NOVA YORK POR AQUI
By Gilberto Smaniotto & Marinês Utteich




Arquivo pessoal

‘‘Campo’’, acrílica sobre tela de Mirian Oncken

Arquivo pessoal

‘‘Arbusto’’, acrílica sobre tela de Mirian Oncken

Reprodução

Furby, a corujinha que está deixando a garotada louca nos Estados Unidos, na capa do New York Post

The Metropolitan Museum of Art/divulgação

‘‘Nude’’ (Drying Herself), 1895 ou 1896, e ‘‘After the Bath’’, 1896 - foto e desenho de Edgar Degas

The Metropolitan Museum of Art/divulgação

Auto-retrato de Edgar Degas com Zoe Closier, 1895




ARTE
Mirian Oncken:
uma londrinense
mordendo a maçã
Antes de expor no Country Club de Londrina, em outubro deste ano, Mirian Oncken já tinha caído no gosto das galerias americanas. Ela foi convidada, em dezembro do ano passado, para uma exibição em Nova York, mesmo sem nunca ter mostrado o trabalho dela no Brasil.
Acontece que esta ex-corretora de imóveis, sempre que vinha para a Big Apple, não deixava de passar pelas galerias da cidade para ver as novidades. Um dia arriscou mostrar fotos das obras dela para a pessoa certa e o convite veio voando.
‘‘Na hora me assustei e pedi tempo para preparar um material novo para a exposição’’. Mirian pensou que precisaria no mínimo de um ano para criar algo especial, mas não demorou mais de dois meses e já tinha o material pronto para trazer para Nova York.
A mostra da londrinense, na Montserrat Gallery, (584 Broadway - fone 212 9418899 - Fax 212 274 1717 - SoHo), começou no sábado e vai até o Natal. Ela trouxe quatro dípticos, quer dizer, oito telas em acrílico que formam quatro obras.
Imagens repetidas
A artista tem como base de seu trabalho a repetição de uma imagem. Nas obras que está mostrando para os americanos, Mirian mistura figuras repetidas com partes do corpo masculino. ‘‘O uso de um elemento repetido é uma constante para mim, mas para esta seleção achei que faltava alguma coisa a mais. Tentei a presença da figura humana e deu certo. Consegui o efeito que esperava.’
Apostando no talento
Mirian não esconde a surpresa de estar aqui e admite que tudo aconteceu muito rápido. ‘‘Nunca pensei em trabalhar sério como artista. Sempre gostei de desenho, pintura, todo tipo de arte, mas nunca fiz um curso superior’’.
Ela decidiu só em 1995 que queria aprender o domínio de novos recursos e materiais. Fez alguns cursos em Londrina e entrou para o ateliê de Cláudia Rezende. Foi lá que começou a desenvolver uma técnica mais pessoal. ‘‘Para você ser artista não basta pegar o pincel e sair pintando. Tem de desenhar muito e praticar sempre’’.
Descobrindo um novo mundo
Mirian acredita que viver do trabalho de artista não é tarefa fácil. Diz que sabe que a maioria das pessoas que se dedica a arte tem um trabalho paralelo para poder sobreviver, mas está animada. ‘‘Expor em Nova York’’ para mim é minha maior conquista. O que vier daqui para frente é lucro. Meu próximo passo será alugar um ateliê e fazer da arte minha primeira profissão’’. Go ahead Mirian, and congratulations.
MILKSHAKE
Furby: brincadeira séria
Dois Natais passados a sensação para a criançada era o boneco Elmo. Lembra dele? Para este Natal entrou em cena o Furby. Parece uma coruja, fala em seu próprio dialeto e reage ao toque, luz e som.
Tem fila nas lojas para agarrar o bichinho. O preço normal era de US$ 25. Agora, por causa da grande procura, tem até lista de espera nas lojas, e o preço no câmbio negro vai de US$ 80 a US$ 300.
A mídia fez a festa e o Furby tem sido capa constante dos jornais, e revistas. Neste domingo, o New York Post resolveu contar um pouco do que está por trás do famoso brinquedo.
A reportagem ‘‘O Segredo Sujo do Furby’’, conta que enquanto os americanos brincam e se divertem com o bichinho, na China, onde são fabricados 90% dos brinquedos que vão para todos os cantos do mundo, foi montado um verdadeiro exército de homens, mulheres e até teenagers para garantir a produção dos Furbies.
Os funcionários da empresa Tiger Electronics, responsável pela criatura, estão trabalhando como loucos. Ganhando um salário mais louco ainda: US$ 20 por semana por oito horas por dia. Menos do que o preço de um só Furby. Só que nesta época de festas a jornada de trabalho passou para 14 horas diárias, sete dias por semana, com um acréscimo de US$ 0,25 para cada hora extra. Não é exagero?
Os bichinhos estão sendo fabricados desde o final de agosto. Até agora foram produzidos dois milhões de Furbies, 1 milhão e 100 mil a mais do que os Elmos no Natal de 1996. Enquanto os americanos se divertem, os chineses se matam trabalhando.
O boneco do prefeito
Se a idéia pegar, vai ter muita gente aí no Brasil fazendo o mesmo. Uma empresária nova-iorquina que odeia o prefeito Rudolph Giuliani, resolveu inventar o ‘‘Rude Rudy’’. Já pelo nome dá para ter uma idéia do que ela pensa do todo poderoso.
Rudy é o apelido do prefeito, e ‘‘rude’’ é estúpido, grosseiro. O bonequinho de 30 centímetros tem o rosto com barba por fazer e terno sujo. Até que a empresária foi generosa. A idéia inicial era fazer um boneco com nariz escorrendo e cera nos ouvidos. O bichinho, perdão, o boneco, custa US$ 15. Os Furbies que se cuidem, major Giuliani is coming.


Gorjetinha de fim de ano
Não são só as empresas que têm de pagar o 13º, ou o bônus de fim de ano. A tip, a famosa gorjeta, também fica mais gorda nesta época. É sinal de educação e quase obrigação, dar uma tip extra para quem presta algum tipo de serviço para os americanos. Um morador nova-iorquino além de gastar o olho da cara para morar em Manhattan tem que preparar o bolso para o extra de Natal.
Cada família deve desembolsar de US$ 25 a US$ 200 para cada porteiro do prédio. Isso vai depender do tamanho, do luxo do edifício e da simpatia do serviço.
Para o personal trainer, comum entre os ‘‘manhatenses’’, a tip é de US$ 50, mais um presentinho pessoal. Claro que também vai depender de como ele deixou seu corpinho nestes últimos meses.
Para o cabeleireiro, US$ 20 e um pequeno presente. Para o dog walker, a pessoa que leva o cachorrinho passear, US$ 25. O cães também precisam mostrar boa educação e dar um presentinho extra para o companheiro de caminhada, afinal o melhor amigo do cachorro em Nova York continua sendo quem o leva passear bem longe dos minúsculos apartamentos onde vivem.
Garçons na guerra da gorjeta
Num restaurante argentino na Rua 46, a rua dos brasileiros, os garçons não dão mole. Um grupo de turistas deixou US$ 10 como gorjeta. O garçon não gostou e saiu na rua atrás dos fregueses gritando em espanhol que a gorjeta era de 15% e não de 10%. Foi tudo em alto e bom som. Os turistas brasileiros ficaram envergonhados com a atitude do garçon, mas resistiram. ‘‘A gorjeta é opcional, e pelo seu atendimento nós deveríamos é não deixar nada’’. Os turistas têm razão, mas os garçons, aproveitando o movimento de fim de ano, estão atacando literalmente e tentando intimidar os clientes. Be careful.
MUSEU
O fotógrafo Edgar Degas
O lado desconhecido do pintor Edgar Degas (1834-1917) está em exibição no Metropolitan Museum até 3 de janeiro. É uma exposição rara de 40 fotografias do artista, nunca antes vistas juntas, acompanhadas de um pequeno número de pinturas, desenhos e monotipos.
Edgar Degas já era um pintor famoso do século 19 quando passou a se interessar por fotografia. Há quem diga que a morte de Marguerita, irmã do artista, e de alguns amigos pessoais, o levaram para esse caminho.
A noite como desafio
As fotos de Degas são, na maioria, auto-retratos, retratos de amigos e estudos. Ele aproveitava o jantar na casa de conhecidos para transformar o encontro em sessão fotográfica.
Entre o material exposto estão um auto retrato dele junto com Zoe Cloiser,uma espécie de faz tudo para o artista, a foto de uma modelo nua, de costas, que foi usada como base para o trabalho em pastel After the Bath, de 1896, e o negativo da foto de uma dançarina em sombras nas cores laranja e vermelha, efeito provavelmente acidental, também usado em dezenas de outros desenhos do final de 1890.
Não se sabe toda a extensão e caráter do trabalho fotográfico de Degas. O que é conhecido é que o artista gostava de fotografar à noite. Ele costumava dizer que à luz do dia tudo era muito fácil. O que ele queria era o difícil, como capturar a atmosfera das lâmpadas e do luar. Tudo isso 100 anos atrás.


Gilberto SmaniottoPOR AQUI & POR AÍ
Para terminar: um pinheiro que canta pode ser visto no Seaport, no Pier 17, sul da ilha de Manhattan. Todos os anos, nesta época, 45 pessoas de um coral nova-iorquino se apresentam em forma de pinheiro. Eles estão vestidos de verde com gorros e cachecóis vermelhos. As músicas natalinas atraem os engravatados que trabalham na região e os turistas que passeiam pelo local.
See you quarta again. Bye Bye
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