Noel remasterizado
No rol dos maiores sambistas, Noel Rosa viveu pouco e compôs muito. Ao morrer, aos 27 anos, o compositor deixou um legado de 259 músicas. Desde então, nada disso foi compilado. Até que Omar Jubran, biólogo e professor de ensino médio de São Paulo - colecionador de gravações de Noel Rosa - reuniu toda a obra do compositor em nove CDs.
O trabalhou demorou onze anos, período no qual Jubran coletou 228 músicas de Noel. As outras 31 tiveram a melodia perdida. Agora, o professor está lutando para que alguma gravadora publique o pacote pela importância histórica e musical.
A campanha de Jubran chegou até a Agenda do Samba & do Choro, site da Internet voltado para a música brasileira. Os responsáveis pela página estão colhendo apoio à publicação do trabalho. O professor, no entanto, demonstra pessimismo com o desinteresse de gravadoras e órgãos públicos.
É a única coletânea do gênero de todo o trabalho de um compositor brasileiro em um só pacote, contendo gravações originais e algumas inéditas. Infelizmente, nenhuma autoridade dita competente sequer tomou conhecimento. Todo esse trabalho nada significou para ministério, secretarias estaduais ou municipais que assinam da cultura. Todos fingiram que o negócio não é com eles, reclama Omar Jubran, em entrevista realizada por e-mail.
Em meio à indignação, o professor destaca a ajuda da página da Agenda do Samba & do Choro: Ela contribuiu muito para a divulgação, mas não pode fazer muito mais do que isso. O apoio moral foi extraordinário, mas do ponto de vista prático não deu em nada até agora.
A idéia de Jubran era persistir no projeto e encampar a obra de Ary Barroso em um trabalho futuro. Mas o descaso com a pesquisa de Noel Rosa foi tanto que o professor pensa em desistir: Com qual estímulo eu poderia fazer o mesmo em relação a Ary Barroso? Alguém ajudaria? Centenas ou até milhares de brasileiros mereceriam um trabalho desses, mas quem teria condições de financiá-lo? Em outras palavras, dá para acreditar?
Os problemas não esbarram apenas na falta de estímulos e patrocínio. Há também um verdadeiro labirinto envolvendo direitos autorais que complica ainda mais o andamento do processo. Para Paulo Eduardo Novaes, da Agenda do Samba & do Choro, existem dois problemas centrais: As gravadoras têm um cartel e dificultam que outras entrem no mercado. Quase todos os direitos de grandes artistas brasileiros estão com grandes gravadoras, que cobram como direito autoral um percentual da venda do disco. Nada mais justo, tirando o fato de que elas mesmas dizem o quanto um disco vende e os mesmos não são numerados. Se uma gravadora pequena resolve lançar um disco, ela tem que pagar adiantado por esses direitos, revela.
O segundo problema seria uma espécie de boicote das grandes gravadoras em relação à cultura brasileira, segundo Paulo Eduardo Novaes: Enquanto nos Estados Unidos você tem toda a obra de Miles Davis ou Robert Johnson, aqui o acervo dos lumiares da música brasileira - nossa mais importante manifestação cultural - mofa nos arquivos. O pior é que estas gravadoras não somente não publicam, como impedem a publicação. Para editar um fonograma que esteja nas mãos de uma grande gravadora é cobrado em torno de R$ 2 mil. Multiplique isto por 200 e terá idéia dessas dificuldades.
A campanha desencadeada pela Agenda do Samba & do Choro já mobilizou cerca de 250 colaboradores, e algumas empresas demonstraram interesse em distribuir a coleção como brinde para clientes. Ainda assim, a obra completa de Noel Rosa, remasterizada, está longe de chegar às prateleiras das lojas. Os interessados em apoiar a campanha de Omar Jubran podem acessar o site da Agenda do Samba & do Choro no endereço http://samba-choro.com.br/.ReproduçãoObra de Noel Rosa foi reunida pelo pesquisador Omar Jubran: luta, agora, é pela gravação do pacote remasterizadoRanulfo Pedreiro





