São Paulo, 09 (AE) - Foi uma noite solene, de vibração contida. Antônio Pinto, Jaques Morelenbaum e as cordas do String Ensemble fizeram a abertura da noite de ontem. O quarteto do contrabaixista Zeca Assumpção, tendo como convidado o guitarrista norte-americano John Scofield, fez o segundo show. Antônio Pinto escreveu, com o violoncelista Jaques Morelenbaum, a trilha sonora de "Central do Brasil", de Walter Saller Jr. Foi a música que serviu de eixo para a apresentação. Casou-se com outras músicas de cinema: a que Antônio compôs para "O Primeiro Dia", de Walter Salles e Daniela Thomas; a que fez com Caetano Veloso, para "O Quatrilho", de Fábio Barreto - assim por diante.
O maestro Nelson Ayres, que estava na platéia, identificava certa marca registrada na música de Antônio Pinto. Ele é um jovem compositor e sua música deve estar em expansão. A de "Central do Brasil" mostra influências claras do italiano Nicola Piovani e do norte-americano Philip Glass - talvez o compositor nem seja consciente de tais influências. Piovani, autor da trilha sonora de "A Vida É Bela", é uma influência nítida na música para cinema de Morelenbaum, que tem estilo próprio, desenhado ao longo dos anos em que tocou com Gismonti, Tom Jobim e com Caetano. Foi uma apresentação com momentos de muita emoção.
Mais complexo e eloquente, o trabalho de Zeca Assumpção mostrou música para cena e até bossa nova, de John Scofield. Foi brilhante e difícil - mas a platéia era quase toda de músicos, que souberam apreciar e aplaudir. (M.D)

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