Arquivo FolhaA nostalgia dos anos 80 teve seu ponto alto em Nova York com o show do Culture Club no Radio City Music Hall, em Nova York, na semana passada. O grupo está reunido novamente, com seus quatro integrantes originais: o guitarrista Roy Hay, o baixista Mikey Craig, o baterista John Moss e o andrógino Boy George. A briga entre os dois últimos foi o motivo da separação da banda em 1986, quando Boy George também anunciou que tinha problemas com a heroína.
O grupo, formado na cena New Romantic do pós-punk de Londres, na Inglaterra, em 1981, trouxe de volta todos os seus hits - e não são poucos. Boy George cantou com a mesma voz possante de sempre aquelas letras que todo mundo conhece, com as melodias sensuais e irresistíveis, marca que eles deixaram no som da década passada. Não há releituras, novos arranjos, nada de diferente. É viagem na máquina do tempo mesmo. O show é para os fãs que querem rever o ídolo e cantar junto os sucessos.
Boy George, de terno preto e chapéu colorido, com os tradicionais dreadlocks - agora pretos - e a maquiagem pesada, começou o set com ‘‘Church of the Poison Mind’’ e ‘‘I‘ll Thumble 4 Ya’’. Daí para a frente, foi aquela série de hits que dominaram as paradas de vários países na década de 80, como ‘‘Do You Really Want to Hurt Me’’ (em versão com influência do dub), ‘‘Victims’’, ‘‘It‘s a Miracle’’, ‘‘Miss Me Blind’’ e ‘‘Karma Chameleon’’. Esta chegou ao topo da parada de singles da ‘‘Billboard’’, nos Estados Unidos, em 1983. Os hits da banda saem quase todos dos dois primeiros álbuns, ‘‘Kissing to Be Clever’’, de 1982, e ‘‘Colour By Numbers’’, de 1983, já que os dois últimos, ‘‘Waking Up With The House on Fire’’, de 1984, e ‘‘From Luxury to Headache’’, de 1986, já mostravam o enfraquecimento criativo do quarteto.
O cantor também apresentou um dos únicos sucessos significativos de sua carreira solo, o cover de ‘‘The Crying Game’’, de Dave Berry (1964), parte da trilha sonora do filme ‘‘Traídos pelo Desejo’’, de 1992. Recentemente, Boy George afirmou que boa parte das músicas ele escreveu com John Moss em mente. Foi o fim da relação dos dois, que o baterista não confirma, o motivo principal da separação da banda.
Depois de livrar-se do problema com as drogas, Boy George gravou vários álbuns-solo, ‘‘Sold’’, de 1987, ‘‘High Hat’’, de 1989, ‘‘The Martyr Mantras’’, de 1991, e ‘‘Cheapness & Beauty’’, de 1995. Atualmente, trabalha mais como DJ e produtor na Grã-Bretanha. Craig também teve mais trabalhos de produção nos últimos tempos, enquanto Hays e Moss tocaram em outras bandas. Nenhum deles chegou perto do sucesso do Culture Club.
Em 12 anos, os ânimos acalmaram e os integrantes do grupo estão de bem com eles mesmos novamente. Além da turnê de 18 shows nos Estados Unidos, a volta da banda incluiu a gravação do programa ‘‘Storytellers’’, no canal de TV por assinatura VH-1, relacionado com a MTV. A mesma emissora tinha apresentado havia poucos meses o especial sobre a história do Culture Club, parte da série de sucesso ‘‘Behind the Music’’. Parte da nostalgia em relação ao Culture Club começou com o sucesso de bilheteria do filme ‘‘The Wedding Singer’’, com Adam Sandler e Drew Barrymore, do qual ‘‘Do You Really Want To Hurt Me’’ faz parte da trilha sonora.
Nem todas as bandas da década passada que tentaram o come-back tiveram o mesmo sucesso que Boy George e sua turma. Como exemplo, há os britânicos do The Human League, que abriram o show no Radio City Music Hall. O grupo, que chegou a gravar o disco ‘‘Octopus’’, em 1994, não conseguiu empolgar o público nem com os sucessos ‘‘Mirror Man’’ e ‘‘(Keep Feeling) Fascination’’, ambos de 1983.
Ainda que a volta aos anos 80 esteja com os minutos contados, o hype em torno do Culture Club ainda deve durar alguns meses. Há planos para o lançamento mundial de uma restrospectiva em dois CDs com os hits mais importantes da banda. O álbum, ainda sem título, deve chegar às lojas dos Estados Unidos até o final do ano.

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