Carlos Eduardo Lourenço Jorge
De Londrina
Especial para a Folha2
Não há como fugir muito da maratona festiva da entrega do Oscar. Algumas cerimônias são insuportáveis, a maioria é apenas arrastada e tediosa e, vez ou outra, uma fada madrinha abençoa a produção e o show, embora não abrindo mão de ilimitada quilometragem, acaba tendo bem mais acertos. Ou bem menos erros, diriam alguns. Foi o que aconteceu na noite de domingo e madrugada de ontem. Cinéfilos mais resistentes não se arrependeram.
De saída, uma certeza: Billy Cristal não está, ele é o mestre-de-cerimônias. Ainda que Whoopi Goldberg tenha sido sempre esperta e engraçada – e ela é de fato – a centelha carismática de Cristal é inegável. Depois de uma esplêndida, inventiva abertura invadindo de forma impagável sequências inesquecíveis de clássicos de todos os tempos, dentro ou fora do script ele nunca perde o timing, e mantém a temperatura elevada.
Momentos de emoção justificados e merecidos, no palco sobriamente elegante do Shrine Auditorium. A volta triunfal de Jane Fonda pós-Ted Turner, em modelito que só fez realçar as belas formas sexagenárias; o ‘‘medley’’ conduzido por Burt Bacharat, com Ray Charles e cia. reforçando a crise de criatividade hoje em dia nas canções para cinema; a seção fixa ‘‘In Memorian’’, quando a platéia do lado de cá leva sempre algum susto diante do necrológio da categoria; as homenagens a Warren Beatty e ao cineasta polonês Andrzej Wajda; a euforia suspeitada mas afinal legítima de Penelope Cruz e Antonio Banderas ao anunciar ‘‘Todo Sobre Mi Madre’’ como melhor filme estrangeiro; a lição profissional de Michael Caine, sem dúvida o melhor coadjuvante.
Quanto aos prêmios, nada tão surpreendente. Mas os discursos continuam longos, e são o único motivo da quebra de ritmo e obviamente da meia hora excedente, madrugada adentro. Quanto à transmissão pela TV brasileira, pontos para o SBT pelo canal aberto. A dupla Babi-Rubens Ewald esteve tranquila, sem excessos ou tropeços ou deslumbramentos nas informações.
Não há solução para a duplicidade de áudio entre som original da festa e a tradução simultânea em estúdio. Questão básica de velocidade do som, ainda não resolvida pela Física. Mas é recurso bem aceitável. Enquanto isso, no canal pago Telecine, José Wilker como comentarista é desanimador.