Lélio Sotto Maior Júnior
Se a ‘‘Avant Garde’’ surrealista dos anos 20/30 era formalista, isto é, dava maior importância à forma, e se o Neo-Realismo italiano dos anos 40/50 era conteudista, isto é, dava maior importância ao conteúdo, a ‘‘Nouvelle-Vague’’ não era nem formalista e nem conteudista. O seu projeto cinematográfico era a mise-en-scéne, conceito que os críticos do ‘‘Cahiers du Cinéma’’ criaram para definir uma espécie de encantamento visual que eles admiravam no cinema americano de Hitchcock, Hawks, Walsh, Nicholas Ray, Preminger, Fuller e outros. E o que era realmente a mise-en-scéne? A mise-en-scéne era uma maneira especial de olhar o mundo, captando dele uma certa magia cinematográfica, um certo ‘‘élan’’, um deslumbramento sutil, um algo mais que só o cinema dos ‘‘autores’’ podia oferecer. Por isto não se procure na ‘‘Nouvelle-Vague’’ formalismos excepcionais (a grande exceção é Alain Resnais com ‘‘Hiroshima, Meu Amor’’ e ‘‘Ano Passado em Mariembad’’), nem maiores preocupações conteudísticas (o chamado ‘‘cinema de mensagem’’), embora um mínimo de conteúdo social tradicional a ‘‘Nouvelle-Vague’’ oferece, mas sem maiores pretensões. O que a ‘‘Nouvelle-Vague’’ busca é um conceito moderno de beleza cinematográfica, o que só a mise-en-scéne pode oferecer totalmente. Os melhores filmes da ‘‘Nouvelle-Vague’’ são ‘‘Acossado’’ e ‘‘Pierrot Le Fou’’, de Godard, os dois já acima citados de Resnais, ‘‘Os Incompreendidos’’ e ‘‘Jules et Jim’’ de Truffaut, ‘‘Les Bonnes Femmes’’, de Chabrol, e, finalmente, ‘‘Adieu Philipine’’, do genial Jacques Rozier. Louis Malle, que não era propriamente do movimento, realizou dois ótimos filmes: ‘‘Os Amantes’’ e ‘‘Feu Follet’’, ambos com muito da ‘‘Nouvelle-Vague’’.

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