NONA ARTE
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 08 de julho de 2008
Claudio Yuge<br> Equipe da Folha 
Sabe aqueles lugares pitorescos, charmosos, com características tão próprias a ponto de se tornar um personagem? Pois é, os quadrinhos de ''Local: Ponto de Partida'' contam histórias desses cenários, a partir da vida da jovem e inquieta Megan McKeenan, que vive viajando pelos Estados Unidos e essas locações peculiares.
Cada história se passa em um ano da vida de Megan, que, entre uma narrativa e outra, é a protagonista ou coadjuvante, transita entre seus sentimentos e suas necessidades, seus companheiros e inimigos, em clima de road movie. O foco do roteiro de Brian Wood (famoso por seu belo trabalho em DMZ, da Vertigo/DC Comics) é o que acontece em dado local, com material simples e cheio de vida, devido ao dinamismo de sua narrativa, que foge do lugar-comum (em um conto, por exemplo, a história é contada toda a partir de uma conversa telefônica em recortes cinematográficos).
O ilustrador Ryan Kelly também tem participação fundamental na criação dessa narrativa, ao usar da ''técnica Tintim'' de aproximar o visual de personagens com ''gente como a gente'' para promover a identificação e distanciar as locações do ''lugar qualquer'': afinal de contas, esses cenários têm vida própria e características específicas.
O ponto forte da história, que começou em 2005 e terminou este ano após 12 capítulos (a Devir reuniu seis neste primeiro volume), é também sua fraqueza na edição brasileira. Isso porque a maioria dos leitores não conhece as peculiaridades de cada região, fundamental para a atmosfera dos contos autocontidos. O que ajuda são os comentários dos autores: saber o que se passava por suas cabeças e as músicas que escutaram ao produzir cada episódio é uma diversão à parte.
SERVIÇO
- Local: Ponto de Partida, volume 1, é publicado pela Devir Livraria e tem 200 páginas com capa colorida e miolo preto-e-branco, no formato 16,5 x 24 cm. A edição custa R$ 32.


