"Noiva em Fuga" reúne Julia Roberts e Richard Gere
São Paulo, 9 (AE) - Hollywood começou os anos 90 atualizando o mito de Cinderela em "Uma Linda Mulher". O filme de Garry Marshall foi um grande sucesso de público. Consagrou a dupla Richard Gere-Julia Roberts e transformou a jovem desconhecida numa grande estrela, a mais bem paga do cinema na atualidade - Julia é a única a ganhar mais de US$ 20 milhões por filme. Sempre movido a resultados nas bilheterias, o cinema americano acalentou durante quase uma década o sonho de refazer o sucesso de "Uma Linda Mulher", reunindo novamente o trio vitorioso - o diretor Marshall e os atores Gere e Julia. Finalmente, o trio está de volta. Pode até ser que "Noiva em Fuga" venha a constituir-se em novo sucesso, mas a mágica do primeiro filme está irremediavelmente perdida.
Não que "Uma Linda Mulher" fosse uma maravilha, mas tinha charme. A história do milionário que imprimia seu toque de Midas à prostituta de Beverly Hills, mudando a vida dela, era pura fantasia, mas os atores pareciam tão adequados, a direção não emperrava a ação (nem o humor), o resultado era agradável e Julia, francamente, era um escândalo. Aquilo era cinema inconsequente, mas divertido. Aliás, nem tão inconsequente, porque insistia em velhos chavões que pareciam enterrados por décadas de feminismo.
Foram nove anos tentando reaprimorar a fórmula e surgiu a história de "Noiva em Fuga". Gere faz um jornalista de Nova York. Tem uma coluna de crônicas num jornal. Os alvos preferidos de suas tiradas mordazes são as mulheres. Nosso homem é um chauvinista. Encontra um caso exemplar para destilar seu veneno: Julia é a noiva que vive em fuga, deixando os noivos no altar. Gere escreve uma crônica sobre ela "de ouvir falar". Julia reclama do jornal, ele é demitido e resolve vingar-se. Viaja para a cidade em que ela vive, no interior, à espera de que Julia cumpra a tradição e abandone o novo noivo. Desta maneira, ele provará que estava certo e ganhará o emprego de volta.
Acontece o que qualquer pessoa imagina: os dois se envolvem. E Julia abandona Gere no altar - ou você acha que isso é tirar a graça? É tão previsível que o próprio trailer se encarrega de mostrar as imagens de Gere correndo atrás da noiva fugitiva. Todo o segredo está na maneira como eles vão ficar juntos. E isto é melhor não dizer para não estragar o prazer de ninguém.
Se "Uma Linda Mulher" era Cinderela, "Noiva em Fuga" está mais para o seu oposto. Julia perdeu o frescor, mas Gere não perde o ar de príncipe encantado, mesmo com os pneuzinhos a mais que ostenta. É (para as mulheres) um cobiçado galã maduro. Para resumir tudo em poucas palavras, é pior do que "Notting Hill" (faz o outro filme até virar legal), um compêndio de banalidades e obviedades que o brilho dos astros não consegue redimir.
Tranquilize-se: é só uma opinião isolada. Na pré-estréia de terça, no Astor, a platéia ria das piadas programadas como se o riso fosse engarrafado nos enlatados de TV. E, se isso significa alguma coisa, "Noiva em Fuga" faturou US$ 114 milhões em três semanas nos Estados Unidos. É o que se pode chamar de sucesso garantido. Noiva em Fuga. Comédia romântica. Direção de Garry Marshall. Com Julia Roberts, Richard Gere, Joan Cusack. Duração: 116 minutos.





