Nome da companhia é
associado à energia
A formação da companhia Quasar começou em Goiânia em 1988, nas salas de Julson Henrique, professor que no início dos anos 80 dava vida à cidade, aparentemente alheia aos acontecimentos mais expressivos da dança contemporânea.
Foi na escola de Henrique que nasceu o núcleo precursor do Quasar: o Grupo Energia, do qual fazia parte a bailarina Vera Bicalho, cuja perseverança garantiu a continuidade do trabalho dos artistas que, mais tarde, integrariam o mais importante elenco da dança da capital goiana.
Ainda na época do Grupo Energia, Vera conheceu Henrique Rodovalho. Com o encerramento das atividades da escola de Julson Henrique e a desintegração do Grupo Energia, Vera e Rodovalho somaram forças para não deixar escapar as possibilidades que vislumbravam na época.
Tanta disposição refletiu na identidade do novo grupo. Para sugerir a multiplicação de energia que a nova proposta suscitava, batizaram o elenco em formação com o nome de Quasar, cujo significado está associado aos pontos do universo onde a alta concentração de energia é capaz de gerar estrelas e galáxias.
A fundação do Quasar revelou também o talento de Henrique Rodovalho, coreógrafo residente da companhia, cuja inventividade vem se comprovando a cada novo espetáculo. Com Rodovalho, o Quasar ganhou identidade, tornando-se laboratório de experimentos para criar a dança da contradição da nossa época.
Sem se fixar em modelos consagrados, o Quasar começou a pesquisar uma linguagem própria através do trabalho experimental. Livre de regras acadêmicas, valeu-se dos múltiplos intercâmbios da arte contemporânea para desenvolver um vocabulário sofisticado, mas capaz de provocar ressonâncias imediatas na platéia.
Pouco a pouco, o repertório do Quasar foi crescendo. Em 1992, Rodovalho já havia criado ‘‘Asas’’, ‘‘Estudos’’, ‘‘Sob o Mesmo Azul’’ e ‘‘Não Perturbe’’. Apresentações em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Recife já constavam no currículo da companhia, quando surgiu o convite para a primeira apresentação fora do Brasil, no espetáculo de abertura do 25º Festival de Arte e Dança de Manizales, na Colômbia.
Com o espetáculo ‘‘Versus’’, Rodovalho e seu elenco comprovaram a consistência de suas propostas. O reconhecimento do potencial da companhia ocorreu ostensivamante em 1996, quando o grupo venceu uma competição em Hamburgo (Alemanha). Além de marcar a primeira turnê européia, o ano de 1996 também trouxe a consagração no 3º Susanne Dellal Dance Festival de Tel-Aviv (Israel), onde ‘‘Versus’’ foi eleito o melhor espetáculo.
De volta ao Brasil, o grupo ostentava reconhecimento suficiente para participar com destaque do Carlton Dance Festival de 1996. A partir daí, o sucesso começou a rondar o percurso da companhia, que mais uma vez monopolizou atenções ao estrear ‘‘Registro’’ na segunda edição do Comfort em Dança, evento que, apesar de sua curta trajetória, procurou atrair para a dança brasileira a mesma atenção que a mídia e as platéias costumam proporcionar às atrações consagradas no cenário internacional.
Um triunfo na história do grupo, ‘‘Registro’’ rendeu cinco troféus. Por decisão do júri que integrou o Prêmio Mambembe de 1997, o Quasar conquistou cinco premiações como melhor do ano nas categorias grupo, espetáculo, coreógrafo e bailarinos-revelação.(E.M.C.)

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