Para o público dos Estados Unidos, principalmente, “Wicked” é um dos filmes mais aguardados de 2024 , pois traz para a tela grande um musical três vezes vencedor do Tony Award, uma peça da Broadway que definiu uma geração de gente de teatro, um espetáculo de música, dança e poder estelar em escala hollywoodiana. Como esta é a história da origem da Bruxa Má contada a partir de um ponto de vista de empatia, a ideia é que é um filme que pretende fazer acreditar novamente em magia.

Mas mesmo com um elenco que conta com Cynthia Erivo, duas vezes indicada ao Oscar; com a estrela pop Ariana Grande, o galã de “Bridgerton”, Jonathan Bailey, a vencedora do Oscar Michelle Yeoh, o velho Jeff Goldblum de sempre e o diretor Jon M. Chu (“Podres de Rico”/Crazy Rich Asians), qual o grau de expectativa que os fãs de todos os mercados terão em mente para receber uma “meia” adaptação tão abrangente? Sim, porque é filme dividido em duas partes (a outra terá estreia no Natal de 25). Como o último “Missão Impossível”, alguém ainda se lembra?

Apesar do entusiasmo dos fãs da produção teatral, as críticas online atormentaram o filme desde os primeiros registros das filmagens divulgadas pela Universal Pictures. Houve reclamações de que a visão de Oz do diretor Chu apareceu “desbotada” , com cores muito mais opacas do que a mídia esperava, inspirada em “O Maravilhoso Mágico de Oz”, de L. Frank Baum, incluindo o eterno “O Mágico de Oz” de 1939, “O Mágico” de 1978 e a vibrante produção da Broadway baseada na perspectiva contrária de Gregory Maguire, “Wicked: The Life and Times of the Wicked Witch of the West”.

Então, quando o primeiro teaser do filme apareceu, oferecendo uma dica sobre que tipo de performance Cynthia Erivo faria como a bruxa Elphaba, a mídia social estava explodindo de preocupações. Com a ousada escolha de dividir o musical em dois filmes, Chu atraiu mais dúvidas. Então, como ficou a coisa na tela ? As legiões de fãs estavam certos em se preocupar ? Francamente, sim.

Apesar da habilidade vocal das atrizes, elas acabam prejudicadas por um filme de embalagem de comercial de televisão
Apesar da habilidade vocal das atrizes, elas acabam prejudicadas por um filme de embalagem de comercial de televisão | Foto: Divulgação

HABILIDADE VOCAL

Erivo e Grande mostram correta habilidade vocal nesta adaptação, mas acabam prejudicadas por um filme em embalagem de comercial de televisão. Cenários, figurinos e maquiagem preenchem a tela com muitas sobras e, graças à magia inefável do cinema digital, o filme paece muito maior do que de fato é. Seus frequentes trechos lentos são particularmente frustrantes, em comparação com boa parte da produção que é de fato digna de louvores. É difícil particularmente assistir ao andamento das duas horas e meia de “Wicked” e não desejar algo mais dinâmico que permita um espaço seguro para sonhar com algo melhor.

Não conheço a montagem original no palco, mas o roteiro parece estar sempre à procura da idéia central da trama, que é o equilíbrio de sua tolice inerente com o pathos, a paixão dos personagens, seus vôos mágicos de fantasia com seus apelos mais fundamentados por tolerância e decência, oferecendo uma crítica atemporal e comovente à divisão, ao fascismo e ao medo de ser diferente. Isto deveria bastar para uma espiada no filme.

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