NOVA YORK POR AQUI
By Gilberto Smaniotto & Marinês Utteich




Reprodução

Reportagem da revista Pulse sobre a brasileira Virgínia Rodrigues

Divulgação

Os 50 anos do New
York City Ballet
devem render uma
boa agenda cultural

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‘‘Museums New York’’: um bom companheiro
para o turista e ainda cupons
de desconto para vários museus

Arquivo Folha

Thor Alex, o pára-quedista maluco, está de olho nos arranha-céus da Big Apple



VIRGÍNIA RODRIGUES
Conquistando a América
Quando recebemos o convite da Sony Music para assistir à gravação de um especial da baiana Virgínia Rodrigues para o programa Section West 54, do Channel 13, o canal público de Nova York, ficamos na expectativa, afinal, nunca tínhamos ouvido falar dela.
Amigos que vivem aqui há muito tempo também não sabiam nada da cantora. Um recém-chegado foi logo avisando: ‘‘ela é ótima, uma revelação na música brasileira, e é ‘afilhada’ de Caetano Veloso e protegida de Milton Nascimento.’’ Até na Pulse de outubro, a revista da Tower Records, uma das maiores redes de lojas de discos dos Estados Unidos, ela foi elogiada, com direito a foto com Caetano e Milton. O New York Times já fez comentários belíssimos sobre a diva brasileira.
Atenção: gravando
Sala pronta, convidados sentados, câmeras ligadas e nós ainda sem saber de nada. O programa é superintimista. Nada de palco ou grandes produções. Estava mais para rodinha de samba na casa de amigos, com cadeiras em círculo e no centro um espaço para os músicos. Quase todos os convidados eram americanos.
Soltando a voz
O apresentador David Bwrne chamou nossa baiana Virgínia Rodrigues e os cinco músicos. Eles chegaram tímidos. Sem dizer uma palavra sequer ela largou a voz. Foi o suficiente para impressionar. A meio-soprano, com sua fusão de hinos religiosos com ritmos afro-brasileiros, samba gregoriano como chamam por aqui, agradou aos americanos da gema, inclusive nós brasileiros do pedaço. Delírio total.
Aos poucos Virgínia foi se soltando. A medida que sentia o calor e carinho do novo público, que mesmo sem entender o que estava sendo cantando tentava repetir algumas palavras, foi se pondo mais à vontade. No final do show se despediu com charme. Foi dançando até sumir do cenário. Sinceramente não esperávamos um show desta qualidade.
Virgínia está pensando em fazer um tour pelos Estados Unidos ainda neste outono. Se ela tinha alguma dúvida sobre a aceitação da sua música por aqui, pode relaxar e pôr o pé na estrada. Duas companhias estão brigando para lançar seu novo CD. Com certeza a baiana que ganhava a vida limpando casas e trabalhando como manicure vai poder mostrar ao mundo o vozeirão que tem cantando músicas como ‘‘Verônica’’, o clássico de Velô, Ary Barroso, Luiz Bonfá e Dorival Caymmi e ‘‘Querubim’’, escrito por ela e por Carlinhos Brown. Good luck.
MILKSHAKE
Pára-quedas na Big Apple
Se por um lado a recomendação é para não ficar de boca aberta e de olhos voltados para o topo dos grandes edifícios para nenhum engraçadinho passar a mão no seu bolso, por outro preste atenção: um maluco anda pulando de pára-quedas dos edifícios mais altos de Manhattan. Ele anda desafiando a polícia e os seguranças dos edifícios. Por isso é bom ficar de olho lá em cima.
Na terça-feira passada ele saltou do 61º do Chrysler Building, o edifício de 77 andares com sua coroa brilhante. Caiu no meio da rua, em meio ao movimento de carros, ônibus e gente por todos os lados. No sábado anterior, desafiou o mundo, e conseguiu chegar no observatório do Empire State Building, o prédio onde, em 1933, o King Kong escalou para se defender dos ataques de aviões militares. Entrou no Empire com o pára-quedas na bolsa, foi se preparar no banheiro, antes de se jogar do 86º andar. Salto perfeito.
Um desafio ainda maior
Ninguém sabe o nome completo do maluco, mas ele é conhecido por Thor Alex. Assim que toca o chão, entra num táxi e desaparece. O corajoso, de 32 anos, quer ir além. Pretende se jogar do 110º andar do World Trade Center, as torres gêmeas. Ele admite que o desafio vai ser grande. Foi lá que, em 1996, explodiu a bomba que matou 6 pessoas e feriu centenas. Por essas e outras a segurança do edifício é rígida. Mas não custa tentar. Em julho deste ano Thor pulou da Torre Eiffel, em Paris. Brave man.
Halloween
Mais de 30 mil pessoas desfilaram no Halloween Parade do Village. Quase dois milhões de nova-iorquinos e turistas, mesmo com o frio, estavam lá assistindo e brincando de horror. A festa também se tornou palco para os políticos que buscavam votos. Ontem, os americanos foram às urnas para escolher os governadores, e os senadores. Em meio aos fantasmas, gente desengonçada e bichos que assustam qualquer um, também teve protestos de ambientalistas para salvar as matas do mundo todo. Eles são craque nesse tipo de protesto.


Brasileiros deportados
As estatísticas são de outubro de 1997 a março de 1998. Neste período, o Serviço Nacional de Imigração deportou quase um brasileiro por dia. Dos 140 que foram expulsos dos Estados Unidos, 55 tinham cometido algum tipo de crime no Brasil ou se envolveram com drogas nos Estados Unidos. Agora resta esperar para ver a estatística completa, que sempre vem com um ano de defasagem. Deve ter muito mais gente sendo expulsa do país. So hard.
Bate-papo pela Internet
Você já fez amigos num chat da Internet? E o que eles te perguntaram antes de fechar acordo para uma conversa maior? Aqui o negócio é sério. Idade, peso e altura são informações fundamentais para os nova-iorquinos levarem a conversa adiante, mesmo que só para fazer amigos. E tem ainda aqueles que vêm com a conversa de 9% body fat...Que coisa... dar a medida de gordura do corpo é exagero. Vai ser amigo assim na academia mais próxima de sua casa. American’s life.
ANOTE NA AGENDA
New York City Ballet
Mais de cem espetáculos vão ser apresentados no Lincoln Center para comemorar os 50 anos do New York City Ballet. O New York State Theater abre suas portas oficialmente dia 24 de novembro e só vai fechar dia 27 de junho de 1999.
Para começar, a primeira apresentação será um revival do que foi criado um dia por George Balanchine e Lincoln Kirstein. No dia 11 de outubro de 1948 o New York City Ballet apareceu nos palcos para começar a sua carreira de sucesso. Seus criadores queriam uma companhia americana com o mesmo respeito e tradição do Balé Imperial Russo.
Imperdível
Na agenda tem ‘‘O Quebra-nozes’’, que vai ficar em cartaz de 27 de novembro a 3 de janeiro. Uma temporada exclusiva para a montagem ‘‘O Lago dos Cisnes’’ será de 29 de abril a 9 de maio. Ainda no programa dos 50 anos do New York City Ballet tem homenagens aos compositores Ravel, Chopin, Stravinsky, Brahms e uma retrospectiva dos melhores espetáculos da casa.
(New York City Ballet - 20 Lincoln Center - Fone: 212 870 5570 ou 800 580 8730. Ingressos variam conforme o espetáculo. Geralmente custam de US$ 10 a US$ 80).
Guia dos museus
Quer saber tudo o que está acontecendo nos museus de Nova York? A dica é comprar o ‘‘Museums New York’’. O guia deste outono também traz as exposições que vão estar pintando no final de ano e o início de 1999. São 208 páginas de muita informação, e ainda cupons de descontos para o The Whitney Museum of American Art, Guggenhein Museum SoHo, MOMA, International Center of Fotography, The Jewish Museum e nas lojas e restaurantes destes locais. Com alguns cupons também dá para visitar free muitos outros museus. Good idea.
(O guia ‘‘Museums New York’’ custa US$ 3,95).




POR AQUI & POR AÍ
Arquivo Folha


A diferença de horário entre o Paraná e Nova York aumentou. Depois que nós por aqui atrasamos nossos relógios em uma hora, esperando a chegada do inverno, e vocês por aí adiantaram o de vocês para dar boas-vindas ao verão, nossa diferença agora é de três horas. Vocês estão sempre na frente. Vão ter ceia de Natal primeiro e vão chegar em 1999 antes. Tomara que dê uma reviravolta e o Brasil também consiga, nessa diferença de horário, sair da crise antes do esperado.
See you quarta again, bye.
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