Brigitte Bardot já havia feito 13 filmes - ''Se Versalhes Falasse'', de Sacha Guitry, ''As Grandes Manobras'', de René Clair, e ''Meu Filho Nero'', de Steno, entre eles - quando Roger Vadim tirou sua roupa e fez dela um mito sexual em ''E Deus Criou a Mulher'', em 1956. O mundo descobriu aquela mulher-criança que fazia beicinho para expressar desejo e trocava de homem como quem troca de roupa, anunciando uma revolução do comportamento que seria consolidada com a pílula, nos gloriosos anos 1960.
É tempo de lembrar Brigitte. O Eurochannel, da TVA e DirecTV, promove hoje a Noite Nostalgia - Brigitte Bardot. Começa com o documentário ''A Estrela, a História'', e prossegue com dois longas que serão exibidos em sequência: o primeiro é justamente ''As Grandes Manobras'', que pertence à era pré-mito, e o outro, ''A Parisiense'', de Michel Boisrond - que se chamava ''O Príncipe e a Parisiense'' ao passar nos cinemas. Quando o segundo foi feito, BB já era um produto de exportação da França comparável ao champanhe, já que também ela era borbulhante e embriagadora.
Brigitte faz um papel ainda pequeno em ''As Grandes Manobras''. A comédia clássica de Clair é centrada no personagem de Gérard Philippe, um galante oficial que pratica com desenvoltura a arte da conquista amorosa. Em compensação, ela é a estrela absoluta de ''A Parisiense'', no papel da filha do primeiro-ministro da França que, insatisfeita com o marido, na cama - e ele é um adido militar -, arranja um amante durante romântica estada na Riviera Francesa. Clair, o chamado príncipe da comédia francesa, virou saco-de-pancada dos críticos ligados ao movimento que passou à história como nouvelle vague. Boisrond também não se confundiu com o movimento; era, antes, um bom especialista em comédias de boulevard. Dirigiu Brigitte várias vezes e foi um dos responsáveis pela consolidação do mito lançado por Vadim ao dirigir a estrela em filmes como ''Mlle. Pigalle'' (anterior a ''E Deus Criou a Mulher'', que pode ser conferido em DVD), ''Quer Dançar Comigo?'' e ''Amores Célebres''.
No Brasil, Norma Bengell virou estrela imitando BB em ''O Homem do Sputnik'', chanchada de Carlos Manga com Oscarito. A própria Brigitte foi dirigida, a seguir, por autores como Louis Malle (''Vida Privada'', ''Viva Maria'' e o episódio de ''Histórias Extraordinárias'') e Jean-Luc Godard (''O Desprezo''). Em 1974, abandonou o cinema, após Colinot, de Nina Companaez. Sem ligar para a aparência, envelheceu solta, como sempre viveu e hoje, quase septuagenária (nasceu em 1934), dedica-se a defender a natureza e os animais.
Serviço: Noite Nostalgia - Brigitte Bardot. Hoje, no Eurochannel. ''A Estrela, a História'', às 21h30; ''As Grandes Manobras'', às 22h30; ''A Parisiense'', à 0h15.

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