No vácuo do Oscar
Passada a euforia da premiação, as distribuidoras desovam Inferno e Ecos do Além que estréiam nas salas paranaenses
DivulgaçãoJean Claude Van Damme volta às telas em Inferno que não tem nada de novo em relação a outros filmes do atorDivulgaçãoEcos do Além pega carona com O Sexto Sentido e tem uma criança no elencoFunciona assim há muitas décadas, e apesar de alguns progressos as coisas não mudaram substancialmente. É a política devoradora das major, ou em outras palavras, é a política do manda quem pode e obedece quem tem juízo - no caso o exibidor, que repassa o entulho ao espectador. Passado o furor mediático do Oscar, é hora das grandes distribuidoras promoverem reposição de estoque. Vale dizer, desengavetar a dúzia de títulos obscuros que entrou no País atrelada aos cabeça de lote. Assim, para cada Beleza Americana, recebe-se goela abaixo um Inferno; atrelado a O Informante, empurra-se um Ecos do Além, revestidos do relevante significado do rótulo do lançamento nacional (confira os dois lançamentos na programação de cinema na página 5). E assim sucessivamente, num moto-perpétuo.
O Inferno é apenas um entre os três títulos oferecidos na distribuição mundial do filme. Assim, o filme atende também pelos nomes de Coyote Moon e Desert Heat. Como se o batismo múltiplo alterasse alguma coisa na qualificação do produto... Jean Claude Van Damme está de volta. E não se surpreenda - se você pagar o ingresso, claro - se a história for um enorme, descarado dSja v#. Por que Hollywood sempre tenta reeditar velhas histórias em velhas roupagens? Sinopse: viajante solitário (Van Damme, quem mais?) chega à cidadezinha no meio de lugar nenhum trazendo um presente para um velho amigo. Naturalmente, todos os outsiders nesta comunidade desértica são malvados. E logo vão dispensar tratamento especial ao visitante, a esta altura já convertido em herói da platéia nostálgica de Mel Gibson em Mad Max, o legítimo. E mais naturalmente ainda, ele ressurge das cinzas como uma fênix, liquida grande número de desafetos, namora sério a garçonete e faz sexo não com uma mas logo com duas de um clube local. O único que parece de fato se divertir com tudo isso é o próprio Van Damme, que embolsou um gordo cheque e riu por último. John G. Avildsen, que em outros tempos risonhos já ganhou um Oscar com Jack Lemmon em Save the Tigger, é a irreconhecível assinatura da direção.
O sétimo sentido - Em definição mais elementar, Ecos do Além é a perigosa jornada de um homem cético. Em definição mais despudorada, o filme é mais um dSja vú, um plágio parapsicológico de O Sexto Sentido e dezenas de outros exemplares da safra que sucedeu a Poltergeist, há quase 20 anos. Mas ainda assim está muitos furos acima de Inferno.
É a história de um homem simples, Tom Witszky (Kevin Bacon), marido típico, pai idem. Ele vai passar os piores momentos de sua vida depois de ser hipnotizado numa festa promovida por vizinhos. O que a princípio é apenas diversão transforma-se numa avalanche de fatos pós-hipnóticos. Na verdade, o poder subconsciente de Tom é o tal veículo que faltava às entidades que habitam a casa dele para uma sessão de terrorismo do além. O pior é que o filho Jake (Zachary David Cope) também vê gente morta... Forças sobrenaturais, um terrível segredo, visões fantasmagóricas: Tom vai à luta para salvar a família, não importa a que custo.
O filme é baseado em novela de 1958 escrita por um craque da literatura gótica pós-moderna, Richard Matheson (A Casa da Noite Eterna, Encurralado), nem sempre bem aproveitado no processo de intercorrência das linguagens. O diretor David Koepp parece pouco familiarizado com o gênero, e frustra o suspense telegrafando por antecipação algumas informações essenciais que o roteiro deveria ter como trunfo. Para um filme com pretensões extra-sensoriais, o resultado fica muito aquém.





