Parece incrível mas a organização do Festival de Teatro é controlada por apenas cinco pessoas. De acordo com o coordenador de comunicação Leandro Knopfholz, os trabalhos começam seis meses antes de cada edição e ficam setorizados em comunicação, administrativo, financeiro e produção.
Na realidade cada peça contratada é um festival, reconhece Leandro. ‘‘As exigências individuais vão desde em que hotel cada um vai ficar, se os quartos serão single ou duplos, quem divide com quem os aposentos, até questões como ‘por que este teatro e não o outro?’’’.
Como se não bastasse fica a cargo da coordenação do FTC contratar os restaurantes, dividir as turmas para cada um, em todos os dias de estada na cidade, marcar as passagens aéreas, os horários de chegada, as entrevistas coletivas e ainda promover encontros sociais e profissionais de acordo com o interesse de cada um.
‘‘Estamos trazendo para Curitiba em torno de 500 pessoas que trabalham direta ou indiretamente com teatro, só na mostra oficial’’, contabiliza Leandro. Para o Fringe ele calcula em mais 300, sem contar o staff de 350 pessoas em Curitiba. O orçamento do festival para este ano ficou em R$ 3 milhões.
Nesses últimos dias de preparativos Leandro está resolvendo como trazer a carga da peça canadense ‘‘Needles and Opium’’. ‘‘Toda a produção não cabe num avião normal. Tivemos de contratar um vôo cargueiro’’, conta. Um dos problemas que não teve solução foi a contratação de sete sacis-pererês para a peça ‘‘Paia’’, de Marcos Frota e Gabriel Villela. ‘‘Não encontramos sete pessoas com as mesmas características e a peça ficou inviabilizada’’.
Desde o primeiro festival, há sete anos, os coordenadores vêm aprendendo e aprimorando a organização. ‘‘Desenvolvemos o sistema de ingressos, e estamos cada dia mais exigentes’’. Não é para menos, em 1997 o festival atraiu um público de 50 mil espectadores em 22 peças. Para este ano a previsão é de 60 mil pessoas.
Fizeram contatos com a organização do FTC profissionais da Argentina, Colômbia, México, Canadá, Hong Kong, Bélgica, Inglaterra, Croácia e Holanda. O festival vira uma grande feira ao vivo com direito a desfile de moda dos atores e produtores. Compradores de peças vêm do mundo inteiro. É nessa hora que os lançamentos ficam em evidência e todos precisam ser vistos.
Como é comum em todos os festivais, dentro e fora do Brasil, o período de sua realização é marcado por uma grande mobilização em torno da arte. ‘‘Aproveitando este impulso, estamos introduzindo a mostra paralela - o Fringe - e abrimos também espaço para duas peças infantis’’, afirma Leandro.

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