Nos cinemas, a magia musical de 'Wicked' sofre críticas
As críticas online atormentaram o filme desde os primeiros registros das filmagens divulgadas pela Universal Pictures
PUBLICAÇÃO
domingo, 24 de novembro de 2024
As críticas online atormentaram o filme desde os primeiros registros das filmagens divulgadas pela Universal Pictures
Carlos Eduardo Lourenço Jorge/ Folhapress 

Para o público dos Estados Unidos, principalmente, “Wicked” é um dos filmes mais aguardados de 2024 , pois traz para a tela grande um musical três vezes vencedor do Tony Award, uma peça da Broadway que definiu uma geração de gente de teatro, um espetáculo de música, dança e poder estelar em escala hollywoodiana. Como esta é a história da origem da Bruxa Má contada a partir de um ponto de vista de empatia, a ideia é que é um filme que pretende fazer acreditar novamente em magia.
Mas mesmo com um elenco que conta com Cynthia Erivo, duas vezes indicada ao Oscar; com a estrela pop Ariana Grande, o galã de “Bridgerton”, Jonathan Bailey, a vencedora do Oscar Michelle Yeoh, o velho Jeff Goldblum de sempre e o diretor Jon M. Chu (“Podres de Rico”/Crazy Rich Asians), qual o grau de expectativa que os fãs de todos os mercados terão em mente para receber uma “meia” adaptação tão abrangente? Sim, porque é filme dividido em duas partes (a outra terá estreia no Natal de 25). Como o último “Missão Impossível”, alguém ainda se lembra?
Apesar do entusiasmo dos fãs da produção teatral, as críticas online atormentaram o filme desde os primeiros registros das filmagens divulgadas pela Universal Pictures. Houve reclamações de que a visão de Oz do diretor Chu apareceu “desbotada” , com cores muito mais opacas do que a mídia esperava, inspirada em “O Maravilhoso Mágico de Oz”, de L. Frank Baum, incluindo o eterno “O Mágico de Oz” de 1939, “O Mágico” de 1978 e a vibrante produção da Broadway baseada na perspectiva contrária de Gregory Maguire, “Wicked: The Life and Times of the Wicked Witch of the West”.
Então, quando o primeiro teaser do filme apareceu, oferecendo uma dica sobre que tipo de performance Cynthia Erivo faria como a bruxa Elphaba, a mídia social estava explodindo de preocupações. Com a ousada escolha de dividir o musical em dois filmes, Chu atraiu mais dúvidas. Então, como ficou a coisa na tela ? As legiões de fãs estavam certos em se preocupar ? Francamente, sim.

HABILIDADE VOCAL
Erivo e Grande mostram correta habilidade vocal nesta adaptação, mas acabam prejudicadas por um filme em embalagem de comercial de televisão. Cenários, figurinos e maquiagem preenchem a tela com muitas sobras e, graças à magia inefável do cinema digital, o filme paece muito maior do que de fato é. Seus frequentes trechos lentos são particularmente frustrantes, em comparação com boa parte da produção que é de fato digna de louvores. É difícil particularmente assistir ao andamento das duas horas e meia de “Wicked” e não desejar algo mais dinâmico que permita um espaço seguro para sonhar com algo melhor.
Não conheço a montagem original no palco, mas o roteiro parece estar sempre à procura da idéia central da trama, que é o equilíbrio de sua tolice inerente com o pathos, a paixão dos personagens, seus vôos mágicos de fantasia com seus apelos mais fundamentados por tolerância e decência, oferecendo uma crítica atemporal e comovente à divisão, ao fascismo e ao medo de ser diferente. Isto deveria bastar para uma espiada no filme.
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