Nos mínimos detalhes
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segunda-feira, 05 de dezembro de 2011
Geraldo Bessa <br> TV Press 
Personagens de composição são os preferidos de Ângela Leal. Por isso, mesmo com mais de 40 anos de carreira na televisão, a atriz mostra entusiasmo de iniciante ao estudar para seu novo trabalho e experimentar figurinos, gestual e maquiagem da Edna, de ''Rei Davi'', próxima minissérie bíblica da Record. ''Estou impressionada com a preparação. Todo o elenco passou por muitas aulas de História, línguas, tecelagem e culinária. Isso deixa a atuação muito mais intensa e o ator livre para ousar com propriedade'', acredita.
Baseada nos relatos do livro do profeta Samuel, a minissérie conta a história de Davi - de Leandro Léo, na infância, e Leonardo Bricio, na fase adulta -, o pastor de ovelhas que chega ao trono de Israel. Com papel significativo na trama, Ângela dá vida à mãe do protagonista da produção, que tem previsão de estreia para janeiro de 2012.
Na opinião da atriz, Edna é uma mulher à frente dos padrões da época em que a história é ambientada, por volta de mil anos antes de Cristo. ''Minha personagem estava longe da submissão ao marido, Jessé. É uma grande incentivadora do filho. Acredita-se que ela seja a responsável pelo lado mais sensível e intelectual de Davi'', valoriza, referindo-se ao marido de sua personagem, interpretado por Clemente Viscaíno.
A atriz começou a gravar a minissérie em abril deste ano, nos suntuosos cenários montados no Recnov, estúdios da emissora localizados na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Depois de quase seis meses de pausa, Ângela retomou o trabalho em novembro, com externas em Diamantina, cidade histórica de Minas Gerais. ''Vou andar de burrico! Vamos gravar a cena na qual a família foge das tiranias de rei Saul, que manda incendiar a casa da família de Davi'', revela.
Gravar longe do frio dos estúdios não é nenhuma surpresa para a atriz. Afinal, de seus trabalhos mais lembrados, dois deles, ''Pantanal'' e ''A História de Ana Raio e Zé Trovão'', foram feitos entre muitas viagens. O primeiro folhetim era ambientado no interior do Mato Grosso. Já o segundo foi registrado ao longo das estradas brasileiras e das festas de rodeio. ''Foram novelas ousadas, que mostravam um Brasil interiorano e totalmente diferente do que o telespectador estava acostumado a ver. E ainda tive a oportunidade de defender uma personagem rica como a Biga'', relembra a atriz, sobre seu papel em ''A História de Ana Raio e Zé Trovão'', que lhe rendeu o APCA - prêmio da Associação Paulista dos Críticos da Arte - de melhor atriz.
Ao repassar a carreira, Ângela confessa que deve tudo ao teatro, mas não esquece da importância da televisão em sua trajetória, desde a estreia em ''Irmãos Coragem'', de 1975. Com folhetins de sucesso no currículo, a atriz elege a suburbana Laura, da primeira versão de ''O Astro'', como uma de suas preferidas. ''Quando comecei, fazer tevê era artesanal. Hoje, com essas câmaras de alta definição, é tudo muito mais complicado'', compara.
Ao longo dos anos, Ângela teve de deixar sua porção atriz de lado para dedicar-se aos dois projetos mais importantes de sua vida: os primeiros anos de sua filha, a atriz Leandra Leal, e a administração do Teatro Rival, no Rio de Janeiro, espaço cultural deixado por seu pai, o produtor Américo Leal. ''A vida me deu esse teatro que eu não pedi. Mas que eu honrei e levantei. Tenho muito orgulho desse trabalho'', assume a atriz, que além da minissérie ''Rei Davi'', também espera o lançamento de ''Febre do Rato'', longa dirigido pelo polêmico Cláudio Assis. ''Estou me reservando ao direito de ficar mais contemplativa. Aos 64 anos, apenas projetos bons e instigantes me tiram do sossego'', avisa, aos risos.


