Apesar das feições de bom moço e do corpo sarado, a maioria dos papéis de Roger Gobeth na tevê não são de mocinho. Desde sua estreia na tevê em 1999, em ''Malhação'', na Globo, até seu último trabalho na Record - o íntegro bombeiro Guilherme, de ''Chamas da Vida'' -, o ator conseguiu viver personagens bem diferenciados em sua trajetória. Tanto que em ''Rei Davi'' minissérie da Record, que estreia no próximo dia 24, este paulistano de 38 anos vai interpretar uma espécie de ''playboy'' de época. Seu Amnon é o primogênito de Davi, protagonizado por Leonardo Brício.
Na trama de Vivian de Oliveira, dirigida por Edson Spinello, ele apronta todas neste período que se passa por volta de 1.050 a.C. Como príncipe herdeiro de temperamento bipolar, o personagem de Roger age da forma mais irresponsável possível e chega a estuprar a própria irmã Tamar, vivida por Júlia Farjado, o que faz com que ele seja banido do reino pelo pai e afastado da linha de sucessão do trono de Israel. ''Ele não chega a ser um vilão, mas é um irresponsável. Oscila muito de humor, bebe demais e é quase psicótico. É um cara sem limites e sem discernimento'', descreve.
Para tentar se aproximar do universo de um passado tão longínquo, Roger se aprofundou não só em pesquisas bíblicas, mas também assistiu a filmes para se inteirar sobre o possível cotidiano da época, e compor o personagem de acordo com suas atitudes intempestivas. Umas das iniciativas foi assistir a filmes. Como ''Despedida em Las Vegas'', de Mike Figgis, onde o ator Nicolas Cage interpreta um sujeito disposto a beber até a morte. ''Mesmo distante cronologicamente do Amnon, estamos falando principalmente das atitudes de um homem, da busca pelo poder. Mas não esqueço de toda a forma rude e bruta que eles viviam em Israel. Isso era fruto do meio. O deserto árido também se refletia nas relações embrutecidas'', avalia.
Na trama de 29 capítulos, que teve investimento de R$ 25 milhões da Record e contou com externas no Canadá e na histórica Diamantina, em Minas, Roger se deliciou principalmente pelo universo da história épica. ''Meu papel foi difícil de fazer. Mas entrava no clima porque pegava uma hora de voo e depois viajava quatro horas para chegar à gravação em Minas. Quando colocava o figurino, era como se eu entrasse em um portal, passasse para outro tempo'', define Roger, que atua em sua segunda trama de época na carreira. A primeira foi na minissérie ''O Quinto dos Infernos'', na Globo, onde vivia o cavalariço de Pedro II.
A rusticidade tem sido uma característica comum a vários personagens do ator na tevê, que também interpretou o pescador Jesus, em ''Kubanacan'', e o mau-caráter Félix, em ''Vidas Opostas'', sua estreia na Record, em 2006. Mocinho mesmo foi o doce Frederico, de ''Floribella'', da Band, um dos trabalhos de maior destaque de sua carreira e onde conheceu a ex-mulher, a atriz Juliana Silveira, protagonista do folhetim. '''Floribella' marcou toda uma geração que até hoje fala comigo nas ruas'', destaca o ator que, no ano passado, estreou no cinema com uma participação no filme ''Vips'', protagonizado por Wagner Moura.
Através deste longa, dirigido por Toniko Melo, Roger voltou a trabalhar com a produtora O2 Filmes. Afinal, bem antes de estrear na tevê, quando ainda cursava faculdade de Arquitetura em São Paulo, este ator chegou a atuar durante um bom tempo em comerciais dirigidos por Fernando Meirelles, um dos diretores da O2. ''Foi aí que comecei a tomar gosto pela atuação'', lembra.

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