Nós e os vegetais
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 05 de março de 2003
Célia Musilli<br> Reportagem Local 
Consideramos um ''abacaxi'' as situações complicadas, difíceis de descascar que nos pegam no cotidiano e requerem soluções que se transformam em verdadeiros exercícios de sobrevivência. Tal e qual a fruta, há momentos espinhosos, de casca grossa, que machucam ao menor sinal de inabilidade na hora de lidar com eles. Da mesma forma, nos deparamos com pessoas azedas feito limão, difíceis de engolir sem o auxílio de uma dose de cachaça e açúcar porque, só assim, viram caipirinhas que, em vez de azedar a vida, dão um pouco mais de alegria.
Na comparação entre pessoas e frutas, ainda podemos encontrar personagens que são uma uva, moças com pele de pêssego, rapazes com hálito de menta, maçãs do amor - atraentes e enjoativas - ou até mesmo o tipo ''banana'' que não dá conta de nada, esperando tudo cair do céu.
Na mesma linha de raciocínio, também já vi gente lisa feito quiabo, universal como os tomates (quem não gosta?), cheirosa igual alecrim, apetitosa feito manjericão, difícil como fiapo de manga, chata que nem ''goiaba'', usada como ''laranja''.
Tirando as frutas de lado, este exercício de ''gastronomia humana'' nos serve ainda um banquete de tipos que só falam abobrinha, são chatos como coquetel - com todo mundo circulando sem saber para onde -, vibrantes como moqueca em praia, pesados como pizza a quatro queijos, leves feito suspiros, engraçados como torta em cara de político, tão criativos quanto bolo de noiva ... e por aí vai. Pensando bem, pessoas e comidas estão ali, feito carne e unha, sendo que gostos, preferências e aparências dizem muito sobre o bicho homem. Pensando mais, melhor nem tocar em bichos, há um ''cardápio'' de tipos que fica para outro dia. Ou você nunca ouviu falar em gente com espírito de porco?


