O longa ''Nossa Vida Não Cabe num Opala'' deu o que falar antes, durante e depois de sua estréia nos cinemas. O filme entra em cartaz hoje em Londrina trazendo a última participação na telona da atriz Dercy Gonçalves. A direção é de Reinaldo Moretti, que adaptou a peça ''Nossa Vida Não Vale um Chevrolet'', do londrinense Mário Bortolotto.
O título da peça, aliás, foi o primeiro problema enfrentado pela produção. A poucas semanas do início das filmagens, em 2007, a General Motors não autorizou o uso da marca Chevrolet. A substituição por Opala foi aceita sob o argumento de ser um produto e não uma marca - e já estar fora de linha.
O longa conta a saga de uma família de classe média baixa a partir da morte de seu patriarca. Os irmãos Monk (Leonardo Medeiros) e Lupa (Milhem Cortaz) são ladrões de carros. Slide, o caçula, (Gabriel Pinheiro) leva jeito para o boxe, mas tem atração pela vida marginal dos irmãos mais velhos. Magali (Maria Manoella) é a que leva dinheiro honesto para a casa tocando órgão numa churrascaria.
O pai (Paulo César Pereio) está morto mas ''conversa'' com os filhos em aparições constantes. À espreita deles está Gomes (Jonas Bloch), um empresário metido em negócios escusos que os conduzirá à ruína.
O filme conquistou prêmios em festivais como o Cine Ceará e o Cine PE, em abril. Mesmo assim, Mário Bortolotto continua disparando comentários mal-humorados sobre o roteiro: ''O diretor é bom, o elenco é bom, a trilha sonora é boa e o fotógrafo é bom. O meu problema é com o Di Moretti, o roterista contratado pelo diretor. O trabalho dele no filme é ruim. Ele deformou o texto original e transformou os diálogos em melodrama'', afirma.
Bortolotto, que faz uma ponta no longa, acrescenta que foi convidado para assistir a prova final e sugerir cortes na edição. ''Consegui limar os excessos e atenuar a catástrofe. E ainda indiquei o André Kitagawa para fazer uma abertura de animação que ficou muito bacana e divertida. Com essas mudanças, o filme ficou enxuto, rápido'', diz. De acordo com ele, as estatuetas conquistadas pelo roteiro do longa não querem dizer nada. ''O Moretti já havia sido premiado com o 'Cabra Cega'. E daí? Tem muita política nos festivais'', assinala.
Bortolotto caprichou na trilha sonora de ''Nossa Vida Não Cabe num Opala'', também já premiada. Selecionou músicas das bandas Patife Band, Cascadura e La Carne; incluiu temas das bandas curitibanas OAEOZ e Irís; e ainda embutiu canções de sua própria banda, Bêbados Habilidosos. Fez a trilha em parceria com Amalfi, responsável pelos temas incidentais.
O autor anuncia que tem outras duas produções cinematográficas engatilhadas baseadas em suas peças teatrais: ''Felizes para Sempre'' e ''A Frente Fria que a Chuva Traz''. Gato escaldado, ele diz que procurou ler com atenção as cláusulas dos contratos. ''Tomarei mais cuidado. De agora em diante, vou exigir fidelidade aos meus roteiros. Quem filmar vai ter que filmar do jeito que foi escrito'', salienta.
Os dois filmes estão em fase de inscrição em editais e captação de verbas.

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