Nova novela pode virar padrão para a Record
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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
Patrícia Villalba<br> Agência Estado 
Um dos maiores autores de novela do País, Lauro César Muniz encara uma missão difícil na Record: estabelecer um padrão de qualidade próprio pára a emissora, a partir de ''Poder Paralelo'', novela que estreia em março.
A história promete explorar todo o potencial de produção dos estúdios Rec9 para falar das conexões criminosas entre a Máfia italiana e o narcotráfico na América do Sul. Em Palermo, Tony Castellamare (Gabriel Braga Nunes) é um mafioso que escapa da morte encomendada por um mafioso no Brasil - sua mulher e filhas não têm a mesma sorte. Ele jura, então, vingança e vem para cá, onde sua história se cruza com a de Téo, delegado da Polícia Federal que investiga a ligação entre mafiosos, traficantes e políticos corruptos.
Nesta entrevista, Muniz fala sobre detalhes de produção, além da nova trajetória da Record na teledramaturgia.
Como surgiu a ideia de misturar narcotráfico e Máfia numa novela?
A história nasceu a partir do livro ''Vendetta'', do Silvio Lancelotti, que li há 20 anos, e retomei. Mas ele é insuficiente para uma novela - tem poucas personagens femininas. Então, bolei uma outra história, ampliando o universo feminino, e liguei à história do Silvio.
O livro tem 20 anos, mas a história se passa na atualidade, não?
É a base. A grande sacada do Silvio foi trazer a história da Máfia ao Brasil. Tive de alterar algumas coisas básicas, porque não tinha como fazer hoje o que era a Máfia nos anos 80. Fiz uma pesquisa, e me vieram às mãos uns artigos do (professor de Direito) Walter Maierovitch. Grande pesquisador, ele descobriu, a partir de vários fatos depois do assassinato do juiz Falconi (1992), que o poder da Máfia era muito maior do que parecia.
Nesse contexto, os mafiosos de ''Poder Paralelo'' ficam muito distantes dos Corleone da trilogia ''Poderoso Chefão''?
Não me interessa fazer algo tipo ''Poderoso Chefão 4''. Quero falar da influência dos métodos mafiosos no narcotráfico sul-americano. Aquela Máfia do Coppola passou, o romantismo da máfia já era. A Máfia hoje é uma coisa realmente pesada. São superbandidos tão poderosos que estão infiltrados no poder público, agindo claramente na corrupção do País - isso nos interessa. Qual é o nosso câncer? Não é a corrupção? Então não seria interessante fazer uma novela sobre isso?
O Toni Castellamare, seu personagem principal, é herói ou vilão?
Eu evito bastante o maniqueísmo. O Toni é uma mistura de herói e bandido. O telespectador vai ficar na dúvida, porque surge a possibilidade de ele ser um agente do DEA (o departamento antidrogas americano). Esse é o lado heroico dele. Muitas mulheres se apaixonam por ele na história, ele é atraente, fascinante.
Verdade que o Téo é inspirado no delegado Protógenes Queiroz, da Operação Satiagraha da PF?
Não. Ele é um personagem do livro do Silvio.
Depois de uma novela plácida como Cidadão Brasileiro, você vem com uma história que parece superágil e que combina com o que a Record tem investido com sucesso ultimamente. Acha que a emissora, então, já tem uma cara própria?
A Record começou imitando a Globo. Agora, as novelas já têm a cara da emissora, são diferentes. Uma coisa bem interessante: a Record está fazendo cenas de ação melhor do que a Globo. Vi cenas de ação na novela do Aguinaldo (Silva, ''Duas Caras'') que me deixaram espantado pela má qualidade. Não é que a Globo tenha piorado. É que a Record melhorou muito. ''Chamas da Vida'' tem cenas fantásticas com aqueles bombeiros. Mas ainda é pouco.
O que falta, então?
Falta a Record se conscientizar de que precisa estabelecer o seu padrão de qualidade. Primeiro, ela foi atrás do ibope. Agora, já sabe que precisa de qualidade, como foi com o seriado ''A Lei e o Crime''. A Record entendeu que, se ficar fazendo novelas maniqueístas, vai seguir o mesmo caminho do SBT - é um caminho de morte. A gente sabe que alguma coisa que se assemelhe à arte - e é difícil fazer arte em telenovela - só se faz correndo risco. Vamos correr risco, então.


