Ele nasceu para ser a resposta da DC Comics a Wolverine, consagrado baixinho da rival Marvel Comics. Só que acabou superando o status de mera cópia para se tornar um dos mais engraçados personagens de todos os tempos. Lobo, caçador de recompensas quase invencível sem escrúpulo algum, ganha agora no Brasil encadernado com suas duas melhores histórias, em edição de luxo da Panini Comics.
Diferente de Wolverine, que vive com crises existenciais para domar a fera interior, Lobo tenta justamente o contrário, ou seja, não pensar, somente brigar. Essa faceta destrutiva veio da mente de Keith Giffen, que, com a ajuda de Alan Grant, conseguiu usar da violência banalizada o canal para o humor negro sobre um anti-herói machista.
É justamente isso que o torna engraçado, a capacidade dos autores de rirem de si mesmos em situações esdrúxulas com um personagem totalmente politicamente incorreto, que incomoda os puritanos mas diverte quem procura leitura despretensiosa. A violência estilizada conta com os quase expressionistas desenhos e pinturas do britânico Simon Bisley, colaborador do roqueiro Glenn Danzig, ex-Misfits, em ''Verotik'', e famoso por ilustrar o bárbaro celta Sláine.
''O Evangelho Segundo Lobo'', sugestão adulta, reúne ''O Último Czarniano'', que conta por que ele é o último de seu planeta em uma hilária missão, a de capturar uma idosa pra lá de inquieta; e ''Lobo Está Morto'', em que o Maioral morre e azucrina todo mundo no Céu e no Inferno antes de voltar para a Terra.

SERVIÇO
- O Evangelho Segundo Lobo - sai pela Panini Comics, com 212 páginas coloridas em formato 17 x 26 cm e capa dura, a R$ 52. Desaconselhável para menores de 18 anos.

mockup