Kyoto, Japão - A viagem ao Japão não será completa sem dormir ao menos uma noite em um dos muitos ryokans distribuídos pelo país. Esses hotéis tradicionais desenvolveram uma sofisticada arte de receber viajantes, bem diferente dos métodos ocidentais. Isso desde os tempos dos samurais e dos xoguns.
  O hóspede deve chegar por volta das 18 horas para ter tempo de se banhar antes do jantar. Na porta, os sapatos dão lugar a chinelos. No quarto, sem cama, forrado de tatames, o visitante encontra uma yukata, tipo de quimono simples que também substitui as ‘‘roupas de rua’’ dentro do ryokan.
  Um rápido chá de boas-vindas e é hora de ir para a sala de banho – uma para homens, outra para mulheres. Alguns ryokans também têm espaço específico para casais.
  Na sala de banho há uma fileira de torneiras com um banquinho e um balde de madeira na frente de cada uma. O hóspede se enxágua e, só depois, submerge no ofurô, banheira de madeira ou pedra com água quente, muitas vezes vinda da fonte de água termal. Ryokans rurais costumam ter ofurôs a céu aberto, para usar mesmo quando está nevando. A sensação é de incrível relaxamento.
  É hora, então, de recolocar a yukata. Mesmo porque o jantar, quase sempre servido no quarto do hóspede, começa no máximo às 19h30.
  Sentado em uma almofada sobre o tatame, com uma mesa baixa na frente, o visitante enfrenta uma sequência interminável de pequenos pratos. Quase sempre há sopa, vegetais diversos, peixe cru (sashimi ou sushi), grelhado ou assado e, às vezes, carne. Para terminar, arroz com picles e chá.
  Os pratos variam de acordo com a região e a época do ano, mas nos bons ryokans são preparados com esmero e apresentados de forma a agradar também às retinas. Peça saquê, quente ou gelado.

Hora do sono
  Depois da comilança, a atendente do ryokan – que cuida do hóspede do momento em que ele chega até a hora de ir embora – sugere que você dê uma volta por cerca de meia hora. É o tempo certo para a mesa ser retirada e o quarto, preparado para a noite.
  Em cidades pequenas, os visitantes costumam passear pela área em torno do hotel. E devem ir de yukata mesmo, com um chinelo alto de madeira nos pés – no início, meio difícil de se equilibrar. Em cidades grandes, pode-se passear pelo próprio ryokan, que com frequência tem jardim interno.
  Ao voltar para o quarto, os futons – uma espécie de acolchoado típico japonês – já estão cuidadosamente estendidos sobre o tatame. É hora de dormir.
  No dia seguinte, por volta das 8 horas, a atendente bate na porta, dá bom dia e, pouco depois, o desjejum é servido, também no quarto. E um café da manhã tradicionalmente japonês tem sopa, tem peixe, tem arroz, tem chá... Vai encarar? (O.D./Agência Estado)

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