Noite agitada, com lambada ainda em alta
Aos que não dispensam uma badalação, a noite em Arraial d'Ajuda ferve. O intercâmbio entre vários países começa ali. É a hora em que portugueses, argentinos e holandeses - que aterrissam semanalmente vindos em vôos charter lotados de Porto Seguro - curtem a noite ao lado de paulistanos, mineiros, cariocas e brasilienses, os representantes brasileiros que mais viajam para a região. E, claro, com os hospitaleiros e dengosos baianos. Tudo embalado por violão, MPB, jazz, blues e música eletrônica.
Numa rápida circulada pela Estrada do Mucugê dá para ter uma idéia da variedade gastronômica da vila. Graças aos turistas estrangeiros que se apaixonaram por ela e ali fincaram sua bandeira em busca de paz, sossego e qualidade de vida. O burburinho na Broadway - a rua mais famosa do povoado, onde dizem que nasceu o famoso drinque batizado de capeta (com cachaça, mel, limão e guaraná em pó) - já não é mais o mesmo. A rua continua movimentada, porém com menos bares. O point do momento é mesmo a Estrada do Mucugê, onde fica o Beco das Cores, a famosa vielinha com seus bares e lojas de artesanato e de roupa sempre lotados. Este, aliás, é o ponto de encontro entre todas as tribos.
Depois do aquecimento nos bares e restaurantes, o destino é o D.O.C. Club, uma balada de música eletrônica. Também tem o Espaço Platô, um lugar em que a noite começa com apresentações de capoeira e dança afro-brasileira e termina com o techno comandado por um DJ. Já no Parracho rolam animados luaus madrugada adentro.
A época de carnaval também costuma ser animadíssima, mesmo com um número reduzido de foliões se comparado a Porto Seguro e Salvador. Em Arraial, desfilam o jegue elétrico (uma espécie de trio elétrico puxado por um jegue) e a bandeirosa (um bloco carnavalesco GLS). E ainda tem a festa das máscaras, regada a champanhe, e um bloco tradicional em que só mulheres desfilam. ''Somos mais de cem'', conta Viviani Tomé, que deixou Belo Horizonte há 11 anos para viver em Arraial.
Mas a verdade é que ninguém precisa de muito para se divertir na noite local. Se quiser, experimente sentar-se em um dos bares com mesinhas na calçada só para ficar observando o vaivém das pessoas. Com certeza você vai sair dali com algumas boas histórias para contar e recordar.
Ah, tem mais uma coisinha: naquelas bandas, acredite, a lambada continua em alta - e não perdeu suas características. Nativos e nativas de corpos malhados dão aulas de dança para os turistas que quiserem entrar no ritmo. (C.V.)





