Fernanda Montenegro é a nona intérprete de filme não falado em língua inglesa e a primeira latino-americana a ser indicada ao Oscar de Melhor Atriz. O time que ela passa a integrar é formado por Sophia Loren, a primeira estrangeira a ser indicada e também a única a vencer. A italiana ganhou a estatueta em 1961 por ‘‘Duas Mulheres’’, de Vittorio De Sica, e voltou a ser indicada em 1964 por outro filme de De Sica, ‘‘Casamento à Italiana’’.
Depois de Sophia Loren vieram a francesa Anouk Aimée, por ‘‘Um Homem, Uma Mulher’’, de Claude Lelouch, em 1966; a russa Ida Kaminska, pelo filme ‘‘A Pequena Loja da Rua Principal’’, de Jan Kandar, em 1966; a sueca Liv Ullman, em ‘‘Os Imigrantes’’, de Jan Troell, em 1972, e ‘‘Face a Face’’, de Ingmar Bergman, em 1976, e a francesa Marie Christine Barrault, por ‘‘Primo, Prima’’, de Jean-Charles Tachella, em 1976.
A atriz Ingrid Bergman conquistou uma indicação ao Oscar em 1978 por ‘‘Sonata de Outono’’, de Ingmar Bergman. As duas últimas atrizes antes de Fernanda Montenegro a receber uma indicação foram as francesas Isabelle Adjani, por ‘‘Camille Claudel’’, de Bruno Nuytten, em 89, e Catherine Deneuve, por ‘‘Indochina’’, de Régis Warginer, em 1992. Aos 70 anos, Fernanda Montenegro, a maior atriz do Brasil, passa a ser reconhecida internacionalmente. No papel de Dora, a professora amargurada de ‘‘Central do Brasil’’, Fernanda conquistou críticos por todo o mundo, e a receptividade resultou na indicação ao Oscar.
No Brasil, talvez poucos conheçam Arlette Pinheiro Esteves da Silva, mas com certeza muitos são fãs de seu trabalho. Descendente de portugueses e italianos, Arlette tornou-se conhecida como Fernanda Montenegro. O nome Fernanda foi escolhido ainda na adolescência por lembrar os personagens dos romances de Balzac e Proust. Já o Montenegro surgiu por causa de um médico homeopata amigo da família e tido como milagreiro.
A primeira vez que o nome artístico surgiu foi no rádio, onde a atriz trabalhou fazendo traduções e adaptações de peças literárias para radionovelas. A carreira artística se divide entre teatro, televisão e cinema. Sua estréia nos palcos aconteceu em 1950, na peça ‘‘Alegres Canções nas Montanhas’’, ao lado de Fernando Torres. O encontro entre os dois acabou num casamento que dura até hoje, com dois filhos: a também atriz Fernanda Torres e o cenógrafo, programador visual e diretor de cinema Cláudio Torres.
No início da década de 60, Fernanda Montenegro começou a trabalhar na TV, carreira que resultou em aproximadamente 170 teleteatros e mais de uma dezena de novelas e minisséries. No cinema, sua estréia ocorreu em 1964, com a adaptação de ‘‘A Falecida’’, de Nelson Rodrigues.
A atriz nunca escondeu que o teatro sempre foi sua prioridade. Ela acumula vários prêmios nesta área, como os MoliSre especial e de melhor atriz por ‘‘As Lágrimas Amargas de Petra von Kant’’ (1982). Ainda no teatro, atuou várias vezes ao lado do marido e de atores como Sérgio Britto, Cacilda Becker, Nathalia Timberg, Cláudio Corrêa e Castro e Ítalo Rossi.
Considerada pelos amigos de palco como uma atriz capaz de aliar técnica e instinto, Fernanda Montenegro tem o reconhecimento de seu trabalho retratado na política e na música. O então Presidente da República José Sarney chegou a convidá-la para ser ministra da Cultura, enquanto Milton Nascimento a homenageou com a música ‘‘Mulher da Vida’’.
Para quem gostou de vê-la em ‘‘Central do Brasil’’, a atriz está em ‘‘Traição’’, filme dividido em três episódios que têm como tema central o adultério. Ela faz uma participação especial em todos, e em um deles está sob a direção de seu filho Cláudio Torres.

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