Se prevalecer o bom senso do júri , a ótima comédia ‘‘Pantaleón y las Visitadoras’’, de Francisco Lombardi, leva para o Peru o prêmio de melhor filme do 28º Festival de Gramado - Cinema Latino e Brasileiro. A cerimônia de encerramento da mostra será hoje à noite, no Palácio dos Festivais. Antes dos prêmios, o público fica sabendo porque o brasileiro ‘‘Eu, Tu, Eles’’, de Andrucha Waddington, foi longamente aplaudido em mostra paralela do último Festival de Cannes. O filme fecha ‘‘hors concours’’ uma programação que exibiu durante a semana 88 filmes, entre longas, médias, curtas e Super-8. Nesta bitola menor, como sempre, os gaúchos levaram quase todos os prêmios. E como acontece todos os anos em tempo de festival, a cidade de 25 mil habitantes multiplica várias vezes o contingente turístico. A estimativa da Secretaria de Turismo é que 100 mil pessoas já estão aqui desde ontem - agora submetidas ao absoluto rigor do inverno, que voltou a fazer sentido - ocupando os cinco mil leitos só da rede hoteleira local, a maior da Serra Gaúcha.
Ontem, última noite da mostra competitiva, o confronto direto entre longas da Argentina e Brasil favoreceu o representante portenho. A comédia romântica ‘‘El Mismo Amor, La Misma Lluvia’’, de Juan Jose Campanella, é bem mais consistente do que a estréia na direção da atriz Florinda Bolkan, ‘‘Eu Não Conhecia Tururu’’, também comédia de costumes. E a boa notícia entre os brasileiros em concurso é que Sérgio Rezende, depois da fase dos grandes projetos (‘‘Canudos’’, ‘‘Mauá - O Imperador e o Rei’’), retoma o formato pequeno, intimista, o drama recluso dos primeiros tempos da carreira e obtém expressiva vitória com ‘‘Quase Nada’’.
Os uruguaios comemoram. O concorrente ‘‘El Viñedo’’, de Esteban Schroeder, estreou comercialmente em Montevidéu e principais cidades do país em maio, com distribuição garantida pela Buena Vista International. O resultado é um sucesso de público sem precedentes, e doses comprensíveis de otimismo quanto às expectativas de retomada da produção cinematográfica. O filme, a rigor um telefilme registrado em vídeo digital e transposto para película, é um policial rotineiro, embora bem conduzido, baseado em fato ocorrido na periferia de Montevidéu em 98: um rapaz invade área privada para apanhar uvas e é assassinado pelo proprietário. Um jornalista decide investigar paralelamente, gerando problemas com a polícia e com o jornal. O detalhe é que a família do assassino está processando o diretor Schroeder e toda a equipe de produção de ‘‘El Viñedo’’.
Na programação paralela, ontem teve desfile de sem-terras no Palácio dos Festivais. Enbandeirados, cerca de 80 representantes do movimento foram prestigiar o documentário ‘‘O Sonho de Rose, 10 Anos Depois’’, que relata o que aconteceu com as 1.500 famílias que em 85 participaram da primeira grande invasão e ocupação de um latifundio improdutivo, a Fazenda Anoni, no Rio Grande do Sul, aliás o berço do MST.

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