Gramado, 13 (AE) - "Por trás do Pano", de Luiz Villaça
foi o terceiro e último filme brasileiro a se apresentar no Festival de Gramado. Mas, na quarta noite do evento, o foco das atenções não esteve sobre um eventual candidato a vencedor do festival e sim sobre os homenageados, os produtores Lucy e Luiz Carlos Barreto, que receberam o Troféu Oscarito. Toda a segunda parte do programa foi reservada para a homenagem ao casal. Vieram os filhos - Bruno e Fábio (ambos cineastas) e Paula -, a matriarca Lucíola, mãe de Lucy, o genro Cláudio Adão, netos, amigos, colaboradores, etc. Um grande encontro de família.
Em seguida, foi exibido o vídeo "Lucy e Luiz Carlos - Paixão de Cinema", dirigido por Fábio Barreto e Luiz Fernando Goulart. Não se trata de analisar um produto no fundo também ele familiar, preparado ad hoc para prestar uma homenagem e, portanto, explicitamente encomiástico. Basta assinalar que a primeira parte é mais interessante do que a segunda. Isso porque o vídeo vai do histórico à intimidade e a vocação do primeiro é ser mais universal que a segunda. De fato, Barreto, o patriarca, tem uma trajetória de vida das mais interessantes.
Repórter - de texto e fotográfico - da revista "O Cruzeiro", acabou conhecendo por acaso os jovens que tentavam fazer cinema no Brasil no fim dos anos 50: Gláuber Rocha, Cacá Diegues, Arnaldo Jabor, entre outros. Tornou-se amigo e colaborador do grupo. Assinou a inovadora direção de fotografia de duas obras-primas do Cinema Novo, "Vidas Secas", de Nelson Pereira dos Santos, e "Terra em Transe", de Gláuber Rocha. Transformou-se em produtor e distribuidor.
Esteve à frente de praticamente tudo o que se fez em termos de cinema nacional dos anos 60 para cá. Mas, claro, não é a figura unidimensional apresentada por um vídeo que, de resto, não se pretende documentário imparcial, mas tributo de amor filial prestado ao homenageado. Festival - Voltando à competição. Quem considerava "Por trás do Pano" um concorrente frágil, teve a surpresa de ver o longa-metragem de Luiz Villaça muito bem recebido pelo público. Denise Fraga faz a estreante em teatro chamada para contracenar com um ator e diretor consagrado, interpretado por Luís Melo. Aos conflitos vividos pelos dois no palco somam-se os atritos com seus respectivos cônjuges, vividos por Pedro Cardoso e Marisa Orth.
Uma comédia romântica com traços de inteligência, algumas fragilidades evidentes (uma delas a própria Denise tentando viver Lady Macbeth), mas de inegável encanto. Tudo somado, um filme pelo menos agradável de ver, mas que não deve ser muito lembrado na noite de premiação. Festival, em termos gerais, pede outro tipo de filme. Por sua vez, a mostra de curtas-metragens apresentou um fortíssimo candidato ao Kikito principal da categoria: a animação "De Janela pro Cinema", de Quiá Rodrigues, exercício criativo de cinefilia feito com massinha e bonecos.
No enredo, uma mulher sensual, Marilyn Monroe, é ameaçada pelo Nosferatu, de Murnau, observada à distância por Carlitos e o James Stewart de "Janela Indiscreta", mas cai finalmente nos braços de Macunaíma, de Joaquim Pedro de Andrade. Vitória de Grande Otelo sobre os rivais anglo-saxões. Uma jornalista presente à sessão definiu assim o filme: "São 15 minutos de encantamento". Treze, na verdade. Mas dá na mesma. Amanhã à noite, depois da exibição fora de concurso do épico "Mauá - o Imperador e o Rei", de Sérgio Rezende, serão conhecidos os grandes vencedores do 27.º Festival de Cinema de Gramado.

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