Noite de gala com Rayol
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O cantor Agnaldo Rayol volta a apresentar um programa musical de televisão, o Noite de Gala, que será gravado na Ópera de Arame, em Curitiba
Programa mais
marcante foi o
Corte-Rayol Show
Agnaldo Rayol quer
músicos cantando e
tocando ao vivo
Zeca Corrêa Leite
DivulgaçãoAgnaldo Rayol assume o programa Noite de Gala, que já foi apresentado por Clodovil na mesma Ópera de Arame
Agnaldo Rayol vive um momento fantástico em sua carreira, como há muito tempo não vivia. Aos 60 anos de idade, completados dia 3 de maio, e caminhando para os 41 de vida artística - surgiu para o estrelado na extinta TV Tupi de São Paulo, com Sonhos Musicais, em 1958, antes mesmo de ter gravado seu primeiro disco -, ele agora tem olhos, coração e mente voltados para o programa Noite de Gala, que irá ao ar dia 19 de junho pela CNT.
Noite de Gala será gravado dia 16 no Teatro Ópera de Arame, em Curitiba, assim como fez Clodovil, há dois anos. O título é o mesmo, a emissora idem, e apesar deste também ser um musical, ele virá acrescido da marca pessoal, a personalidade de Agnaldo Rayol.
Tem tanta gente que temos vontade de ver novamente e estão fora da televisão, diz Rayol prometendo trazer atrações que não entram nas concorrentesO artista passou dois dias da semana passada em Curitiba - terça e quarta-feira -, discutindo com a direção da CNT detalhes do projeto, gravou chamadas na passarela do teatro e, como a agenda estivesse repleta, recebeu a reportagem da Folha Dois na sauna do Hotel Mabu, sem perder a classe e a euforia. Noite de Gala é a grande volta do musical na televisão brasileira, comemora.
Plano divinoO esquema do programa está fechado - as gravações acontecerão na terça e será levado ao ar na sexta. Exatamente como acontecia na TV Record, nos tempos do Corte-Rayol Show. Poderia ser uma feliz coincidência se o artista acreditasse nisso. Coincidência é uma palavra inventada; o que existe é uma coisa que já está planejada, um grande plano divino, explica.
Rei da Voz é o Francisco Alves, eu sou apenas um cantor, afirma um modesto Agnaldo Rayol que levará ao programa músicos de vários estilosAcho que existe toda uma mágica nisso tudo. Essa coisa da química entre uma pessoa e outra, funciona também no que se refere a essa coisa de datas. Tudo isso faz parte de um caldeirão mágico, argumenta. Ele espera que dessa poção resulte algo brilhante, emocionado e essencialmente musical.
Todos os gênerosOs augúrios, como se vê, são de sucesso. Agnaldo planeja trazer ao programa convidados super especiais, sem que necessariamente sejam aqueles que estão em alta na mídia. A constalação para ele vai além, com estrelas que estão fora dela. Tem tanta gente que temos vontade de ver novamente e estão fora da televisão... Nosso programa será aberto a todos os gêneros, afirma.
O cantor prepara-se para levar semanalmente Brasil afora, via rede CNT, um espetáculo glamuroso. Apesar do brilho, do champanhe borbulhante, da gravata borboleta irá imperar a informalidade e o carinho com os convidados, tanto da novíssima como da velha guarda. Será um programa à vontade e não poderia ser de outra forma, reitera o apresentador.
Acostumado a pisar nos mais variados palcos, Agnaldo conhece praticamente todo o meio artístico. Depois de se apresentar cantando com tanta gente maravilhosa, imagina reeditar esses momentos no Noite de Gala. Ou seja, promover o que ele chama de duetos inusitados. Para que isso aconteça dependerá unicamente dos convidados.
Corte-Rayol ShowApesar do artista ter apresentado por oito anos o Festa-Baile, na TV Cultura, o registro mais marcante na televisão brasileira continua sendo o Corte-Rayol Show. Essa marca tão evidente poderia levar à comparações entre um programa e outro?
Agnaldo diz que não. A nossa proposta é fazer uma grande revista musical, de entretenimento. O Corte-Rayol era humor e música, porque tinha o Renato Corte Real (humorista). Pretendemos fazer uma fórmula que seja de muita música, entretenimento e se o humor pintar, virá naturalmente.
Terá também bate-papo com personalidades conhecidas, como gente de teatro, desportistas, escritores. Não será propriamente uma entrevista, antecipa o cantor - não gosto dessa palavra -, mas um encontro rápido com muita risada e, especialmente, emoção.
Cercado de tantos cuidados e sugestões do apresentador, Noite de Gala viria a ter a sua cara? Agnaldo ri - com quatro décadas exposto nas telinhas, minha cara é mais ou menos uma marca registrada. Mas quanto ao programa o que a emissora e ele querem é que em primeiro lugar ele seja digno. Uma coisa bonita, de brilho, que não tenha muito cenário.
O teatro por si só é um cenário, na opinião de Agnaldo Rayol. Se colocar elementos em excesso no palco, acaba sujando-o. Falta o quê para o Ópera? Um belo piso no palco, uma luz muito bem feita e orquestra maravilhosa, enumera. Está pronta a receita. Depois é só levar esse glamour para as pessoas em casa, mas sem falsidade, sem mentira.
Trocando em miúdos, a intenção é que os artistas, em sua maioria, se apresentem no musical cantando sem playback. O ideal seria cantarem com nossos músicos. Fazer como fazíamos antes. Era uma maravilha, era algo verdadeiro, afirma.
O uso indiscriminado do playback gerou essa coisa ilusória, a que o brasileiro se acostumou. Esse é o aspecto mais preocupante. O público está se acostumando ou já se acostumou com isso, que é uma espécie de vício, comenta Agnaldo. No Noite de Gala nós queremos a emoção do momento, que o artista abra a boca e cante, embora reconheçamos que, por questões técnicas, nem sempre isso seja possível, finaliza.





