Nova edição dos textos do poeta vai trazer inéditos
Nova edição dos textos do
poeta vai trazer inéditos
Quando se fala em tropicalismo, são os nomes de Caetano Veloso e Gilberto Gil que saltam à frente como figuras de proa. Costuma-se esquecer a contribuição do poeta e compositor piauiense Torquato Neto, autor de hinos do movimento como Geléia Geral e Marginália II.
Mas Torquato não restringiu sua atuação à musica. Circulou por outras áreas artísticas e culturais polemizando com totens da época, como os cineastas do Cinema Novo e a trupe do tablóide carioca Pasquim. Seus textos foram reunidos pela primeira vez em 1973, um ano depois de sua morte, com a publicação de uma coletânea intitulada Os Últimos Dias de Paupéria, organizada pela viúva do poeta e artista gráfica Ana Maria Silva de Araújo em parceria com o poeta Waly Salomão.
Em 1982, a coletânea foi ampliada e relançada pela editora Max Limonad repetindo nas livrarias o trajeto bem-sucedido da primeira edição. Posteriormente, uma nova versão começou a ganhar contornos com a aquisição dos direitos de publicação pela editora José Olympio, que planejava lançá-la em 1995 como parte das celebrações dos 50 anos de nascimento do poeta.
Supressões Mais recentemente anunciou-se, inclusive em páginas inteiras da grande imprensa paulistana, o lançamento para esse mês em memória aos 25 anos de sua morte. Agora, no auge do revival tropicalista, o que seria um oportuno lançamento já passa a integrar o rol dos projetos editoriais interminavelmente adiados.
O livro está praticamente pronto. Entre as novidades desta reedição vamos incluir textos inéditos de juventude e sua correspondência com Hélio Oiticica - diz o jornalista carioca Paulo Roberto Pires, o convidado da vez para organizar os escritos do poeta. Os textos juvenis são particularmente interessantes porque mostram um poeta em gestação - salienta ele.
O diálogo com Oiticica, por sua vez, se não traz revelações escandalosas apresenta uma maravilhosa crônica da época com Hélio contando as últimas de Nova York e Torquato bodeado aqui no Brasil. Descontente com o atraso no lançamento, ele enfatiza que na seleção do material houve acréscimos e supressões em relação às duas edições anteriores.
De passagem Alguns textos factuais da coluna jornalística Geléia Geral, por exemplo, foram retirados. Ao passo que o repertório de letras de música foi ampliado. Ainda sem título definido, o apetitoso calhamaço vai incluir também fotos inéditas - uma delas traz Torquato ao lado de Chico Buarque - e um texto de autoria de Waly Salomão escrito exclusivamente para o livro.
Além de Salomão, a fortuna crítica reúne artigos de Gilberto Gil, Caetano Veloso e Haroldo de Campos. O autor assina uma introdução crítica e a cronologia de vida e obra. Torquato é o artista da passagem - define Pires.
Ele cristalizou uma sensibilidade muito rara, mas que se aproxima do intelectual dos anos 90, que é o cara que transita pelas coisas não se fixando em nenhuma linguagem, em nenhuma escola e em nenhum grupo. Quando o próprio tropicalismo se transformou em movimeto, ele caiu fora.





