Arquivo FolhaBelezaPraia de Cumbuco, uma das muitas praias cearenses: sol, calor e águas mornasCom 3.300 km de belas praias a apenas sete horas de vôo da Europa, o Nordeste brasileiro quer perder o estigma de primo pobre do turismo nacional. Até hoje, a região tem sido referência de pobreza extrema, terra de cangaceiros e fornecedora de mão-de-obra barata para o resto do país.
Com um milhão e meio de quilômetros quadrados - 18% da superfície total do país - e mais de 46 milhões de habitantes, o Nordeste quer tornar os seus nove Estados em pólos turísticos de ponta. Os primeiros passos já foram dados pelo Estado do Ceará.
A secretária de Turismo deste Estado, Anya Ribeiro, está convencida de que a curto prazo o Ceará será tão conhecido pelos turistas estrangeiros como são atualmente as ilhas do Caribe e as cidades litorâneas da Espanha.
As sete horas que separam o Nordeste brasileiro da Europa e dos Estados Unidos fazem Anya acreditar que o ideal é possível. Sua primeira preocupação é conseguir vôos charter e convencer as companhias aéreas brasileiras a baixar os preços, considerados os mais caros do mundo.
A infra-estrutura hoteleira já está dando os primeiros passos. Embora o Ceará, assim como o resto do Brasil, tenha carência de pessoal de hotelaria, toda a região Nordeste já está em condições de fazer frente a um turismo não muito sofisticado, mas em busca de luz, sol e praias.
Obstáculos Segundo a secretária de Turismo do Ceará, a previsão de turistas para 1997 é de 900 mil pessoas (7,2% de estrangeiros). Anya Ribeiro pretende que este número chegue no ano 2000 a dois milhões, o mesmo que a República Dominicana recebe por ano, apesar de ser um país infinitamente menor.
No caminho para atrair os turistas europeus e norte-americanos, os obstáculos são países como Cuba - chamado por Anya de ‘‘nosso principal competidor’’ - e outros do Caribe. Sem contar, é lógico, com a Espanha, que desde os anos 60 se tornou praça forte do turismo de sol e praia para o restante da Europa e do mundo inteiro.
Em busca de uma economia baseada no turismo, o Estado do Ceará contará, a partir de janeiro próximo, com um novo aeroporto em Fortaleza, considerado o terceiro mais moderno do Brasil e que por si só já tem potencial para se tornar ponto turístico.
A pista onde hoje aterrissam os aviões cheios de turistas servia, nos anos 40, a uma base aérea norte-americana onde, segundo informações à AFP, pousou no dia seguinte de uma missão militar o ‘‘Enola Gay’’. O avião-fortaleza lançaria, em 6 de agosto de 1945, a primeira bomba atômica sobre a cidade japonesa de Hiroshima.

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