Noite de abertura tem de jovens talentos a estrelas consagradas
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quarta-feira, 13 de outubro de 1999
Por Roberta Jansen 
Rio, 14 (AE) - Jovens talentos e estrelas consagradas. A primeira noite da 14.ª edição do Free Jazz Festival em São Paulo apresentará desde as mais novas revelações do cenário musical, com suas novidades e experimentações, até feras consagradas do jazz como o lendário baterista Roy Haynes, que já tocou com Sarah Vaughan, Billie Holliday e Ella Fitzgerald. Os artistas estão no Brasil desde a tarde de quarta-feira.
As primeiras atrações da noite se apresentam no espaço New Directions, a partir das 20 horas. Jacky Terrasson Quartet é o primeiro a subir no palco destinado às novas tendências do jazz. O quarteto é liderado pelo pianista Jacky Terrasson, considerado pela crítica americana um "fenômeno" que trouxe vida nova aos standards. Terrasson, no entanto, rejeita o título de "young lion" - termo usado pela crítica para se referir aos "novos leões" da cena jazzística. "Não gosto que me chamem assim e não me refiro a ninguém dessa forma", disse. "É apenas um termo de marketing".
Terrasson estudou no Berklee College de Boston e, em 1993, com apenas 27 anos, ganhou o rigoroso concurso Thelonious Monk sendo, em seguida, contratado pela gravadora Blue Note. Ele já tocou com cantoras como Betty Carter e Cassandra Wilson. "Nesses casos, procuro misturar-me aos outros músicos, formando a melhor tapeçaria possível para o cantor". Ele é mais conhecido, no entanto, por seu trabalho-solo - que apresentará na primeira noite do Free Jazz à frente de seu quarteto.
A outra atração do New Directions é Marc Ribot y Los Cubanos Postizos. Ribot, que já gravou Thelonious Monk, Tom Waits e Elvis Costello, decidiu investir no universo musical cubano em seu último trabalho. Criou os Cubanos Postizos em homenagem ao maestro cego Arsenio Rodríguez, exímio músico de tres (uma espécie de violão que Ribot também usará em seu show).
No Main Stage os shows começam às 22 horas, com a apresentação do rap do The Roots. A inovação que esse grupo da Filadélfia apresenta é fazer rap abrindo mão do "sampler" e usando instrumentos de verdade - uma mistura que já foi chamada pela crítica de jazz hip-hop. "A influência do jazz em nosso trabalho é tão grande quanto a do rock, do soul e de outros ritmos", explicou o baterista da banda, Ahmir Khalib, rejeitando o rótulo.
"Nosso objetivo é manter a origem e a qualidade do hip-hop, sem se perder em função da mídia, do dinheiro ou da vontade de produtores". Por isso mesmo, preferem definir-se como uma banda orgânica. "Somos naturais no sentido de não termos sido violentados pela padronização; somos naturais em nossa forma". Os integrantes do The Roots não adiantaram como será o show de amanhã à noite. "Nunca planejamos shows porque é muito chato esse negócio de roteiro e lista de músicas", afirmou Khalib. "A gente sente o clima e vai tocando".
A segunda atração da noite do Main Stage é o escocês Finley Quaye, considerado a grande revelação do reggae inglês. O último a se apresentar no palco principal é o sueco Eagle-Eye Cherry, filho do jazzista de vanguarda Don Cherry (1936-1995) e irmão da pop star Nenneh Cherry. "Comparam meu estilo ao blues, mas eu só acho que devo contar boas histórias, principalmente sobre os lugares e as pessoas que conheci", disse.
No palco Club, onde os shows começam às 23 horas, o primeiro a se apresentar é o pianista, arranjador e compositor brasileiro Leandro Braga. O jazz, a música erudita e a bossa nova são elementos fortemente presentes em sua formação musical. A noite se encerra com a participação do veterano baterista Roy Haynes e sua banda. Aos 73 anos, Haynes é considerado um mito. Além de ter tocado com algumas das principais cantoras do meio jazzístico, já acompanhou nada menos que Louis Armstrong, Charlie Parker e Lester Young.
"Quando comecei, nos anos 40, não tínhamos escolas de jazz; aprendíamos tocando com os grandes músicos", relembrou Haynes. "Não sei se isso trouxe mudanças na forma de tocar, mas
certamente, os músicos de hoje estudam mais música, são mais espertos e entendem mais de negócios". Para Jacky Terrasson, um típico representante da nova geração formada em grandes escolas de jazz, o que falta aos novos músicos é justamente estrada. "Acho que parte do problema da nova geração é que falta a experiência de tocar com grandes músicos e bandas", afirmou.


