Stephen Sommers estava sem dormir havia dias quando recebeu a reportagem em Los Angeles. Tudo porque seu novo filme, ‘‘O Retorno da Múmia’’ que deveria estrear dali a 72 horas, ainda não havia sido finalizado. ‘‘Saí da sala de edição às 5 horas’’, disse o diretor/roteirista, justificando as olheiras e culpando a grande quantidade de efeitos especiais, que vão desde uma simples inserção de céu, passando por batalhas épicas, até a criação de um personagem inteiro, o Rei Escorpião.
‘‘Temos efeitos que custaram US$ 25 mil e outros que custaram US$ 500 mil’’, explicou.
Seus esforços e o orçamento de US$ 100 milhões fizeram sentido quando ‘‘O Retorno da Múmia’’, que estréia hoje nos cinemas brasileiros, arrecadou uma bilheteria recorde para um fim de semana de estréia: US$ 70 milhões. Sommers, 39, teve a idéia de escrever seu primeiro ‘‘A Múmia’’ em 97.
‘‘Sempre fui fascinado com a história antiga do Egito e achei que poderia pintar esse cenário com tons de Indiana Jones. Só não imaginava que fosse virar coqueluche.’’ Coqueluche sem dúvida, até porque o terceiro filme, ainda que não oficialmente, já aponta no horizonte.
‘‘Assisti a Indiana Jones 34 vezes’’, disse o ator Brendan Fraser. ‘‘Por isso, se não fosse o protagonista de ‘‘A Múmia’, pagaria qualquer coisa para ver no cinema.’’ Para Fraser (que, graças à computação gráfica nunca precisou colocar os pés no Egito), a continuação tem a soberba característica de ser melhor que seu prólogo. ‘‘Os personagens amadureceram, e o roteiro é bem mais completo.’’
Mas muito do precoce sucesso dessa sequência é culpa do próprio Fraser, que está se revelando um mestre em atuações com tela azul (o fundo azul sai de cena quando efeitos são inseridos).
‘‘A falta do objeto faz com que a imaginação tenha que ser exercitada. Tenho de visualizar que estou lutando com uma múmia, quando na verdade estou lutando sozinho’’, disse ele, que já trabalhou com tela azul em mais de cinco filmes, mas que faz questão de exercitar o outro extremo e em breve estará no teatro londrino em uma nova adaptação do clássico de Tennessee Williams ‘‘Gata em Teto de Zinco Quente’’.
Outra peculiaridade dos filmes de Sommers é o fato de o diretor não incentivar o uso de dublês. ‘‘Ele diz que somos caros, por isso quer nossos rostos na tela’’, diz Fraser, para quem a despenda do dublê custou duas costelas, uma rótula e um disco.
‘‘Ao assinarmos contrato para um filme de Sommers, sabemos que sairemos machucados’’, explicou a venezuelana Patricia Velazquez, cuja elogiada atuação no primeiro filme convenceu o diretor a repetir a dose. E Patricia, que nasceu em uma pequena tribo indígena e saiu de lá para ser modelo na Europa, teve que passar meses treinando e ensaiando para protagonizar ao lado da inglesa Rachel Weisz uma das cenas mais comentadas do filme: a luta com armas antigas egípcias.
O filme pode ser um sucesso, mas Sommers conta que o caminho até aqui foi de pedra. ‘‘Sabia que escrever a sequência não seria fácil, por isso assisti a mais de 250 horas de vídeo. Assisti a quase todas as continuações já feitas na história do cinema.’’ Mas Sommers diz que as idéias vinham sempre aos pedaços. ‘‘Imaginei a dupla de arqueólogos já casada, um filho de nove anos, porque não queria crianças com menos que isso no set, uma floresta no meio do deserto e tive de dar um jeito de costurar tudo isso.’’ Tudo corria bem até que a equipe chegou ao Marrocos para filmar as cenas no deserto. ‘‘Ficamos todos doentes’’, disse o ídolo de luta livre americano The Rock, que é o Rei Escorpião. ‘‘Pensei que fosse morrer e tive de filmar cenas com 40 graus de febre.’’
Sommers parece ter conseguido o que para muitos era impossível: fazer uma sequência que fosse melhor e faturasse mais que o original. ‘‘O segredo? Imaginar um passeio de duas horas em uma montanha-russa gigante e colocar isso na tela.’’

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