima vez’’, desabafa. O jeito era curtir a cidade, mas nem nisso eles tiveram sorte. Uma mistura de neve e chuva caiu a semana toda. Até as tradicionais fotos das férias não vão ser as mesmas. Nada de sorrisos com a paisagem da cidade ao fundo. A coisa anda meio escura, molhada e sem brilho. Sorry guys.
Fazendo
os cálculos
O promotor de Justiça Claudomiro Lobato de Miranda, de Belém do Pará, estava com a família visitando Orlando quando soube que o real tinha sido desvalorizado. ‘‘Tivemos sorte, estávamos gastando somente os travel cheques e dólares. Não usamos ainda o cartão de crédito brasileiro e agora mais do que nunca não pretendemos usar’’, avisou ele. Só que Claudomiro esqueceu que a filha Haila de Miranda, de 15 anos, comprou no cartão pessoal dela uma filmadora e um telefone celular. O que poderia ser apenas US$ 1.500 pode virar no Brasil quase R$ 3 mil, dependendo da variação do mercado. Enquanto eles contavam a estória para a gente a loja de câmbio da Rua 46 mudava os números. Na segunda-feira, 3 horas da tarde, eles estavam vendendo o dólar por R$ 2,20, e comprando por R$ 1,60.
E os negócios?
Enquanto o ti-ti-ti sobre a situação corria pela ‘‘Little Brazil’’, Mohamed, um vendedor de eletrônicos da loja americana Wiz, da Quinta Avenida, perto da 46, descobria porque os brasileiros desapareceram da loja dele. ‘‘Esta é uma área de turistas. Quase 70% dos nossos clientes são brasileiros. Esta semana o movimento caiu e eu não sabia porque. Não tive tempo de ver o noticiário, só agora é que fiquei sabendo da desvalorização da moeda’’, completou preocupado com a situação.
Cadê o pessoal?
Outro que sentiu na pele o movimento despencar foi Bernardo Silva. Ele trabalha há 8 anos na Rua 46 fazendo a divulgação das lojas. De panfleto em panfleto ele convida os brasileiros para entrar nas lojas, ver os preços e as novidades do pedaço. Na segunda-feira ele passou a maior parte do tempo pendurado num telefone público, um ‘‘orelhão’’, um símbolo com cara de Brasil, instalado na rua 46. ‘‘De uma semana para cá o negócio ficou feio. Acho que o movimento caiu 80%. Estou até de olho num outro emprego’’, desabafa.
Lojas bem
brasileiras
Para as lojas brasileiras na Rua 46 este tipo de problema não é mais novidade. ‘‘Eu estou acostumado com esses altos e baixos na economia brasileira’’, avisa o empresário Jaime Felzen, 73, que há 40 anos administra a loja Som Brasil entre a Sexta e Quinta Avenidas. Para ele não há desespero nenhum apesar do movimento estar fraco neste momento. ‘‘O negócio é deixar a poeira baixar e tudo deve voltar ao normal. Quem tem que comprar, vem e compra. A mercadoria importada no Brasil também ficou mais cara. Quem compra a mercadoria aqui sempre ganha’’, avisa.
Protegendo o comércio
verde-amarelo de NY
A crise no Brasil chega no momento em que os comerciantes da Rua 46 estão colocando a casa em ordem. Por causa do número de reclamações de turistas enganados por lojas da mesma rua, os empresários do local resolveram criar a Associação Brasileira de Comércio de Nova York. O objetivo principal é orientar os turistas e imigrantes brasileiros. A associação não tem fins lucrativos e está recebendo incentivo de várias empresas como a Western Union, uma subsidiária da First Data Corporation, que ajudou a ABC dar os primeiros passos com US$ 5 mil em doações.


Um selo como escudo
‘‘Criamos um selo que protege o nosso negócio e protege os brasileiros’’, avisa Felzen, que também é presidente da Associação. ‘‘As lojas que se dizem brasileiras e se instalaram na nossa rua vendendo produtos falsos não podem se misturar com as que trabalham sério. O selo, criado em setembro, mas lançado oficialmente este mês, serve para identificar os associados e garantir as compras do consumidor. É uma espécie de controle de qualidade. Estamos cansados de receber reclamações e de ouvir gente dizendo que comprou produto defeituoso e não pôde trocar. O selo é sinônimo de segurança,’’ conclui.
Recomendações
Para o consumidor não comprar gato por lebre aí vão algumas recomendações:
- Desconfie sempre do preço muito abaixo do mercado. Algumas lojas coreanas ou com bandeiras brasileiras na porta vendem os produtos muito mais em conta, mas eles são falsos ou recondicionados.
- Se o vendedor falar aquele português arrastado, portunhol ou quase isso e tentar saber quantos dias você vai ficar na cidade ou em que hotel você está hospedado, desconfie. Ele quer ter certeza de que você vai comprar alguma coisa e viajar logo, dificultando a troca se o produto estiver com defeito.
- Cuidado com as mercadorias que eles dizem que vão mandar pelo correio. Elas podem não chegar. Por isso é bom se informar sobre a procedência da empresa. A ABC avisa que não é responsável por remessas de mercadorias.
- Na hora de comprar na 46 é bom verificar se o nome da empresa que consta na nota fiscal é o mesmo que está no selo da ABC.
- Se você quiser mais informações a Associação Brasileira de Comércio de New York fica na 21W 46th Street, sala 201. O telefone é 212 - 944 9368, fax 212 944 9369. E-mail: [email protected]
MoMA
Jackson Pollock
em retrospectiva
Para quem ainda não viu restam poucos dias para admirar o trabalho do pintor americano mais influente do século 20. A retrospectiva da obra de Jackson Pollock (1912-1956) está em exibição no Museu de Arte Moderna - MoMA, até dia 2 de fevereiro.
São mais de 150 obras entre pinturas e desenhos, incluindo 3 esculturas, que mostram todos os estágios da carreira desta figura lendária. O artista dividia o tempo dele entre a criação de seus quadros e os problemas causados pelo alcoolismo.
Pollock nasceu em Cody, Wyoming, em 1912 e dezoito anos depois veio para Nova York estudar pintura. A primeira fase da carreira do artista foi influenciada por Picasso, chamando a atenção para suas imagens de totens com figuras de animais. Foi só depois de 1947 que ele partiu para um revolucionário estilo de pintar. Foi jogando tinta direto da lata para a tela que Pollock ficou famoso e deu início ao expressionismo abstrato.
Entre a pintura e a música
O artista também tinha paixão pela música. Embora normalmente trabalhasse em silêncio ele costumava passar horas ou mesmo dias ouvindo jazz. Segundo sua mulher, Lee Krasner, também pintora, para Pollock o jazz era a única coisa criativa, além da pintura, que estava acontecendo neste país. Ele dizia que não queria que as pessoas reconhecessem imagens nas pinturas dele. Sua obra era para ser admirada como se admira uma música.
Inspirado pelo fascínio que Pollock tinha pelo jazz o MoMA lançou um CD com as músicas preferidas dele. Vai de Duke Ellington e Louis Armstrong até Billie Holiday e Coleman Hawkins. O preço do CD é de US$ 15, e o ticket para ver a exibição é de US$ 12,50.
(MoMA - Museu de Arte Moderna - 11W 53rd Street. Fone 212 708 9400).
FASHION
Oh! de MOSCHINO
O dia dos namorados vem aí. O Valantine’s Day para os americanos é 14 de fevereiro. Corações, ursinhos e fitinhas vermelhas passaram a fazer parte da decoração das lojas . Os lucros do Natal já foram esquecidos e o alvo agora é o bolso dos apaixonados.
Aproveitando essa maré romântica a Moschino lança dia 31 de janeiro o Oh! de Moschino para mulheres, bem mais suave do que o Moschino clássico. O gerente da seção feminina de perfumes Moschino e Dolce & Gabbana da Saks Fifth Avenue, Andres Trujillo, diz que esta é uma fragrância perfeita para as mulheres jovens de idade ou de espírito. É leve, refrescante e delicadamente doce.
Este novo lançamento traz uma pitadinha verde-amarela. Entre as essências que compõe o perfume está a madeira de rosas brasileira. Esta não é a primeira vez que a companhia usa produtos naturais do Brasil em suas fragâncias. O último lançamento do Dolce & Gabbana, aquele em que o frasco parece uma pele de leopardo, é feito com o nosso café.

Por Aqui & Por Aí
Por hoje é só. A gente volta na quarta again. Bye Bye.Email: [email protected]

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