Nos passos de Nijinski
Marcelo Misailidis, primeiro bailarino do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, ensaia os primeiros passos de sua carreira-solo, encarnando Nijinski, o bailarino russo que revolucionou o mundo da dança no ínicio do século 20. Serão duas apresentações, hoje e amanhã, no Guairinha, em Curitiba.
Misailidis está na capital paranaense acompanhado de mais quatro bailarinos com um compromisso: desvendar o véu entre a genialidade e a loucura do maior bailarino que a história já conheceu. Nijinski trouxe para a dança o modernismo. Antes dele este conceito não existia e tampouco a dança conhecia a força dos passos masculinos.
Protagonista de uma história amorosa conturbada, o bailarino russo era uma pessoa sensível, que se via horrorizado com as brutalidades da vida. Segundo Misailidis, ele concebeu o inconcebível ao aliar sua técnica perfeita ao som dissonante de músicos como Stravinski. O resultado disso sempre foram grandes performances que deixavam os espectadores escandalizados com seu vigor.
O mais impressionante do revigoramento da dança masculina e da nova estética, dada por Nijinski há quase 100 anos, é que ele continua sendo o que há de mais moderno no balé clássico. Tudo que existe hoje, no sentido de modernidade, de desenvolvimento, sem dúvida, teve ínicio no trabalho de Nijisnki. Ele criou uma nova plástica para os movimentos masculinos diz Misailidis.
Nesse espetáculo de apenas uma hora, e sem sair um só segundo do palco, o primeiro bailarino do Teatro Municipal do Rio de Janeiro vem coreografado por Fábio de Mello, também responsável pela concepção cênica. O grupo incorpora, através de uma leitura teatral, a genialidade e a loucura do final da vida de Nijinski. O espetáculo não chega a ser ousado em sentido coreográfico. Mas as pessoas que assistem, entendem a vida do Nijinski. Sobretudo, porque estamos para falar do homem, da questão psicológica, de como foi a transição dele do auge para a loucura. Saímos da questão lúdica e imaginária que se tem com relação ao mito.
Essa montagem está sendo apresentada por Misailidis desde 1997, já passou por várias depurações e representa uma nova fase na vida do bailarino. Além de estar investindo em sua carreira-solo, ele quer incentivar a atuação dos bailarinos como intérpretes. É uma corrente de pensamento que mostra que o bailarino é também um homem engajado. Misailidis acha o momento muito propício para a dança brasileira. Elogia o trabalho dos paranaenses, do grupo Corpo, mas critica o investimento da iniciativa privada somente em grandes festivais. Ele ainda acredita no desenvolvimento mais intimista de pequenos grupos, como uma possível fonte de nascimento de novos talentos que venham a dar seguimento à genialidade dos passos de Nijinski.
O espetáculo Nijinski acontece hoje e amanhã no Guairinha. em Curitiba. Os ingressos custam R$ 10,00 e R$ 5,00 (só para estudantes)





