'Nosso Lar' chega às telas em setembro
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sexta-feira, 05 de fevereiro de 2010
Luiz Carlos Merten<br> Agência Estado 
Cinéfilo que se preze deve se lembrar da obra-prima do autor japonês Hirokazu Kore-Eda, ''Depois da Vida''. Após a morte, as pessoas são levadas a uma estação intermediária, na qual escolhem o momento de suas vidas que será recuperado para que elas o levem para a eternidade. Kore-Eda talvez não tenha lido Chico Xavier, e muito menos o primeiro dos 16 livros que lhe foram ditados pelo espírito de André Luiz, mas a essência é parecida. ''Nosso Lar'' mostra a primeira etapa da vida após a morte. Neste ano do centenário de nascimento de Chico, não é só a vida dele que ganha filme dirigido por Daniel Filho, com estreia prevista para a Semana Santa, quando se estará comemorando a data. ''Nosso Lar'' também vai chegar ao cinema, mas só em setembro.
A previsão da produtora Iafa Britz é ter a primeira cópia pronta em maio, para trabalhar o lançamento, que deve ser um dos mais importantes do ano.
São pelo menos cinco anos de trabalho. Para os padrões do cinema brasileiro, é um filme caro e os efeitos contabilizam cerca de 30% do custo - os mais caros da cinematografia nacional. ''Essa história é muito rica e bonita. O filme fala de espiritualidade, de esperança''
A produtora cita exemplos. ''Quem leu o livro sabe a importância que assume a muralha no isolamento do mundo espiritual. A ideia inicial era construir uma muralha de três metros e depois trabalhá-la na pós-produção. Terminamos construindo uma muralha de 70 metros em Sagatiba e, mesmo assim, ela foi ampliada para cerca de 8.700 metros, criando um efeito impressionante.'' Quem conhece a Praça Paris, no centro do Rio, perto da Cinelândia, vai ter dificuldade para identificá-la como a base da entrada do ''nosso lar'', constituído pela governança e pelos ministérios.
''Temos um elenco muito forte. Renato Prieto faz o protagonista e é através dele que entramos nesse universo. Rosana Mulholland vai deixar todo mundo chapado. Ela é a personagem que se revolta com a morte e quer voltar. Acredito que seja a personagem mais passível de identificação e ela, além de belíssima, põe intensidade de arrepiar nas cenas'', diz.
Iafa Britz ainda está muito envolvida no processo de Nosso Lar, mas gostaria muito de acreditar que, se o filme estourar, como espera, as pessoas não reconheçam somente a importância e emoção do tema. ''Essa equipe toda está ralando muito para fazer o grande filme que ''Nosso Lar'' merece. Chico Xavier foi um iluminado, todo mundo sabe. Essa obra merece ser vista pelo que carrega de compaixão, de possibilidade de entendimento. Os efeitos estarão lá, mas não para chamar a atenção. O que importa é a história.


