Noel, sempre Noel
Quinteto de músicos faz show hoje em Maringá em homenagem ao compositor Noel Rosa
Celina Alonso Az

Reprodução
Noel Rosa, um dos gênios da MPB, deixou um legado musical com mais de 400 sambasSempre é hora de lembrar Noel Rosa. O show ‘‘Palpite Feliz’’, uma homenagem que um grupo de artistas de Maringá apresenta hoje, às 21 horas na Sociedade Médica de Maringá faz um passeio pela obra do genial compositor brasileiro.
Os músicos José Francisco e Celso Barreto, no violão, Sidney Senhorini, no piano, Beto Batera (bateria) e a cantora Ana Lúcia Colodetti mostram canções consagradas do poeta da Vila Isabel. Entre elas ‘‘Palpite Infeliz’’, que fez sucesso na voz da musa do poeta, Araci de Almeida, ‘‘Conversa de Botequim’’ e ‘‘Três Apitos’’, ‘‘Pela Décima Vez’’, ‘‘Último Desejo’’, ‘‘Feitiço da Vila’’.
Noel Rosa viveu pouco, mas com muita intensidade, no Rio de Janeiro que, além de ser a Capital Federal, era também a capital do samba e do jogo. Um dos traços mais revolucionários da época foi a difusão, a partir de 1920, da arte popular, quando o samba desce do morro e pisa forte no asfalto.
Nessa época, compositores e poetas de diferentes camadas sociais ganhavam a popularidade nas ruas, fazendo um samba marginal, em contraposição à produção dos artistas da Semana de Arte Moderna. Diante de uma população semi-analfabeta, Noel Rosa se comunicava muito bem usando a linguagem do cotidiano, descrevendo sutilezas do dia-a-dia como ‘‘Sol pelo amor de Deus, não venha agora que as morenas já vão embora’’, ou ‘‘Quando o apito da fábrica de tecidos, vem ferir os meus ouvidos, eu me lembro de voc꒒.
Viveu pouco mas apaixonadamente. Trocou a vida de estudante de Medicina pela magia da poesia, pelos bares da madrugada, e muito cigarro. Quando morreu, por problemas respiratórios, aos 27 anos, ele deixou escritos mais de 400 sambas, todos de extrema sensibilidade, e a maioria deles entre os clássicos da música brasileira.
• O show ‘‘Noel Rosa - Um Palpite Feliz’’, hoje, às 21 horas, na Sociedade Médica de Maringá (Rua Imburana, 176, ao lado do Hospital Paraná). Entrada franca.

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