Noite de cordas na Oficina de Música
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segunda-feira, 07 de janeiro de 2002
Zeca Corrêa Leite 
Curitiba - As cordas comandam a primeira noite de espetáculos da 20ª Oficina de Música de Curitiba, excetuando-se o concerto de abertura que ocorreu ontem no Guairão. Hoje, professores do festival sobem ao palco do Canal da Música para apresentarem obras de Camargo Guarnieri, Almeida Prado e Villa-Lobos. Quebrando a hegemonia das cordas, terá o solo de trombone de Wagner Polistchuk que tocará a Improvisação nº 1 para Trombone Solo, de Henrique Crespo. Início às 21 horas, com entrada franca.
O público que comparecer ao Canal da Música terá contato com Paulo Porto Alegre que executará de sua autoria Pequenos Estudos para Violão Solo; em seguida vem Wagner Polistchuck. Encerrando a primeira parte Betina Stegmannn (violino) e Rúbia Santos (piano) tocam de Camargo Guarnieri a Sonata nº 4.
Na segunda parte o duo formado por Marcus Ribeiro (violoncelo) e Luiz Henrique Senise (violoncelo) executam a Suíte para Violoncelo e Piano, de César Guerra Peixe, Canto do Cisne Negro e Trenzinho do Caipira, de Villa-Lobos. A sessão termina com Senise apresentando Cartas Celestes, de Almeida Prado.
O espetáculo desta noite reúne um elenco de importantes músicos, todos donos de respeitáveis currículos. O paulistano Paulo Porto Alegre, que por alguns anos deu aulas no Festival de Música de Londrina, além de instrumentista é compositor, arranjador.
Como solista apresentou-se com as principais orquestras brasileiras, sob regências de Eleazar de Carvalho, Isaac Karabchewsky, Camargo Guarnieri entre outros. Foi o primeiro brasileiro a conquistar o primeiro lugar no V Concurso Internacional de Violão Palestrina (1979) e no III Concurso Internacional de Violão do Festival Villa Lobos (1984), além de outras premiações.
O trombonista Wagner Polistchuk leciona no áDepartamento de Música da ECA-USP. Seus estudos iniciados em São Paulo, foram aperfeiçoados na Alemanha. Foi o primeiro brasileiro a ser convidado para um recital erudito no Internacional Trombone Festival, realizado na Universidade de Illinois, em 1997. A performance, bastante elogiada pela crítica, rendeu um novo convite, desta vez em Nashville, Tennessee.
Recentemente lançou o CD Collectanea, para Trombone Solo e Piano, com obras de compositores brasileiros, e primeiras gravações mundiais de Ernst Mahle, Michael Kelly, Claudio Santoro, Káathia Bonna, além de José Siqueira e Osvaldo Lacerda entre outros.
Betina Stegmann, violinista argentina, estudou com Lola Benda e Erich Lehninger. Diplomou-se pela Escola Superior de Música de Colônia onde foi aluna de Igor Ozim, em violino, e do Quarteto Amadeus, em música de câmara. Aperfeiçoou-se com Chaim Taub também presente na 20ª Oficina , em Tel-Aviv, Israel.
Apresenta-se como recitalista e solista pela Europa, América do Sul e EUA, além de integrar o Quinteto DElas com quem ganhou o Prêmio Carlos Gomes na categoria música de câmara, em 1998 , a Orquestra Jazz, a Sinfônica de São Paulo. É spalla da Orquestra de Câmara Villa-Lobos.
Marcus Ribeiro, violoncelista carioca, a convite de Antonio Meneses, frequentou durante três anos a seleta classe do artista na Musikakademie Basel, na Suíça, onde obteve o título de Concertista-Master Degree em 1999.
Premiado em váários concursos, Marcus Ribeiro representou o Brasil no Festival Latino-Americano de Música, na Bolívia, onde realizou inúmeras apresentações. Neste mesmo ano realizou turnê internacional com o Rio Cello Ensemble, passando pela Argentina, Portugal, Inglaterra e França.
No momento atua no Quarteto Guerra-Peixe (foi seu fundador), integra a Orquestra Sinfônica Nacional da Universidade Federal Fluminense, além de ser primeiro violoncelista da Orquestra Sinfônica Jovem do Mercosul, com a qual gravou dois CDs, um deles ao vivo no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Com o pianista Luiz Senise mantém um duo que transita pelo repertório barroco até a música contemporânea. Participou de gravações de cantores populares como Nana Caymmi. Chico Buarque, Djavan, Roberto Carlos, entre outros.
Luiz Henrique Senise traz em sua formação cursos de interpretação pianística com mestres que ficaram para a história como Jacques Klein e Magdalena Tagliaferro. Aperfeiçoou-se com Bruno Seidlhofer, em Viena e concluiu mestrado na Universidade Internacional de Paris, na classe de Eliane Richepin. Atualmente é professor da Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Senise trabalha com um repertório que abrange do barroco à música contemporânea, dedicando especial atenção à divulgação de compositores brasileiros. Sua estréia no Carnegie Recital Hall de Nova York, foi saudada no The New York Times por J. Horowitz, que ressaltou as execuções de Debussy e Liszt. Um pianista superior, dedos possantes, idéias incisivas e habilidade para equilibrar impetuosidade com refinamento, escreveu Horowitz.
Amanhã os sopros ocupam a programação, também no Canal da Música, com um concerto do Quinteto de Sopros de Curitiba. O repertório trará obras de Mozart, Carl Nielsen e Jean Français. Compõe o grupo Bridget Bolliger (flauta), Joel Gisiger (oboé), Luís Afonso Montanha (clarineta), José Costa Filho (trompa) e Jamil Mamedio Bark (fagote).
20ª Oficina de Música de Curitiba. Apresentações de Paulo Porto Alegre (violão), Wagner Polistchuk (trombone), Betina Stegmann (violino), Rúbia Santos (piano), Marcus Ribeiro (violoncelo) e Luiz Henrique Senise (piano). Às 21 horas no Canal da Música (Rua Júlio Perneta, 695 Mercês). Entrada franca.


