São 100 quilômetros de percurso, com diversas subidas, terrenos difíceis e muito calor. Mas nem de longe representam flagelação. Percorrer o caminho trilhado pelo padre José de Anchieta no século 16 é um modo interessante, saudável e relaxante (para a mente) de conhecer a costa do Estado do Espírito Santo.
A versão capixaba do caminho de Santiago de Compostela começa na Catedral Metropolitana de Vitória e vai descendo até a cidade de Anchieta, antes aldeia de Reritiba, onde o sacerdote morreu em 1597. No percurso (que Anchieta tinha de fazer a cada 15 dias para catequizar os índios do litoral e ir ao Colégio de São Tiago, em Vitória) estão lugares como Ponta da Fruta, Setiba, Meaípe e Barra do Jucu.
Promovido desde 1998 pela Associação Brasileira dos Amigos dos Passos de Anchieta (Abapa), o trajeto passa por 23 praias, algumas ainda desertas. Em várias delas há vestígios da passagem do padre, como ruínas de poços d’água e de moradias.
A caminhada começa na catedral e passa pelo Palácio Anchieta, onde está um túmulo simbólico do missionário. Dali, segue-se para a Baía de Vitória, de onde parte um barco que levará o peregrino até Vila Velha. Lá está o ponto que marca o início da colonização do Estado, o Sítio Histórico da Prainha.
Ao lado do sítio fica o Convento da Penha, fundado em 1558 no alto de um morro. É preciso vencer quase um quilômetro de caminhada morro acima para chegar ao santuário, cuja história e lendas estão contadas nos quadros de Benedito Calixto, da década de 20, lá expostos.

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