Nova York Por Aqui
NOVA YORK POR AQUI
By Gilberto Smaniotto & Marinês Utteich
Times Square Business Improvement District/Divulgação
A virada do ano deve reunir 500 mil pessoas em Times Square. Outras 300 mil vão assistir pela TV
Times Square Business Improvement District/Divulgação
A atleta chinesa Sang Lang vai apertar o botão que comanda a descida da bola iluminada
Arquivo Folha
Bill Clinton: sexo, mentiras...e pedido de perdão
Arquivo Folha
Monica Lewinski: superexposição e vexame público
Arquivo Folha
Leonardo DiCaprio: galã da noite para o dia
Arquivo Folha
Frank Sinatra: uma estrela se apaga
Happy New Year
in Times Square
Cerca de 500 mil pessoas deverão estar plantadas amanhã em Times Square, num frio de menos de zero grau, para esperar a virada do ano. Outras 300 mil devem acompanhar tudo pela televisão. Vários países, incluindo Brasil, China, Itália, França, Alemanha e Japão, confirmaram que vão mostrar tudo via satélite.
Todo ano é a mesma coisa. Uma bola pesando quase 250 quilos e com 180 lâmpadas desce um pedestal instalado num dos prédios da Times Square. Quando a bola atingir 1999, os números se iluminarão com uma pequena explosão. Neste momento, mais de 30 mil balões vão colorir o céu de Nova York e duas toneladas de confetes vão cair dos edifícios.
Convidada especial
Este ano, a convidada especial do Times Square Business Improvement District (BID), que é responsável pelas mudanças do local e pelas festas que ali acontecem, convidou a atleta chinesa Sang Lang para apertar o botão que comanda a descida da bola iluminada.
A ginasta, de 17 anos, está numa cadeira de rodas. Ela ficou paralítica no último verão americano, quando competia nos Jogos da Boa Vontade. Sang Lang se tornou um símbolo de coragem e otimismo para todos.
O presidente do BID, Jeffrey Straus, disse que neste caminho para o novo milênio o mundo tem que olhar e dar valor para os verdadeiros heróis. Sang Lang representa um exemplo para os jovens, concluiu. A garota, que agora mora na cidade, agradeceu e desejou Xin Nian Kuai Le, Feliz Ano Novo em chinês.
Tradição de
quase 100 anos
Desde 1904 Times Square faz a festa de Ano Novo, mas só há dois que um convidado especial divide as atenções com o prefeito da cidade. Rudolph Giuliani, na virada do ano de 96 para 97, apertou o botão de comando da bola iluminada com uma lavadeira de 88 anos. Oseola Mccarty foi homenageada porque no ano de 95 resolveu doar tudo o que economizou durante a vida dela para a Universidade do Mississippi. Foram US$ 150 mil, valor que um executivo de Wall Street consegue ganhar em seis meses. Ano passado, quatro crianças da 4ª série, de quatro bairros diferentes, ajudaram o prefeito, que representou Manhattan, na comemoração dos 100 anos da cidade.
Times Square:
ano 2000
A maior festa de todos os tempos está sendo esperada para a virada do milênio. As comemorações vão começar às 7 da manhã por causa da diferença de horário entre os países. Acontece que enormes telões vão transmitir ao vivo a virada do ano e mostrar um pouco da cultura dos povos espalhados por todo o planeta.
A Panasonic garante os telões e a Korbel Champagne garante a festa até 2007. O contrato milionário entre as empresas foi fechado em julho do ano passado depois de uma corrida maluca das companhias para conseguir exclusividade.
Colocar o nome da empresa num evento como este significa mostrar o produto para o mundo. A Korbel, empresa da California com 115 anos no ramo de bebidas, vai aplicar US$ 25 milhões em propaganda. Para os americanos, ela já é considerada a champagne oficial para celebrar o milênio.
O QUE ROLOU POR AQUI EM 1998
Monica, Monica, Monica
1998 foi o ano em que a pornografia ganhou horário nobre na vida dos americanos - e entra para a história como o ano de Monica Lewinsky. A TV NBC, a Globo deles, fez um balanço que botou a ex-interna da Casa Branca no centro da vida nacional. O escândalo começou em janeiro e dominou 1998. Desandou ladeira abaixo quando o presidente Clinton botou o dedo no nariz do povão para dizer eu não fiz sexo com aquela mulher... O mentiroso tinha feito sim, e a negativa desaforada na TV acabou precipitando o inquérito do procurador especial Kenneth Starr, arrastando o presidente num lamaçal nunca visto na política ocidental.
Ken, Ken
Por falar em Kenneth Starr, 1998 também foi o ano dele. Eis aí um personagem para o divã de Freud. O homem pode e deve ser estudado 1999 e século adentro. Ele é filho de um pastor ultraconservador. Para pagar parte dos estudos, vendia bíblias. É anti-aborto, anti-divórcio, anti-sexo-fora-do-casamento, anti-pornografia - só não deve ser anti-sexo porque sabe-se que tem filhos. Pois com este perfil, tornou-se campeão em pornô. Superou até o pornógrafo profissional Larry Flint, espalhando pela Internet, pelo mundo todo, os detalhes sórdidos do romance de Bill e Monica.
Linda nem tão Linda
Os americanos, sempre em busca de heróis, este ano tiveram que engolir uma vilã como preferência nacional. Ela é Linda Trip, a amiga que traiu Monica. Linda, feia como um bacamarte, caiu na besteira de dizer na tevê que o que ela tinha feito (gravar e denunciar a amiga) era coisa que qualquer americano faria. Eu sou uma pessoa comum, como você (que está me assistindo na tevê). Foi só ela dizer isto para o povo cair matando. É óbvio que pouca gente grava conversas. E mais óbvio ainda que amigos não gravam para depois dedar. Resultado: Linda conseguiu a unanimidade nacional em matéria de rejeição.
Paula Jones:
dinheiro em caixa
Ano bom para Paula Jones - ela terminou 1998 com US$ 850 mil na conta bancária e um nariz novo, tudo pago por Bill Clinton. Paula é a primeira de uma série de mancadas do presidente. Foi para ela que ele baixou as calças, quando ainda era governador de Arkansas, pedindo sexo oral. Paulinha fez a denúncia que descambou no impeachment. Mas, antes que tudo acabasse em pizza, ela conseguiu a indenização. No ano em que quase todos os envolvidos na baixaria perderam, ela foi uma das poucas a sair ganhando.
Entre músculos e cérebros
O personagem do ano da política americana, descontado os figurantes do escândalo Bill/Monica, foi um obscuro lutador de marmeladas, Jesse Ventura. O homem ganhou as eleições para governador do estado de Minnesota, alguma coisa como o Paraná americano. Ventura fez propaganda exibindo o corpo, os músculos - enfrentando o cérebro dos republicanos e o coração dos democratas. Ganhou de lavada. A mídia internacional tende a estereotipar o lutador, sem mencionar que ele já estava na política há 20 anos. Sua a carreira de lutador estava encerrada há 15 anos. 1999 é ano para acompanhar seu desempenho, porque o homem está de olho na Casa Branca.
Foiii!
Todo ano alguém casa, alguém se divorcia, alguém morre. Em 1998, o mundo perdeu Sharon Stone, casada para sempre, com um jornalista de São Francisco - para sempre quer dizer nos últimos anos de esplendor da musa, que entrou nos 40. Barbara Streisand também casou, mas ninguém deu bola. Macaulay Culkin, o garoto de Esqueceram de Mim, também juntou os trapinhos, mas, no caso dele, parece que foi só para sair da tutela dos pais, dois brigões. Falando em briga, adeus ao casal Demi Moore/Bruce Willis, até então uma legenda de estabilidade em Hollywood. O divórcio veio a jato, ele já tem outra. Morreram Linda, a mulher do Beatle Paul, e o velho e bom Frank, o Sinatra.
Na onda da Internet
Entre as pirações do ano, o nascimento do primeiro bebê via Internet. Os papais fizeram questão de mostrar aquele momento sublime para toda humanidade, ao vivo e a cores. Era sangue, placenta, aquela intimidade toda, e o mundo lá, olhando - pelo menos para quem tinha um modem e uma placa de vídeo no computador. Falando nestas máquinas que mudaram nossa vida, 1998 foi o ano em que elas baixaram dos mil dólares. Já tem PC por 500, em suaves prestações. Quanto ao futuro da Internet, é bom acompanhar 1999 adentro uma ação que corre nos tribunais de Washington do governo americano contra a Microsoft - nela, Bill Gates, o homem mais rico do planeta, está com seu reino ameaçado.
Paz?
Na política, vamos esquecer que 1998 viu avanços nos processos de paz entre árabes e judeus no Oriente Médio e, na Irlanda, entre católicos e protestantes á- qualquer hora as coisas por lá voltam a ser como tem sido há décadas. É bom prestar atenção no novo foco de perigo, surgido em dois terceiro-mundistas - os pobretões Índia e Paquistão aproveitaram 1998 para explodir suas primeiras bombas atômicas. Os dois mulambentos chegaram lá sem antes resolver o problema de comida do povão. Pensando do lado positivo: não podem alimentar a si mesmos, mas podem aniquilar um ao outro. Destaque do ano: a visita do Papa a Fidel Castro, alguma coisa como tentar o casamento de Frankstein com a Branca de Neve.
Titanic and El Nino
Se você não viu Titanic, na certa passou a maior parte de 1998 em Marte ou numa ilha deserta. O filme teve 2 bilhões de dólares de ingressos vendidos no mundo todo, recorde dos recordes, sucesso dos sucessos, com direito a 11 Oscars. Vapt-Vupt e Leonardo DiCaprio virou o homem mais cobiçado da galáxia, roubando o coração das teens. Mais avassalador do que o garoto-galã, só El Nino, no ramo da metereologia. Este fenômeno de nome engraçadinho causou tornados, avalanches, maremotos, aqueceu a terra - devastou países e matou muita gente. Seus efeitos ainda vão se fazer sentir em 1999. Olho nele.
Violência
Os americanos tiveram sua dose de horror em 1998. Só nas escolas, foram 15 mortos. Tudo a tiros, num esporte macabro cada vez mais comum entre adolescentes do Primeiro Mundo. No Texas, eles executaram a primeira mulher em décadas, Karla Tucker. Também condenaram à prisão perpétua o Unabomber, aquele maníaco que enviava bombas pelo correio. O ano não terminou para Eric Rudolph, o homem das bombas de Atlanta e das clínicas de aborto. Cerca de 300 agentes do FBI e da polícia da Carolina do Norte passaram o ano todo caçando-o, sem resultados. Ele passou o Natal escondido numa floresta perto de Washington. Virou personagem da maior caçada humana da história policial americana. Se for capturado, vai virar um bom assunto na resenha do ano de 1999.
POR AÍ & POR AQUI
Para terminar aí vai uma mensagem que a gente recebeu de Rinaldo Oliveira. Afinal, um ano novo está começando e é tempo de reflexões.
O Amor e o Tempo:
Havia uma Ilha onde moravam a Alegria, a Tristeza, a Vaidade, a Sabedoria, a Riqueza e o Amor. (Seria Manhattan?)
Um dia, foi avisado aos moradores que a Ilha afundaria.
Então os sentimentos começaram a partir.
Menos o Amor, porque queria ficar um pouco mais com a Ilha.
Até que, um dia, quando estava quase afundando, o Amor resolveu pedir ajuda.
Nisso vinha passando a Riqueza, e o Amor pediu:
- Riqueza, me ajude! Deixe-me ir com você!
E a riqueza respondeu:
- Não cabes no meu barco, Amor. Estou carregando muito ouro e muita prata.
E a Riqueza partiu.
Mas a vaidade vinha chegando, e o amor pediu:
- Leve-me no seu barco, Vaidade!
- Não posso, Amor. Você está todo molhado e estragaria meu barco.
A Tristeza veio logo atrás e o Amor, chorando, pediu:
- Tristeza, me ajude! Leve-me com você!
Mas a Tristeza disse:
- Não, Amor, estou tão triste que prefiro ir sozinha....
A Alegria também passou, mas estava tão alegre que nem ouviu o Amor chamar.
O Amor, quase sem esperança, soluçando baixinho, se espantou quando um
velhinho falou:
- Vem amor, eu levo você.
O Amor ficou tão entusiasmado que esqueceu de perguntar o nome do velhinho.
Chegando na margem segura, o Amor perguntou à Sabedoria:
- Quem era aquele bondoso velhinho que me ajudou?
A Sabedoria respondeu:
- O Tempo.
- Mas por que só o tempo me trouxe até aqui?
E a Sabedoria respondeu:
- Porque só o Tempo é capaz de compreender um grande amor...
Thanks pelas mensagens de Feliz Ano Novo
See you quarta again.
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