Norma conta a história do cinema nacional
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sábado, 27 de junho de 1998
Rosângela Marques Agência Estado 
Eleita um dos símbolos sexuais nos anos 50 e 60, a atriz, cantora, diretora e produtora de cinema Norma Bengell está preparando um filme sobre sua vida, com Cláudia Lyra no papel principal. O filme Norma, dirigido pela própria atriz, vai contar também uma boa parte da história do cinema nacional, que teve seu auge nos tempos da Vera Cruz e quase chegou ao esquecimento entre as décadas de 70 e 80. As filmagens em Roma e Paris - lugares onde a atriz também fez muito sucesso - serão feitas em novembro e, a partir de janeiro de 99, no Brasil.
Norma se orgulha de ter participado ativamente da criação da Lei de Audiovisuais, que beneficia empresários que apoiarem as produções culturais dando-lhes vantagens no imposto de renda e cotas de participações. Me sinto produtora de todos os filmes que estão sendo feitos no Brasil, porque foi a partir da minha iniciativa que tudo começou a voltar aos eixos, admite.
Durante os 44 anos da carreira, que começou aos 16 como manequim da Casa Canadá, no Rio de Janeiro, e teve sequência no teatro rebolado de Carlos Machado, Norma sempre esteve à frente de seu tempo. Ela foi a primeira atriz a protagonizar uma cena de nu frontal, no filme Os Cafajestes, com Jece Valadão, no início da década de 50.
Carioca de Rio Comprido, Norma é viúva do ator italiano Gabrielle Tinti, com quem esteve casada durante 30 anos. Nosso casamento foi feito dentro do estúdio da Vera Cruz, em São Paulo. Não tínhamos muito tempo disponível e chamamos um juiz para ir até nosso local de trabalho, lembra Norma, que convidará o ator Marcelo Anthony para viver seu marido no cinema.
Norma também fez as novelas Os Imigrantes, Os Adolescentes (ambas na Bandeirantes) e Partido Alto (Globo). O último trabalho como atriz foi no filme de Paulo Thiago, Moças de Fino Trato. Ainda nos tempos da Embrafilme, Norma dirigiu e co-produziu o filme Eternamente Pagú e depois da Lei de Audiovisuais, dirigiu e produziu o filme O Guarani, com Márcio Garcia e Tatiana Issa, além de vários documentários. Me angustia ficar num único veículo durante muito tempo, seja televisão, teatro ou cinema. No cinema, estou aprendendo a aplicar atrás das câmeras tudo o que aprendi diante delas, acrescenta.
Na época em que você fez Os Cafajestes, no início da década de 60, como foi a reação da sociedade diante das cenas de nudez?


