Nordeste espera mais europeus
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terça-feira, 15 de junho de 2004
Angela Lacerda<br> Agência Estado 
Recife - Já queimados do sol da Ilha de Itamaracá, na região metropolitana, Angela Marise Santos Gouveia, 27 anos, e Fernando Manoel Figueiredo Campos, 30 anos, estavam felizes no seu segundo dia de lua-de-mel, hospedados em um hotel cinco estrelas do Recife, na Avenida Boa Viagem. Portugueses, professores, eles nunca haviam visitado o Brasil e se inspiraram nas boas referências de amigos.
Com jeito maroto, Angela tirou de uma pequena embalagem um delicado e bonito anel com uma água marinha que custou R$ 650,00, na Casa da Cultura, no centro da cidade. A prova, segundo ela, de que a programação inicial de gastos, de R$ 2,5 mil durante a semana em terras pernambucanas, havia ido pelos ares. Eles vieram em um vôo charter e se mostravam muito contentes com a hospitalidade do povo, com a cultura, com a comida, com a beleza do patrimônio histórico de Olinda. E estavam ansiosos para seguir para Porto de Galinhas, no litoral sul, onde iriam passar quatro dias. ''Temos as maiores expectativas'', adiantou Fernando.
Todo o Nordeste recebeu cerca de 912 turistas europeus no ano passado, de acordo com a Fundação Comissão de Turismo Integrado do Nordeste (CTI-NE). A expectativa é de aumento de 12% em 2004.
Parte dos turistas portugueses e europeus que chegam a Pernambuco seguem direto para as praias do litoral sul. Querem desfrutar ao máximo o contato com o sol, a areia e o mar, que é o grande apelo atrativo do Nordeste, e muitos ficam em Porto de Galinhas, que oferece paz, mas também movimento e vida noturna. Da praia escolhida como base, fazem passeios de barco, conhecem praias vizinhas inclusive alagoanas, como Japaratinga e Maragogi.
Outros preferem hotéis próximos à Praia dos Carneiros, no município de Amaraji, onde podem vivenciar total sossego. É o caso de Silvina e Paulo Vanzeller, agentes de viagem portugueses que há cinco anos seguidos passam férias no Nordeste. Na primeira vez foram a Salvador e Maceió. Nas outras quatro, o destino é um hotel fazenda em Amaraji, onde só querem relaxar e curtir o filho pequeno. Grávida, Silvina já programa as férias do próximo ano, no mesmo local. Ela garante que não cansa. ''Poderíamos ir a qualquer lugar do mundo, mas aqui estamos num paraíso, somos bem tratados, temos paz'', afirmou ela, que aproveita a estada para fazer compras de roupas e calçados no Recife. ''Os preços são mais baratos em relação ao euro''. Nos 15 dias de férias pernambucanas, ela calcula que a família gasta cerca de R$ 7 mil, incluindo os custos com hotel.
Pernambuco foi visitado no ano passado por 320 mil turistas estrangeiros, 80% deles europeus. Destes, 75 mil vieram de Portugal. Metade dos portugueses chegou em vôos diretos de Portugal, via Tap ou vôos charter; a outra metade veio pelo Sul ou de outros Estados nordestinos. Um levantamento feito pela Empresa Pernambucana de Turismo (Empetur) revelou que os europeus gastam uma média de US$ 110 por dia e têm perfis específicos. Os portugueses se locomovem mais, fazem circuitos, alugam carro, vão para o interior; os italianos fogem da aglomeração das cidades e se recolhem em resorts ou pousadas no litoral; os nórdicos apreciam o ecoturismo. Os espanhóis gastam mais, em torno de US$ 145/dia. A grande maioria aprova Porto de Galinhas, Olinda e a gastronomia nordestina.


