NOVA YORK POR AQUI
By Gilberto Smaniotto & Marinês Utteich




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Roberto Blois: o brasileiro é novo vice-secretário-geral da UIT

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Minneapolis e uma das pontes que ligam a cidade a St. Paul

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Centro de Minneapolis

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Outono na cidade. Isn’t it great?

Gilberto Smaniotto

Um fantasminha entre os arbustos avisa que é Halloween

Gilberto Smaniotto

A paisagem é um colírio. Existe coisa mais bonita?



From New York
to Minnesota
Nova York Por Aqui saiu por aí na semana que passou e visitou Minneapolis, no Estado de Minnesota. Tarefa: ver o que tem de novo no mundo das telecomunicações e registrar a escolha do primeiro brasileiro a participar de uma diretoria da UIT - União Internacional das Telecomunicações.
Mais de 1.600 delegados e cerca de 200 países continuarão reunidos até o dia 6 de novembro. O encontro pode ser chamado de ‘‘Copa do Mundo’’. A bola em jogo: um cargo na entidade e os novos rumos do setor que tem hoje o maior índice de crescimento na economia mundial - de 10 a 12% ao ano.
O brasileiro Renato Blois foi eleito vice-secretário-geral. Ele conseguiu uma façanha: venceu as preliminares contra Itália e Áustria e foi para as finais com o Reino Unido. Ficou com 96 dos 150 votos válidos. Um resultado fantástico. Foi comemorado por todos os países e fez um discurso emocionado: ‘‘Comunicação e coordenação, cooperação e consenso são as palavras de ordem para o novo milênio’’, avisou.
What is UIT?
A UIT tem como tarefa criar as regras, as normas das telecomunicações. Em outras palavras: quando você usa o telefone, a Internet ou vê televisão, tudo está funcionando seguindo as normas de radiodifusão. Se não existisse um órgão regulador, seria uma bagunça. Os sistemas dos diferentes países não funcionariam entre si e até na hora de cobrar a conta seria um caos total.
É a primeira vez que um brasileiro consegue um cargo na entidade. Só na década de 50 um latino-americano foi escolhido para a diretoria da UIT. Chegar lá não foi fácil, mas o currículo de Roberto Blois agradou. Dos seus 47 anos, 25 foram dedicados ao campo das comunicações dentro e fora do Brasil. Ele trabalhou no Ministério das Comunicações e atualmente ocupa a secretaria-executiva da CITEL - Comissão Interamericana de Telecomunições, um órgão ligado a OEA.
Para o presidente da ANATEL, Renato Guerreiro, a escolha de um brasileiro é uma demonstração de confiança que o mundo tem no Brasil. ‘‘Somos vistos hoje como um país competente, capaz de ajudar o mundo a se desenvolver nos mais diversos setores’’, comemora.
And what about Minneapolis?
Calm down!!! Minneapolis também é calma, demais. Ela e Saint Paul, ligadas através de pontes, são chamadas de ‘‘Twin Cities’’. O turismo ecológico é a sensação. Os lagos são as grandes vedetes, tanto que a região é também conhecida por ‘‘Terra dos dez mil lagos’’. Os geólogos acreditam que as últimas mudanças glaciais ocorreram nesta área há 12 mil anos, dando um novo visual à paisagem.
Por ali também passa o Rio Mississippi. Os patos pretos já estão se despedindo com a chegada do inverno. Daqui a alguns dias eles voam em retirada para lugares mais quentes. É um espetáculo. O outono cobre a cidade de tons dourados e avermelhados, e as casas da região já estão enfeitadas para o Halloween, a festa das bruxas.
Minneapolis dos famosos
Minneapolis é limpa, muito limpa, não tem nada fora do lugar. Na área metropolitana das cidades gêmeas vivem 2 milhões e 600 mil habitantes, mas a gente nunca sabe onde eles estão. Nada de multidões pelas ruas e os ônibus circulam por um corredor próprio. Não existe metrô, o carro é o veículo oficial. Os skyway, corredores fechados por vidros construídos em cima das ruas da cidade, levam as pessoas de um edifício para o outro, cortando caminho e evitando o gelo acumulado nas calçadas durante o inverno.
O Estado de Minnesota abriga companhias financeiras, de seguros e a indústria de cuidados com a saúde, que juntas ocupam o quinto lugar na lista Fortune 500.
De lá, vieram os músicos Bob Dylan e Prince, as atrizes Jessica Lange e Winona Ryder, e o escritor F. Scott Fitzgerald. A produção de TV é uma das melhores do planeta. Estudantes de comunicação têm um canal aberto para seus programas. Os educativos são de excelente qualidade. Por outro lado, falta telefone nas ruas, mas os que existem aceitam cartões de crédito. Parte-se do princípio de que todos usam celular. O passatempo local é o América Mall (shopping center). É o maior dos Estados Unidos, com mais de 400 lojas, 25 restaurantes e um parque de diversões a 10 milhas da cidade. É um monstro.
Regras seguidas à risca
Se pedir uma informação na rua para os minnosetanos, eles são capazes de levar você ao local. E quando diz que vem de Nova York, haja Deus. Querem saber todos os detalhes da Big Apple. Perguntam de tudo. E é um wow para cá, e um wow pra lá, de espanto. É um misto de ódio e de amor pela Gothan City. Nova York para os outros americanos não faz parte dos Estados Unidos, foge à regra e desafia costumes e tradições. Todos querem experimentar, mas poucos se aventuram.


Olhos
nos
olhos
O que chama a atenção em Minneapolis é que as pessoas olham umas para as outras, coisa que não acontece em Nova York. Ficam realmente encarando, na cordialidade, é claro. No aeroporto, enquanto escrevíamos a coluna, era impressionante como nos olhavam. Na verdade parece que eles estão fazendo uma leitura do seu tipo. Depois de três anos em Nova York, não estamos mais acostumados com isso.
Uma garota de uns 20 anos nos cumprimentou. Ela é de Fargo, uma cidadezinha americana que virou filme. Lembram? Em Minnesota, eles se apresentam. É fantástico. Em Nova York se te olharem é porque querem sexo. Ela vai mais longe, depois de uns 10 minutos de conversa, aceita trocar e-mails. Coisa de outro mundo. Se trocar e-mail em Nova York, com estranhos na rua, ou querem te matar via Internet ou querem cybersex. Crazy life.


Sex: a big deal
E falando em sexo, afinal os americanos são ou não são conservadores? São, na frente das câmeras e nos discursos em família. Não são, no escuro ou com boné na cabeça. Minneapolis não tem muitos atrativos para o turista, mas tem um local reservado para quem tem fantasias.
Acabaram de inaugurar um sex-shop de última geração. São três andares com bonecos infláveis pendurados nas paredes e no teto. Cabines com mulheres ao vivo se engraçando para levar seus centavos. Tudo o que você possa imaginar e ainda mais, num clima futurístico, com muitos desenhos nas paredes e objetos para seu desejo.
Quando a porta do elevador se abre, todos baixam a cabeça. Tem dos jovenzinhos, maiores de 21, aos mais velhotes, acima dos 70. E que tal famílias inteiras num tour pela zona do prazer. Todos de bonezinhos para ninguém reconhecer. Ali, ao contrário das ruas, ninguém se olha e nem cumprimenta. E se um conhecido viu o outro, a música é tão alta que ninguém vai parar para conversar. Amanhã é um novo dia e o assunto vai ser as folhas amareladas do outono americano.


Depois da
meia-noite tudo
se transforma
Bebida alcoólica em Minneapolis só para maiores de 21 anos e até uma hora da madrugada. Menores nem entram nos bares da cidade. Um cartaz mais do que interessante está afixado nas paredes. Avisa com riqueza de detalhes que beber tem limite. ‘‘Atenção: Primeira chamada 12h20. Segunda chamada, 12h30. Terceira chamada, 12h45. Às 12h55 por favor entreguem todos os copos, taças e garrafas para nossos garçons.’’
As chamadas são para lembrar os bebuns que eles ainda têm um tempinho para terminar a bebida. Não é fantástico o detalhe da informação? Resultado: depois da uma hora da madrugada, a bebida oficial de Minneapolis é a garrafinha de água, com preço duplicado, afinal é madrugada. Os bares nunca ficam abertos depois das 2 horas da manhã.
De volta à Big Apple
Halloween
Dia 31 é Dia das Bruxas. Nos Estados Unidos, tem festa em todos os bares, restaurantes e onde você possa imaginar. Mas é nas ruas do Village que o desfile do horror reúne quase 2 milhões de pessoas. Elas vão vestidas de bruxas, monstros e fantasmas.
A catedral St. John the Divine, a maior igreja gótica do mundo quando concluída, também faz uma festa de horror. É no dia 30, com esqueletos e aranhas subindo as paredes, e fantasmas se movimentando de uma torre para outra. O filme ‘‘Fantasma da Ópera’’ também vai ser exibido nesta noite. A música é tocada ao vivo pelo organista Lee Erwin. O diretor da brincadeira em plena igreja católica é Ralph Lee, famoso por criar e dar vida a bonecos e marionetes. (Fone: 212 662 2133. Preço do ingresso: US$ 12).
Swan Lake
Uma versão moderna e provocativa do balé clássico o Lago do Cisne está na Broadway. Mas esqueça as bailarinas delicadas com seus saiotes de plumas brancas. O cisne do coreógrafo e diretor britânico Matthew Bourne, 38, é um homem atraente, de peito nu e calças de plumas.
Os personagens continuam os mesmos: uma rainha poderosa, fria e indiferente, um príncipe fraco e solitário, carente pelo amor materno, que se apaixona por um cisne encantado. Ele ainda jura amor eterno ao cisne na esperança de quebrar o encanto e continua sendo seduzido e enganado pela versão maquiavélica do bichinho.
O que Matthew fez foi transformar o conto de fadas num bem-humorado e divertido talk show do século 20, passado na corte real britânica. Pode não ser tão profundo como a versão de 1895, mas com certeza divertiria até Tchaikovsky.
A peça estreou em Londres em 1995 e no ano passado foi para Los Angeles. Em Nova York o espetáculo fica em cartaz até 24 de janeiro. Os ingressos vão de US$ 20 a US$ 75. O próximo trabalho do coreógrafo será uma nova versão para o conto de Cinderela. (Swan Lake, Neil Simon Theater, 250 West 52sd Street. Fone: 212 307 4100).
MILKSHAKE
Survivors
Novembro marca os 60 anos de aniversário do Kristalnacht, o começo da perseguição dos judeus pelo nazismo alemão. Na esperança de que este horror não se repita, a Shoah Foundation, do cineasta Steven Spielberg, lançou um novo CD-ROM interativo chamado ‘‘Survivors’’ - os sobreviventes.
O CD-ROM foi testado semana passada numa escola de segundo grau de Nova York. A intenção é ensinar para os jovens a história do Holocausto, não através de livros ou professores, mas através daqueles que viveram a tragédia na própria pele. Em breve o CD-ROM estará em todo mercado americano.
Spielberg reuniu centenas de testemunhos dos sobreviventes. Os depoimentos foram feitos durante e depois das filmagens de ‘‘A Lista de Schindler’’ e tem Leonardo DiCaprio e Winona Ryder como narradores.




POR AÍ & POR AQUI




Gilberto Smaniotto
Como as bruxas estão soltas pela cidade, aí vai um registro do que aconteceu com esta voadora espertinha, quando ela tentou nos assustar em Minneapolis. Na onda de todos olham para todos, de tanto nos encarar ela acabou batendo de frente na árvore. Poor girl.
See you quarta again. Bye Bye
E-mail: [email protected]

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