São Paulo, 30 (AE) - A Academia Real da Suécia, em Estocolmo, resolveu premiar a consistência e concedeu o Nobel de Literatura de 1999 ao romancista alemão Gunter Grass, de 71 anos
autor de "O Tambor" (de 1959 e que foi levado às telas por Schloendorff em 79), "O Linguado". Grass foi avisado da vitória a caminho do dentista. Para a Academia, Grass fez juz à honraria, "por haver pintado o rosto esquecido da história em fábulas de uma alegria negra".
A nota oficial dos jurados faz menção específica à primeira e mais celebrada obra do alemão, "O Tambor", que completa exatos 40 anos: "Livro em que ele enfrenta a imensa tarefa de revisitar a história contemporânea, resgatando os despossuídos e os esquecidos; as vítimas, os perdedores e as mentiras que se quis esquecer, porque uma vez acreditaram nelas e não é excessivo afirmar que esse livro será uma das obras literárias mais perenes do século 20".
No dia 10 de dezembro, em Estocolmo, Grass receberá a honraria e mais um cheque de US$ 960 mil das mãos do rei Carlos Gustavo XVI da Suécia. O escritor alemão pretende doar parte à associação que leva seu nome e que ajuda ciganos do Leste Europeu. Nascido em 1927, em Gdansk (antes Danzig, o corredor alemão), hoje Polônia, Grass, jovem, fez parte da Juventude Hitlerista. Preso em 1945, ingressou, em 1948, na Academia de Belas Artes de Dusseldorf, onde estudou pintura e escultura (duas outras atividades em que se sai bem, além dos livros).
Começou a escrever (à mão, hábito que mantém até hoje), poemas, em 1955 e quatro anos depois fez furor com "O Tambor", uma alegoria mágica do entusiasmo alemão por Hitler. Ajudou a fundar o Grupo 47, reunião de jovens romancistas que pretendiam renovar o romance germânico. Nos anos 60, ligou-se ao Partido Social Democrata. Em 1986, irritado com o cenário literário de seu país, exilou-se voluntariamente por um ano na Índia, em protesto às reprovações gerais contra "A Ratazana", uma parábola sem esperança de uma catástrofe nuclear.

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