Curitiba – Os curitibanos Leonardo Lacerda Arlant, o popular DJ Leozinho, e o percussionista Rodrigo Pacionik estão na seleção brasileira de música eletrônica. Ambos participarão do Skol Beats pela terceira vez consecutiva. O festival irá reunir os melhores DJs dos quatro continentes em uma só noite.
A dupla vai ocupar a Tenda Gate Crasher, das 6h30 às 8 horas, na terceira edição do Skol Beats, que acontece hoje no Autódromo de Interlagos, em São Paulo. O evento é considerado o maior festival de música eletrônica da América Latina. Os organizadores esperam atingir um público mínimo de 40 mil pessoas.
Leozinho travou seu primeiro contato com a música eletrônica há sete anos quando foi morar em Londres. Em 96, incentivado por amigos, começou a tocar no Club Rave. Ganhou projeção nacional ao vencer um duelo Trance, da Phillip Expression, em 2000, superando três DJs paulistas. No final do ano foi eleito DJ revelação por um jornal paulista – foi a primeira vez que um DJ fora de São Paulo ganhou esse prêmio.
Obcecado pelo trabalho, Leozinho nunca pensou que um dia poderia viver exclusivamente de música. Ele lembrou que seus irmãos mais velhos são músicos e ele, que não tinha pretensões, é o profissional. Para se manter entre os melhores DJs do Brasil, Leozinho costuma renovar seu repertório. Mensalmente adiciona pelo menos 30 músicas no seu set.
Rodrigo Pacionik aprendeu bateria aos 12 anos e nos últimos oito anos optou pela percurssão. Entrou no seleto grupo da música eletrônica por acaso. Um dia colocou um CD Pop na pick-up e começou a acompanhar. Gostou e chamou o DJ Edson para sentir o seu potencial. O cara curtiu e o levou para a Rave, casa noturna que formentou a cena no final da década de 90.
Começou a fazer apresentações com o amigo. Mas não deu muito certo. ‘‘Tinha muito vocal e ofuscava a percursão e vice-versa. Aí eu conheci o Leozinho e começamos a tocar juntos na pistinha da Rave. Foi uma novidade e a percurssão se encaixou perfeitamente no som Trance do Leo’’, explica o percussionista.
Desde então Leozinho e Paciornik já se apresentaram mais de 600 vezes juntos. Durante dois anos foram companheiros de quinta a sábado. ‘‘Tocávamos uma média de três a quatro horas. Nesse período peguei toda a manha da música eletrônica, o tempo certo das batidas, onde entrar. Descobri que se repetisse diversas vezes determinado instrumento, o pessoal entrava em frenesi’’, explica o percussionista.
O caminho para alargar os horizontes e voar mais alto no mercado eletrônico está necessariamente ligado a produção própria ou de outros artístas. Paciornik gravou em Londres uma música com Mark Synclair, Viva Curitiba, que já está sendo comercializado na Europa e deve chegar nas próximas semanas ao mercado brasileiro.
Já Leozinho gravou sua primeira música na Inglaterra, no ano passado, com o amigo Ternobi. Agora está montando o primeiro estúdio de gravação de Curitiba, dedicado apenas a música eletrônica. Ele ainda tem planos de editar um álbum até o final do ano.
No Skol Beats, Leozinho irá assumir as pick-ups com um roteiro pré definido. ‘‘Como é um evento grande, ao mesmo tempo que tenho a responsabilidade de mostrar um material extremamente atualizado, também tenho que pensar que vou ter de agradar milhares de pessoas. Vou tocar antigos sucessos devido ao curto tempo do set.’’
A dupla espera entortar a espinha da audiência paulistana. ‘‘Vamos chegar lá e descer a lenha’’, fala Paciornik. ‘‘Vamos estar encerrando a tenda, às 6h30. A essa hora da manhã o cara já escutou de tudo na noite. Já teve o warm-up, o house. Vamos fechar com estilo o festival’’, aposta o DJ curitibano.

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