Nova coleção parodia vida de autores célebres
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terça-feira, 21 de março de 2000
Por João Luiz Sampaio 
São Paulo, 22 (AE) - Chegam amanhã (23) às livrarias os dois primeiros livros da coleção Literatura ou Morte, da Companhia das Letras. "A Morte de Rimbaud", de Leandro Konder, e "Stevenson sob as Palmeiras", de Albert Manguel, abrem a série, que reúne grandes nomes da literatura brasileira e mundial.
A idéia para a coleção surgiu na última Bienal do Livro, no Rio, em um encontro entre Leandro Konder e o editor Luis Schwarcz, no qual o escritor comentou sobre um livro que havia escrito. "Alguns dias depois, eu recebi os originais de Rimbaud e, durante a leitura, pensei na possibilidade de fazer daquele tema o de toda uma coleção", lembra Schwarcz.
As histórias, além de fazer uma espécie de paródia com a vida de escritores célebres da literatura mundial, giram sempre em torno de algum mistério. "A intenção inicial era pedir livros para autores nacionais e estrangeiros que nunca tinham escrito histórias desse gênero", afirma o editor.
O início do projeto foi marcado por uma certa timidez. À medida que eram chamados, no entanto, os autores demonstraram-se empolgados em participar do projeto. "A coleção começou a se transformar em algo maior e cada vez mais autores nos procuravam para participar da série", conta Schwarcz.
Além do livro "A Morte de Rimbaud", a editora encomendou, então, ao autor argentino, naturalizado canadense, Albert Manguel, um livro que também abrisse a série. O escritor, que escolheu o autor Robert Louis Stevenson como tema, adorou a idéia e chegou a dizer que era a mais saborosa com que já havia trabalhado.
Diversidade - Já estão programados outros três lançamentos. Em abril será lançado o livro de Rubem Fonseca, que mergulhou no universo da obra do francês Moliére. Bernardo Carvalho, que utilizou o Marquês de Sade como referência para sua história, lança seu livro em maio. Em junho, Moacyr Scliar fala de Franz Kafka em um livro que terá Leon Trotsky como coadjuvante.
Além desses, outros seis escritores acertaram suas participações. Luis Fernando Verissimo irá escrever sobre o argentino Jorge Luis Borges. Milton Hatoum escolheu Euclides da Cunha. Edgar Allan Poe foi o escolhido por Patrícia Melo. Ricardo Piglia, que a princípio havia optado por falar de James Joyce, acabou decidindo-se por Leon Tolstoi. Ruy Castro escreverá sobre Olavo Bilac.
O contato com Saramago ocorreu em um congresso do qual participou o escritor, no ano passado. "Comentei com ele sobre o projeto e, na mesma hora, ele escolheu Dumas e montou toda a trama", lembra Schwarcz.
Segundo o editor, há outros autores que já confirmaram a presença na coleção. "Zuenir Ventura e Jô Soares precisam apenas escolher o autor e Luiz Alfredo Garcia-Roza irá escrever sobre Melville", conta. A britânica P.D. James escolheu Jane Austen e deve começar a trabalhar no projeto em setembro.
O lançamento oficial da coleção Literatura ou Morte será durante a Bienal do Livro de São Paulo, em abril, com a presença de Leandro Konder, Albert Manguel e outros autores da coleção.


