Em uma casa de estilo colonial, no coração de Londrina, existe um lugar onde os relógios, espalhados pela parede, estão com os ponteiros parados. Ali, os momentos pairam no ar, de alguma maneira, querendo pregar uma peça no próprio tempo, zombando da ansiedade moderna. Ecoando em uma outra época, as vozes dos imigrantes, cafeicultores e exploradores estão presentes naqueles corredores, que carregam em si as marcas do passado áureo, repleto de sonhos e esperanças dos cidadãos que fundamentaram os pilares de nossa cidade.
Aberta em 1935 e inaugurada como um Museu Histórico em 1986, os corredores da antiga Estação Ferroviária nos transportam para uma verdadeira viagem no tempo, mas o ritmo do Museu, atualmente, não é movido à vapor. ‘‘Na primeira revitalização, de 94 até 2000, os eventos eram bem movimentados. Agora está meio devagar’’, comenta a Diretora Interina do Museu, a bibliotecária Rosângela Haddad, que fica no comando da locomotiva até fevereiro. ‘‘Nas férias o número de pessoas diminui muito, e sem as escolas não temos muito movimento’’, explica a bibliotecária, enquanto caminha pelos corredores vazios da imensa arquitetura antiga.
‘‘O objetivo é conseguir incentivo para trocar de exposição a cada 3 meses, mas se conseguimos fazer uma ou duas exposições grandes por ano, já ficamos satisfeitos’’, analisa Rosângela, que é funcionária do Museu há 20 anos, e observou muitas mudanças em todo este tempo, como o armanezamento de fatos históricos através do banco de dados, acessado pela rede interna de computadores. ‘‘O Museu não pode ser sinônimo de ‘velharia’. Ele também se moderniza, mas sempre se moderniza preservando.’’
Hoje o Museu possui 4 setores abertos ao público: o Setor de Objetos, o Setor de Biblioteca e Documentação e o Setor de Imagem e Som, com mais de 50 mil registros históricos. Na exposição em destaque na Galeria Principal, todo o desenvolvimento da cidade pode ser observado através das lentes de José Juliani - fotógrafo oficial da Companhia de Terras do Norte do Paraná - que teve seus filmes tranformados em relatos imprescindíveis, configurando um importante registro histórico da região entre as décadas de 1930 e 1960. Na metade deste ano, estão programadas para acontecerem as exposições ‘História da Saúde em Londrina’ e ‘40 anos da UEL’.
‘‘Preservar a memória da cidade é nossa principal missão. É preciso olhar para o passado para entendermos o futuro’’, afirma Rosângela, que diz que muitas experiências emocionantes são possíveis porque, para muitos, a trajetória de Londrina acaba se confundindo com a da própria família.
‘‘Existem crianças que chegam em excursões e que são netas de pioneiros. Elas se identificam como um reflexo da nossa colonização’’, reflete, que enxerga um caráter educativo fundamental na função do Museu, mas admite uma forte necessidade da conscientização sobre a importância do passado para ser feita além das paredes da antiga Estação. ‘‘A identidade de Londrina não pode ser apenas preservada no Museu: os pais e as escolas também tem um papel importante nessa conscientização. As famílias precisam valorizar suas histórias e a da cidade’’, observa Rosângela, vagando sozinha pelos imensos corredores.

SERVIÇO

Museu Histórico de Londrina
Onde - Rua Benjamin Constant, 900
Quando - de terça a sexta, das 9h00 até às 11h30, e das 14h30 até as 17h30. De sábados e domingos, o Museu fecha às 17h00
A Entrada é gratuita.

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