Fernando de Noronha - Quem tem um bom preparo físico e está acostumando a andar em pedras e praias vai tirar de letra as trilhas de Fernando de Noronha. A maioria delas dispensa a presença do guia, como as do Mirante dos Golfinhos, do Forte da Vila dos Remédios e também as que levam às praias do Sancho, Cacimba do Padre, Americano, Boldró, Conceição, do Meio, Sueste e Leão esta última, no período de desova das tartarugas, não pode ser visitada à noite.
Quem quiser ver a desova tem de pagar ao Projeto Tamar o passeio chamado ''Turtle by night'' (tartaruga à noite, em inglês). Mas, mesmo assim, como só Deus tem uma cópia da agenda das tartarugas, o turista pode pagar e não ver nada. Quando acontece a eclosão dos ovinhos, ou seja, o nascimento das tartaruguinhas, os biólogos do projeto Tamar avisam sempre em cima da hora e todos podem assistir gratuitamente da Praia do Leão. Geralmente ocorrem no final da tarde e 54 dias após da desova.
Mudando de tartaruga para golfinho, uma das trilhas mais movimentadas é a do Mirante dos Golfinhos, que aliás é muito bem sinalizada. Como não há cobras no arquipélago o único perigo iminente é a burra leiteira (Sapium scleratum). Apesar do nome engraçado, a burra é uma árvore e suas pontiagudas folhas queimam a pele de quem nela encostar. Ela está espalhada por toda a ilha. Basta uma esbarradinha para levar para casa uma lembrança de Noronha, uma queimadura em forma de folha, que vai se revelando aos poucos.
A Trilha dos Golfinhos vai costeado lindas praias do mar de dentro (lado voltado para o continente), como a do Sancho, uma das mais bonitas praias do Brasil, a ponta do Zé Ramos e a baia dos Golfinhos. Nessa ninguém pode entrar, nem as embarcações, para não interferir na procriação desse simpático mamífero, o golfinho rotator, aquele que dá pulos rodando fora da água.
No Mirante, os turistas começam a chegar ao alvorecer, biólogos que estudam a espécie emprestam binóculos para facilitar a identificação deles, que mais parecem estar se divertindo na água. Como no caso das tartarugas, não há nenhuma garantia que mesmo acordando de madrugada o turista irá vê-los. Quem tem sorte chega ao mirante a qualquer hora e lá estão os golfinhos esperando. Outra presença constante é a mabuya, um minilagarto que vai adquirindo a cor preta com o tempo. Inofensivo, está espalhado por todo o lugar, este não tem como não ver.
Para quem não quer gastar muito, uma boa idéia para chegar nesse local é pegar o ônibus, que circula a cada meia hora pela menor estrada do Brasil e a única de Noronha ela tem apenas sete quilômetros. A passagem custa R$ 2,50. O táxi, a maioria bugues, não cobra menos que R$ 15 para deixar na entrada da estrada de terra que termina lá, no posto de saída para o Sancho e para o Mirante dos Golfinhos. Você pode marcar o horário da volta.
Do Mirante à Praia do Sancho também é perto, por uma trilha arborizada e de terreno fácil. Para descer até a praia, o acesso é por meio de uma escada de ferro estrategicamente colocada em uma fenda. Reserve pelo menos uma tarde para curtir o Sancho. Mas lembre-se de levar água, um lanche e protetor solar, não há ambulantes por lá. Depois, vá para o Forte do Boldró, é perto dali, curtir o pôr-do-sol com direito a ''Bolero de Ravel'', uma tradição do local.
Quem está acostumado a fazer trilhas deve procurar por Márcio Dumel, um dos melhores guias credenciados da ilha, na palestra do Ibama. Ele só marca a trilha depois de conhecer pessoalmente os interessados. Uma das mais bonitas é a Trilha do Capim Açu, de seis a oito horas de caminhada, saindo perto do Sancho e retornando pelo Leão. A trilha é puxada e o terreno perigoso, há pedras vulcânicas soltas, mas o visual compensa o esforço.
Um alerta às mulheres que forem a Noronha sozinhas, para evitar assédio indesejável dos nativos, não façam passeios de barco ou trilhas sozinhas. Apesar de não ter nenhuma ocorrência de estupro na delegacia local, ouvi depoimento de uma garotas, que não quis se identificar, que foi violentada por um nativo. Ela foi fazer um passeio de barco sozinha, só ela e o marinheiro.
Tanto os mergulhos como os passeios podem ser agendados no mesmo local das palestras do Ibama, que começa todos os dias às 21 horas. As palestras são gratuitas, mas é bom chegar cedo, o local costuma lotar. (S.H)

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