Nova York Por Aqui
By Gilberto Smaniotto & Marinês Utteich




Gilberto Smaniotto

Em Nova York o que não falta é diversão e, com a alta do dólar, brasileiros ainda têm opções baratas

Gilberto Smaniotto

Mãe e filho se divertem fazendo fotos nas lojas de brinquedos



Operação resgate





Fotos de Gilberto Smaniotto mostram o resgate que os bombeiros fizeram de bebês gêmeos durante o incêndio de um prédio em Nova York: a notícia foi dada em todos os jornais com final feliz



Nova York da economia
Depois que o real foi desvalorizado, deixar o Brasil se tornou uma aventura cara. Acostumados com a paridade do dólar, agora, gastar no exterior significa o dobro do que estava planejado. Mas acredite, Nova York tem opções para quem não quer desembolsar muito. Se o negócio é se divertir sem deixar na Big Apple os ‘‘olhos da cara’’, anote algumas dicas de cultura e lazer e divirta-se.
Roteiro apimentado
Nem o friozinho é capaz de impedir uma boa caminhada pela cidade. É de graça. A cada esquina uma atração. Em Times Square você vai se divertir com tanta gente diferente querendo mostrar o que sabe fazer para os turistas do mundo todo. É um grande circo. Tem o desenhista de rostos, o artista new age que desliza o pincel nas telas de acordo com o ritmo da música, o russo que anda com cobras no pescoço de um lado para o outro. O cachorro e o gato posando para fotos garantindo uns trocados para o ‘‘chefe’’ deles. O tocador de gaita, de violão, de guitarra, de bumbo. O grupo de Rap ou de Rock. Ufa! de onde eles tiram tanta energia. Todos ali são artistas anônimos e precisam sobreviver.
Na trilha das atrações
Para começar, nada melhor do que ir à uma banca de jornal e comprar a revista Time Out New York, US$ 2,50. São 80 páginas do que você pode fazer durante a semana toda. Teatro, filmes, shows, museus, galerias, bares e aí por diante. Há muitas atrações que não custam nada. Também pode ser a revista Where, com a vantagem de que é grátis e distribuída em todos os hotéis. Outra opção é o guia Museums New York, que mostra tudo o que está rolando nos museus e ainda, entre as mais de 200 páginas de informações, tem cupons de desconto ou passes para alguns museus. A revista custa US$ 3,95.
Vaivém por US$ 17
Se estiver muito, muito frio para caminhar o tempo todo pela cidade, chegue mais rápido usando o Subway. Compre um Metrocard de US$ 17 e passeie de metrô ou ônibus a semana inteira quantas vezes quiser. Peça ‘‘a Metrocard for a week’’ e vá em frente.
Se quiser passar só um dia andando ‘‘pra lá e pra cᒒ invista no Metrocard de US$ 4, vendido só em bancas de jornais. Ele vale por 24 horas, sem limite de uso. Uma única passagem de metrô em Nova York custa US$ 1,50. E ainda tem mais, o Metrocard de US$ 15 dá desconto de 25% na hora de comprar um ticket para alguns shows da Broadway.
Free Tours
Também cheque os tours gratuitos que acontecem pela cidade. Para conhecer melhor a Grand Central, agora de cara nova, é só ir todas às quartas ou sextas-feiras, ao meio-dia, em frente ao prédio do Witney Museum, na esquina da 42nd Street com a Park Avenue. Um especialista mostra todos os detalhes da estação, por dentro e por fora. Outro tour conta a história da região.
Galerias
As galerias de arte do SoHo e Chelsea também são um bom passatempo. Arte, cultura, informação e lazer sem custo algum. Falando em informação, o Newseum, Museu de Fotojornalismo, na 580 da Madison Avenue, entre a 56th e 57th Streets, também é de graça. Além das exposições você pode assistir a vídeos e palestras sobre o que já aconteceu e o que está acontecendo no mundo. Neste mês você pode saber mais sobre o Tibet, e os bastidores da moda.
Criança feliz
Para a criançada, o negócio é visitar as lojas de brinquedos. Verdadeiros paraísos. Tem tudo o que você possa imaginar. Se a onda é economizar, apalpe, brinque, jogue, mate a curiosidade na loja mesmo e depois convença seu filho que não vai ser dessa vez que você vai comprar. Parece piada, mas só depende de você. As mais concorridas são a FAO Schwarz, na Quinta Avenida com a Rua 58, a Warner Bros, Quinta Avenida com 57, e a loja da Disney, Quinta Avenida com 55. Aproveite e tire aquela foto com cara de brincadeira. Você só vai gastar o filme. Se o filhinho insistir para levar alguma coisa, saia correndo da loja e vá para a Rua 34, onde os brinquedos podem não ser os mesmos mas sempre tem alguma coisa para eles a preço de banana.
Mãeeee. Está tudo bem por aqui
Quer mandar um e-mail para a família contando como estão indo suas férias? É mais em conta do que falar por telefone. Vá até a Times Square Visitors Center, que fica em Times Square, em frente ao quiosque da TKTS, que vende tickets com desconto para os shows da Broadway. Lá você pode usar um dos 6 computadores para acessar seu e-mail. É bom ter uma conta no Hotmail ou Yahoo que são de graça. No Visitors Center você também vai ter todo o tipo de informação sobre o que rola na cidade, sugestões do que fazer, e ainda uma máquina de câmbio que troca seus reais por dólares.




Um prédio de histórias
Para quem curte arquitetura, dê uma olhadinha no prédio do Times Square Visitors Bureau, que fica na 1560 da Broadway entre a 46th e 47th streets. O prédio histórico do Embassy Theatre foi construído em 1925, tombado em 1987 e recentemente restaurado. Os gastos chegaram a US$ 1 milhão. Em estilo Luís XV, ele era da Metro Goldwyn Mayer, que transformou o local num cinema para a alta sociedade. Foi o primeiro e único cinema administrado por uma mulher e todos os funcionários também eram mulheres entre 17 e 21 anos. Os requisitos eram inteligência, dentes brancos e saber usar roupas com dignidade.
Coisas de um inverno nova-iorquino
O pior é o fogo
Só fomos entender por que os firefigters (homens do Corpo de Bombeiros), saem em calendário de homens pelados nos Estados Unidos, porque estamos morando aqui.
Acontece que o que tem de bombeiros na cidade não é brincadeira, e o que tem de incêndios rolando todos os dias, não dá para acreditar. Entre um e outro, milhares de americanas se apaixonam pela valentia dos corajosos.
Nossa amiga disse que seria capaz de manipular um incêndio em casa só para um bombeiro americano fortão invadir o apartamento dela. A moça parece não estar brincando.
Ela não mora na frente do nosso prédio, mas lá deve morar uma outra louca por bombeiros. Foram mais de 10 pequenos incêndios num mesmo lugar, em menos de um mês.
O prédio pode entrar para o Livro dos Recordes. Toda semana a gente ouve uma sirene e pode contar. É lá de novo. Quando tudo está calmo, temos a sensação de que deixamos Nova York.
Nossa vez
No Natal deste ano elas soaram a todo o vapor em frente ao nosso building, e nós, acostumados com este terrível som, nem fomos na janela para ver de onde vinha o fogo.
O prédio que sempre queimava era o da frente, mas desta vez o nosso estava fervendo. Ele tinha que entrar na lista dos que já tiveram um pequeno incêndio, porque Nova York queima no inverno.
Dentro de casa a calefação geral é de assar miolos. E assa sempre alguma coisa mais. As intalações dos antigos prédios em Manhattan são do tempo da vovó Joana.
E o nosso incêndio?
By the way. Voltando ao nosso pequeno incêndio. Só deu para notar quando as gatas entraram chorando para o quarto. Gatinhas também choram. E fumaça anda como carro de Fórmula 1. Do primeiro andar até alcançar o 16º foi uma arrancadinha.
Os bombeiros pediam calma. A vizinhança já acostumada com tragédias ia pegando a carteira e o livro de cabeceira com a maior naturalidade. Estavam esperando os bombeiros heróis. Alguns se negavam a sair de casa sem passar perfume. Incêndio sim, mas em alto-astral. Primeiro os gatos e cachorros, depois a gente. Eles são os dodóis dos bombeiros.
Salve-se quem puder
Mas a correrria não foi geral. O prédio quase virou fogueira de São João porque o nosso pinheiro de Natal foi mal instalado. Queimou o hall de entrada todinho. Uma despesa de US$ 20 mil. Mas agora como vai ser nosso Natal sem pinheirinho? Perguntava uma vizinha triste. Nem sequer se deu conta que nós é que tínhamos que pagar a conta.
Aliás, é nesta semana que o prédio se reúne para fazer o calendário dos gastos do segundo semestre. Há um passo do milênio, o assunto da reunião com certeza vai ser, de novo, o tamanho do pinheirinho de Natal. Os americanos são detalhistas demais para o nosso gosto.
Mas por que o assunto?
Porque um outro prédio, há dois quarteirões de casa, virou a sensação de Nova York esta semana. Ele pegou fogo, mas as chamas só foram coadjuvantes de uma bela história.
Pouco antes do meio-dia, percebemos da nossa janela que estávamos dentro de uma bolha de fumaça. A veia jornalística falou mais alto. Corremos. E aí vimos por que os bombeiros sempre vão ser heróis. Rápidos, precisos e é claro de olho nas oportunidades.
O prédio queimava lá atrás, e eles precavidos, faziam de tudo para salvar um casal de gêmeos lá na frente. Para o fogo alcançá-los era preciso mais de uma semana. Mas as escadarias todas foram direcionadas para o apartamento dos gêmeos.
Com a nossa câmera, deu para registrar detalhe por detalhe do trabalho dos heróis, e de como o marketing é grande para eles aparecerem. É bom dizer que estávamos em apenas dois fotógrafos e um cinegrafista quando o fogo começou, e os bombeiros se foram para a janela dos recém-nascidos. Começava mais um capítulo na história dos Super-homens.
O milagre dos gêmeos
Eles estão bem obrigado. Isabella e Jacob Kalodner de 6 meses viraram a sensação do incêndio e o bombeiro Matt Barnes, 35, o herói nacional. Ele abraçou os bebês entregues pela mamãe Kalonder pela janela do oitavo andar do prédio.
Entre o final da escada e a janela tinha um espaço gigante. O jeito do herói foi se equilibrar e ter todo o cuidado do mundo para não deixar as crianças caírem.
Esta semana a mãe dos pequenos escreveu uma carta de agradecimento ao bombeiro que salvou a vida deles. Na carta dizia que se os gêmeos pudessem falar, com certeza diriam duas vezes Thanks my hero.


Por Aqui & Por Aí
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See you then. Bye.

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