Nouvelle Vague faz 40 anos
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 26 de outubro de 1998
Marie-Therese Delboubes France Presse 
Há 40 anos, em 1958, um grupo de jovens realizava na França seus primeiros longas: François Truffaut, Jean-Luc Godard, Jacques Rivette, Claude Chabrol e Eric Rohmer.
Batizada pela escritora Françoise Giroud a 3 de outubro de 1957 em homenagem à juventude, a expressão Nouvelle Vague (nova onda) foi retomada por Pierre Billard em fevereiro de 1958 na revista Cinéma 58.
É a história desta Nouvelle Vague, que durou menos de cinco anos mas cuja influência perdura ainda, que conta Jean Douchet em um livro que tem o nome simplesmente do fulgurante movimento cinematográfico (Editions Cinématheque Française/Hazan).
É preciso um antes e um depois de À bout de souffle (Acossado, de Godard), escreve o autor, que participou da formação do movimento como crítico e cineasta e que hoje é professor na Escola Francesa de Ofícios da Imagem e do Som.
O aparecimento de seu livro coincide com o de vários outros títulos sobre esse movimento ou sua figura emblemática, Jean-Luc Godard, entre eles sua Histoire(s) du cinéma (Gallimard).
O retrato do cineasta é capa de Jean-Luc Godard par Jean-Luc Godard (Editions Les Cahiers du Cinéma), livro cujo tomo 1 (1950-1984) é reeditado completado e cujo tomo 2 (1984-1998) se edita pela primeira vez.
Estes textos e documentos foram reunidos pelo ex-chefe de redação da revista Cahiers du Cinéma, professor e cineasta Alain Bergala. O tomo 2 inclui uma longa entrevista, cartas pessoais, uma fotonovela biográfica e sua filmografia completa.
Para Jean Douchet, a Nouvelle Vague é uma escola de seu tempo, impertinente, lúdica, inventiva, que refletia uma época de conquista e de crescimento, o otimismo anterior à crise que se seguirá a 1968. O autor considera que o princípio do movimento foi marcado por Le coup du berger de Jacques Rivette em 1956, mas estima que o rechaço ao cinema francês oficial remonta à ocupação e à descoberta do cinema americano imediatamente depois da segunda guerra mundial.
A Cinemateca francesa e depois a famosa revista Cahiers du Cinéma, divertida, insolente, provocadora, serviram de escola àqueles jovens que não tardariam a se apoderar da câmera. Em 18 capítulos, Jean Douchet analisa as inovações que transformaram o cinema em todos os seus aspectos: roteiro, diálogos, somo, iluminação, direção de atores, etc, quando a câmera abandonou os estúdios e saiu para a rua.
O movimento teve repercussões fora da França e coincidiu com uma ambição de mudança em todo o planeta: Cassavetes, o Cinema Novo, Oshima no Japão, os jovens talentos (Coppola, Lucas) surgidos da escuderia do mestre americano do filme B Roger Corman.
Entre os herdeiros da Nouvelle Vague, Jean Douchet cita o iraniano Abbas Kiarostami, o italiano Nanni Moretti, o francês Leo Carax, o formosino Hou Hsiao-Hsien e inclusive o cineasta chinês John Woo.


