Teve um dia que uns ''caras'' foram na escola de Pedro fazer uma demonstração. Tiraram os ioiôs do bolso e começaram várias manobras. Um amarelo, outro preto, outro azul. Subiam, desciam, se enroscavam, se soltavam, dormiam. Bastou para o adolescente de 14 anos, e outros tantos jovens de Londrina, buscarem um ioiô na banca de revistas e começarem a brincadeira.
Hoje o objeto virou febre. ''No meu prédio todas as criancinhas têm e eu fico lá, ensinando para elas'', conta Pedro Bellintani Baleotti. Ele aprendeu as técnicas de tanto ficar em casa, depois de estudar, sem nada para fazer. ''Nunca fui muito de computador e vídegame. O ioiô é real, né? Ajuda na coordenação motora e a ter pensamento rápido.''
Por isso que a mãe de Joseph Gabriel de Oliveira Alves, oito anos, deixa ele brincar. ''Gosto de fazer o ioiô ''dormir''', enfatiza o menino. Ela, a artesã Ivonete Mendes de Oliveira, 36 anos, diz que até brinca com o filho. ''As crianças ficam muito na frente da TV atualmente. Gosto do ioiô, porque elas voltam a brincar na rua e até ficam mais calmos.''
Não é difícil encontrar algum pequeno brincando pelas ruas de Londrina. Em um sábado pela manhã, na porta da igreja do Conjunto Maria Cecília, na Zona Norte da cidade, Luana Cristina Ferreira, de oito anos, brincava com seu ioiô. Logo chegou Pedro Augusto Rodrigues de Araújo, 11 anos, com o dele. Mais Gabriel Henrique de Brito Benevini, de nove anos. Todos esperavam os irmãos que estavam na aula de catequese. ''Na minha escola todo mundo leva, por isso eu comecei a jogar'', explica a menina, que gosta mesmo é de fazer a manobra ''cachorrinho pulando a cerca''.
Gabriel diz que tem o brinquedo há dois meses e que deve participar de um dos campeonatos regionais organizado pelos ''caras'' que fizeram as demonstrações naquele bairro (os mesmos que foram na escola de Pedro, lembram-se?). ''Gosto de ficar treinando para conseguir fazer as manobras. A que eu mais gosto é a catarata.'' O pai dele, João Marcos Beneveni, 37 anos, também gosta de vê-lo brincar. Lembra-se de quando era criança. ''Só que naquela época nao tinham essas manobras. A gente só brincava mesmo.''
E bem antes da ''época do João'', alguns homens usavam o ioiô como instrumento de caça. ''Como brinquedo ele surgiu nas Filipinas, mas antes há relatos de que haviam instrumentos semelhantes a ele que eram utilizados como arma de caça. Os homens ficavam em cima de árvores e atiravam contra o que caçavam'', explica um dos ''caras'' que fazem demonstrações nas escolas, o carioca Jhonny Rangel. Ele pertence à equipe de shows da Associação Brasileira de Ioiô e esteve em Londrina a convite de uma empresa fabricante do brinquedo, para disseminar a nova mania.
Ele destaca que a prática do ioiô já é considerada esportiva em alguns países, principalmente no Oriente, e que aqui no Brasil já existe compeonato nacional. ''Aqui em Londrina e região, nós organizamos minicampeonatos nos bairros e depois uma grande final. Sempre participa qualquer pessoa, independente da idade, mas a maioria são jovens adolescentes.''
Além de coordenação motora e pensamento rápido - como destacou o jovem Pedro Baleotti -, a prática de ioiô ainda possibilita noção de espaço e agilidade corporal, como enfatiza Rangel. ''E também aproxima pai e filho, porque os mais velhos se rendem e também querem brincar.''

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