Nova York é aqui!
Maria Tereza Prieto
Ufa! Quatro anos de Plano Real, inflação mínima, abertura quase que total no comércio. E o brasileiro, que não tinha acesso à quase nada no mundo lá fora, salvo os muito abonados, começou a conhecer novos produtos que chegavam e a viajar para comprar. Nunca a classe média foi tanto ao paraíso. Comprou-se de tudo: carros, tecidos, vinhos, massas, e o que me interessa nesse assunto todo: roupas. Houve um deslumbramento, uma euforia, que acho que levou a um certo engano - tudo que é importado é bom e barato.
Certo? Não, totalmente errado! O que é bom, com produção especial e limitada, é caro em qualquer lugar do mundo. Aí, vem aquele papo: em New York, compro um vestido por R$ 60,00. Mas onde? Na Express, ou na Banana Republic, ou pior ainda, entre as Ruas 30 e 36. Ou num Outlet, que tem coleções antigas, totalmente fora de tudo. Queria ver uma comprinha baratinha assim, entrando numa Gucci, numa Barneys, numa Bergdorf Goodman, num Calvin Klein.
Barato por barato, aqui também temos: C&A, shoppings populares, tem o Bom Retiro, que te juro, tem coisas mais legais e mais baratas que em New York. Principalmente verão, não tem país que bata o Brasil em moda verão.
Tudo o que é novo confunde um pouco. Acho que logo a brasileira vai começar a perceber estas diferenças. Vai ver que aqui também tem roupa para todo tipo de bolso, e não é por isto que ela vai estar menos elegante. Hoje, temos todos os tipos de lojas e shoppings - populares, médios, caros, maisons. O que vai definir a opção de comprar é o valor que cada um dá para roupas e a condição de gastar mais ou menos.
Um bom exemplo disso está na revista americana Marie Claire de julho, já circulando nos Estados Unidos. Uma reportagem mostra entrevistas com três mulheres de faixas etárias, profissões e salários distintos e como elas empregam seu dinheiro, quando o assunto é moda.
A primeira, solteira, salário anual de US$ 25 mil, 22 anos. Adora fazer compras, não só o que precisa, mas o que gosta e lhe chama a atenção. Pode chegar a gastar mais de US$ 900 por mês, mas sempre coisas baratas. Seria o correspondente a que, em Curitiba? Uma secretária executiva, com salário de R$ 2 mil, que poderia comprar tudo isto em lojas como Makenji e Triton.
A segunda, 31 anos, solteira, organizadora de eventos, salário anual de US$ 70 mil. É compradora compulsiva e assumida. Ela compra coisas mais caras em lojas exclusivas. Chega a gastar US$ 2.726 por semana. Seus pais acham até que ela tem algum problema. Bolsa Fendi, por US$ 425. Um sweater na Barneys por US$ 225, um par de sapatos Gucci por US$ 325. Como você vê, nada tão baratinho assim, não é?
O último exemplo, uma investidora bancária, casada, 28 anos, salário anual de US$ 100 mil. Passa meses sem comprar, mas quando compra, é o que precisa, e só coisas boas, Calvin Klein, Gil Sander, Ralph Lauren e Prada. Aí, gasta US$ 2.700 num vestido, US$ 400 num sapato, US$ 800 numa bolsa.
Ora bolas, e vêm me dizer que New York é baratíssima? Aqui, temos tudo isso, só que sem ter que andar tanto, com atendimento personalizado, sem fazer tanta bolha no pé. E economiza-se avião e hotel. Tudo bem, viajar para curtir shows, restaurantes, museus, mas fazer compras, ficar indo a outlets, a horas de distância? Meu Deus, quanta jequice!
As brasileiras podem encontrar aqui mesmo roupas bonitas, de boa qualidade, e com preço a escolher, conforme o estilo, a marca, a exclusividade. Tem roupa para quem quer o super-super, sem olhar o preço, tem qualidade com preço razoável e tem a roupa da moda, descartável e barata. Boas marcas, como Baton Blue (Belo Horizonte), Fabricatto (Rio de Janeiro), Der Haten (São Paulo), Drosófila (BH), Ziggy (RJ), Fine Look (BH), Pin Up (RJ), são só algumas dentre as que podem oferecer essas opções.
O importante é saber que o mercado brasileiro pode atender a todos os gostos e bolsos. E que o aeroporto nem sempre é o melhor caminho para renovar o guarda-roupa.
Maria Tereza Prieto é empresária da área de representações de moda e proprietária da loja Cores e Nomes.

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